domingo, 19 de maio de 2019
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Drama ‘Desobediência’ estreia nesta quinta-feira nos cinemas de João Pessoa

André Luiz Maia / 12 de julho de 2018
Foto: Divulgação
Voltar o seu local de origem pode ser uma experiência traumática, uma oportunidade para encerrar ciclos e amarrar pontas soltas deixadas no passado. Ou também pode ser o início de uma nova história. Desobediência traz um pouco disso ao retratar o retorno de uma mulher para Londres por conta da morte de seu pai, um rabino importante dentro de uma pequena comunidade judaica ortodoxa.

Antes mesmo de entrar na história, é importante lembrar que a obra é a primeira produção em língua inglesa do premiado cineasta chileno Sebastián Lelio. O nome deve ser familiar para quem acompanhou a corrida para o Oscar, no início deste ano, já que seu Uma Mulher Fantástica sagrou-se campeão na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Lá, ele mostrava a história de uma mulher transexual. No filme, baseado na obra de Naomi Alderman, que estreia nesta quinta-feira (12) nos cinemas paraibanos, Lelio continua tratando da diversidade sexual e da homofobia, mas agora decide entrar no universo lésbico.

Ronit (Rachel Weisz) atualmente é uma fotógrafa renomada e vive na agitada Nova York. A notícia da morte do seu pai causa, a princípio, um efeito contrário ao que se espera de uma filha: a fuga, entrando em uma espiral de álcool, festas e sexo. No entanto, o sentimento de perda persiste.

Incapaz de deixar a história de lado, ela decide retornar à comunidade que deixou para trás em busca de um estilo de vida mais livre. Ela precisa enfrentar os olhares de reprovação da própria família, que desaprova sua postura, ainda mais por se tratar de uma filha de um líder de referência na comunidade. No entanto, o maior impacto está ao descobrir que sua amiga de infância Esti (Rachel McAdams) agora é casada com seu primo Dovid (Alessandro Nivola).

A “desobediência” do título se justifica ao descobrirmos que Esti e Ronit se envolveram romanticamente na adolescência, ao mesmo tempo em que ambas foram reprimidas por demonstrarem este sentimento. A reaproximação, no entanto, causa efeitos colaterais inevitáveis. Com base nesses atritos, a narrativa do filme se desenrola e, de acordo com a crítica, de maneira satisfatória.

“A direção de Lelio, acostumado aos dramas femininos, se impõe pela sugestão, pelo detalhe e pelas ações, mais do que pelo explícito, pelo didatismo ou pela fala”, aponta Alessandro Giannini, do jornal O Globo. É importante lembrar que antes de Uma Mulher Fantástica, Sebastián já havia produzido pérolas como Gloria, uma obra sensível sobre a solidão e envelhecimento. O filme, inclusive, ganhará um remake em inglês pelas mãos do próprio diretor.

O elenco principal também é digno de observações pontuais da crítica. Tanto Weisz, quanto McAdams e Nivola surpreendem, cada um à sua maneira. Sobre o casal imerso na cultura ortodoxa de cabeça, quem destaca o trabalho dos atores é Matheus Fiore, do site Brainstorm9. “Graças às atuações, Esti exala melancolia e conquista nosso lamento pela desesperança que permeia seus olhares e falas. Dovid também causa o mesmo sentimento por parecer uma figura engessada, criada para exercer uma função dentro de seu contexto social sem sequer ter vislumbrado a possibilidade de viver outra vida”.

Francisco Carbone, do site Cineplayers, acha difícil decidir entre os três, mas destaca o bom momento de Rachel Weisz. “Ela tem de fato sua melhor performance da década, muito centrada, muito controlada, muito segura de si e na maior parte do tempo com textos correspondentes a seu desempenho”, comenta em sua análise.

Para completar, o diretor, mesmo não seja judeu, está sendo parabenizado pelo cuidado ao retratar a sociedade, mesmo tocando em tabus como a homossexualidade.

 

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