domingo, 17 de fevereiro de 2019
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Diocélio Barbosa leva seu ‘clown’ para duas apresentações em Sousa

André Luiz Maia / 08 de fevereiro de 2019
Foto: Divulgação
No mês passado, o CORREIO trouxe uma conversa com Luiz Carlos Vasconcelos e seu palhaço Xuxu, na qual o ator compartilhou um pouco de sua vivência com o universo circense. Hoje, o assunto continua com o também paraibano Diocélio Barbosa, que leva hoje e amanhã para Sousa o espetáculo Xulé à la Carte, no qual apresenta o palhaço que encarna há 20 anos.

Integrante da Trupe Arlequin, Diocélio ocupa o teatro do Centro Cultural Banco do Nordeste com toda a sua expertise no universo da palhaçaria, em performances gratuitas realizadas no teatro do equipamento, em pleno Sertão.

“A primeira vez que apresentei esta peça lá em Sousa foi em outubro de 2017. Voltar à cidade depois de um ano e meio será uma experiência maravilhosa. Estamos ansiosos para ver como o público irá recebê-lo depois desse amadurecimento do espetáculo”, comenta Diocélio.

Xulé traz para o picadeiro as mais divertidas cenas clássicas do universo da palhaçaria que foram experimentadas, investigadas e concebidas durante os anos de atuação de Diocélio. O espetáculo traz um menu repleto de pantomimas, gags e reprises interativas com o público. Não existe uma apresentação igual à outra, já que o ator leva consigo um pouco do que aprende com essas interações, aplicando-as na performance seguinte. “Todas as pessoas com as quais o Xulé teve interação estão no personagem hoje, nem que seja um pouquinho”, confessa Barbosa.

Mas isso não se aplica apenas ao espetáculo. Alimentar-se do palco e das interações com o público é algo que diz muito do próprio ofício do palhaço já que, assim como Luiz Carlos Vasconcelos tinha salientado, trata-se de um personagem construído a partir do próprio ser humano por trás do figurino e da maquiagem. Diocélio, que está há 20 anos nessa construção, sabe bem o que é isso.

“Ser palhaço é algo que não tem pausa. Não é porque você chegou em uma 'definição' do que seja esse ser ridículo, que exagera aquilo que você guarda lá no fundo do seu ser, o que há de mais intrínseco, que você vai se conformar. Cada apresentação e contato com o público ressignifica esse ser palhaço. É uma pesquisa constante”, completa.

Ao longo dos últimos anos, há um crescimento exponencial do interesse ao redor da arte circense e do clown. Trata-se de uma arte tradicional, que passou por altos e baixos, porém nunca deixou de existir ou ter alguma relevância. “O circo sempre teve o espaço, a divulgação e a oportunidade de entrar nos lares, na vida e nos sonhos das pessoas. Em alguns momentos, ele ficou ofuscado por outras formas de entretenimento, como TV e cinema, ou mesmo por falta de iniciativa da classe circense, mas de maneira geral ele sempre esteve ali, pronto para fazer o público sonhar de olhos abertos”, defende Diocélio.

Agora, a diferença é o prestígio e os cuidados que estão sendo direcionados ao gênero. Com mais patrocínios e apoios culturais, grupos circenses estão desenvolvendo não apenas espetáculos como também estudando técnicas relacionadas ao circo de maneira mais aprofundada, chegando a desenvolver novos métodos. A Trupe Arlequin é um desses exemplos.

A academia também tem voltado os olhos para o circo. O próprio Diocélio é mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), desenvolvendo o estudo intitulado “O Corpo Cômico: um mergulho no ri[s]o do palhaço”, levando o clown para as análises acadêmicas.

“Antes, não tínhamos literatura que falasse do universo do circo. Agora temos livros, sites, CDs didáticos e materiais escolares que abordam o assunto, ensinando toda essa metodologia e indo a fundo todos os personagens e atores que compõem esse universo do circo”, comemora. “É um avanço generoso, mas ainda precisamos ir muito mais além, pois comparado ao teatro e à dança, ainda estamos bem atrás”, pondera.

Além dos estudos no ensino superior, Diocélio Barbosa também está à frente da coordenadoria de circo na Fundação Espaço Cultural, uma resposta da gestão estadual à importância do circo enquanto expressão artística. Por anos, a Mostra Estadual englobava apenas teatro e dança. Em 2012, ano de sua última edição, o circo foi inserido nesse roteiro. Sete anos depois, a mostra retorna.

No entanto, a cena do circo hoje é diferente em relação àquela época, com mais grupos e iniciativas fortalecidos. “Este retorno da mostra irá reafirmar a união dessas três linguagens. Essa mostra ajudará a mostrar um painel amplo do que está sendo produzido na cena artística da Paraíba. A mostra é uma confraternização, um grande encontro das artes, para que os artistas e o público possam ver os trabalhos de todos. Será um momento lindo”, completa Diocélio Barbosa.

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