sábado, 17 de agosto de 2019
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Diretor fala sobre ‘Cine Holliúdy 2 — A Chibata Sideral’

Rammom Monte / 23 de março de 2019
Foto: Divulgação
Uma história arretada de um embate entre Lampião e extraterrestres. Lá na pequena Pacatuba, interior do Ceará. Este é o filme que Francisgleydisson (Edmilson Filho), ex-dono de cinema e, agora, cineasta, pretende produzir em Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral, o mais novo longa do diretor cearense Halder Gomes, continuação do grande sucesso em “cearês” de 2013.

Sem rumo e desolado por ter que fechar as portas de seu Cine Holliúdy, Francisgleydisson tem uma experiência alienígena e se depara com um disco voador. Envolvido com a situação, Francisgleydisson decide fazer um filme. Para integrar o elenco, convoca os moradores de Pacatuba e recorre aos duvidosos Prefeito Olegário (Roberto Bomtempo) e primeira-dama Justina Ambrósio (Samantha Schmütz).

“E, no Ceará, filme de ET não tem medo de concorrência hollywoodiana, não. Pense numa produção de sucesso de bilheteria medonha. Muito maior do que aquele calango véi (sic). Como é o nome? Godzilla”, promete Francis no trailer.

Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral completa uma divertida trilogia involuntária sobre o cinema popular no Nordeste do Brasil: Cine Holliúdy abordou o fechamento dos cinemas do interior do Ceará na década de 1970, após a chegada da TV. O Shaolin do Sertão (2016) retratou a chegada do vídeo cassete na década de 1980 como salvação dos órfãos aficionados pelas sessões de cinema de gênero (artes marciais). E, agora, Cine Holliúdy 2 faz uma grande homenagem aos cineastas dos lugares mais remotos do país. “Porém não menos apaixonados pela sétima arte”, comemora Halder Gomes, em entrevista ao CORREIO.

“O Cine Holliúdy 2 vai a 1980 quando Francisgleydisson fecha o Cine Holliúdy e resolve fazer um filme de sci-fi. Este filme é uma grande homenagem aos realizadores mambebes do interior do Brasil, que faziam filme inspirando em filmes de gênero e levavam ao público. Eles eram responsáveis por toda uma cadeia produtiva, do roteiro à exibição. Então é uma grande homenagem”, diz ele.

Apesar de ser uma comédia, que vai do escracho a tiradas que pedem mais do expectador, o filme traz algumas críticas sobre setores sociais e até uma provocação aos críticos.

“Ele tem várias metalinguagens, tendo crítica social, política, econômica e religiosa. São assuntos que estão aos nossos olhos. É de 1980, mas que dialoga com o presente. A comédia permite falar de tudo e ela brinca com tudo.

Muitas vezes, as pessoas criticam sem ver, sem entender, sem fazer um aprofundamento. É a urgência de ter que dar opinião, sobretudo faz com que muitas vezes as pessoas não sabem o que estão dizendo”, apontou.

Cearense, assim como Francisgleydisson, Halder diz que tem um pouco dele nos personagens, principalmente no protagonista.

“Sempre tem um pouco de um alter-ego. Através de Francisgleydisson, tem muito da minha batalha para fazer filme. No Cine Holliúdy 1 tem muito da percepção dos personagens infantis, de perceber que os cinemas estavam acabando e não ter noção do quão grave seria aquilo. As situações que eu vivenciei transitam pelo personagens”, disse.

O sucesso do primeiro filme foi imenso: a trajetória no mercado começou pelo Ceará, duelando em pé de igualdade com as grandes produções hollywoodianas em cartaz. Quando foi “exportado” para o Brasil, já levava consigo a fama de vencedor e de fazer rir multidões. Agora, além da sequência que estreiu esta semana nos cinemas, há uma série de televisão em desenvolvimento. Serão 10 episódios que não serão uma continuação: as histórias se passam antes do primeiro filme.

“Sou diretor da série, junto com Patrícia Pedrosa e Renata Porto D’Ave. É uma honra grande, porque você está ali num universo que Ariano Suassuna já teve, Jorge Amado também”, finalizou.

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