terça, 13 de novembro de 2018
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Dia do Índio: Brasil tinha 8 milhões de indígenas; hoje são apenas 800 mil

Adelson Barbosa dos Santos / 19 de abril de 2018
Foto: Reprodução Web
Há 64 anos, a sociedade brasileira comemora, em 19 de abril, o Dia do Índio, data simbólica instituída pelo Decreto-Lei 5.540, no Governo do presidente Getúlio Vargas, no dia 2 de junho de 1943. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União. País com elevada população indígena antes da chegada dos colonizadores portugueses, no ano de 1.500, o Brasil instituiu a data depois da realização do 1° Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México no ano de 1940.

“O presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição, e tendo em vista que o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, reunido no México, em 1940, propôs aos países da América a adoção da data 19 de abril para o Dia do Índio, decreta: É considerada- Dia do Índio- a data de 19 de abril”. Assinaram a publicação o presidente Getúlio Vargas Apolônio Sales e Osvaldo Aranha, respectivamente ministros da Agricultura e das Relações Exteriores.

De acordo com a professora-doutora Cláudia Lago, do curso de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), do início da colonização portuguesa para cá, entre 6 milhões e 8 milhões de brasileiros natos (indígenas) foram reduzidas a cerca de 800 mil. “Houve um verdadeiro extermínio”, conforme Cláudia Lago.

Segundo a professora especialista em História da América, a família Lundgren, de origem alemã, que se instalou no município de Rio Tinto, em função de uma fábrica de tecidos, lá pelos anos 40, chegou a proibir os índios potiguara da região de falarem a própria língua, sob pena de prisão. A proibição se deu aos indígenas que foram, trabalhar na Companhia de Tecidos Rio Tinto. No município, um casarão na comunidade Jaraguá chegou a ser usado como local de tortura praticada contra os índios que se negavam a acatar a ordem dos Lundgren.

Paraíba é a ‘terra dos Tabajaras’

Mas como figura a Paraíba na história indígena? O Estado é conhecido nacionalmente por ser a Terra dos Tabajaras e por abrigar a maior concentração de Potiguaras do País em localidades como Baia da Traição, Marcação, Rio Tinto e Mamanguape, municípios do litoral norte. Potiguaras e Tabajaras eram o povos inimigos, que, segundo historiadores, chegaram a se unir no início de 1585.

“Sabendo disto (da união), organizaram os portugueses em Pernambuco um verdadeiro exército com mais de 500 homens brancos, além de escravos e índios aliados. Atacaram um acampamento dos Tabajara e mataram muitos. Logo depois houve um desentendimento entre os Potiguaras e os Tabajaras e as duas nações se separaram”, sustenta o professor aposentado do curso de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Frans Moonen, em trabalho acadêmico.

Potiguaras, segundo Frans Moonen, era a denominação dos índios que no século XVI habitavam o litoral do Nordeste, “aproximadamente entre as atuais cidades de João Pessoa, na Paraíba, e São Luís, no Maranhão”.

Guerras, conluios e quase extermínio

No trabalho acadêmico intitulado “Os Índios Potiguara da Paraíba”, edição digital aumentada, de 2008, Moonen diz que um documento de 1601 afirma que 14 mil potiguaras recebiam proteção dos franciscanos somente na Paraíba. “Sabemos também que, no final do século XVI, milhares de índios foram vitimados na guerra contra os portugueses e pelas doenças por eles transmitidas. Pode-se admitir então que em 1500 os potiguara eram mais de cem mil”, frisa o trabalho de Frans Moonen.

No início do século XVI, segundo o professor, os Potiguaras tinham contato regular com os franceses que fundaram entreposto comercial em Baía da Traição, onde navios vinham buscar pau-brasil e algodão. “Para garantir e organizar este comércio, alguns franceses ficavam morando com os índios. Esta presença francesa, naturalmente, não agradava ao Rei de Portugal. Para expulsar os franceses, seria necessário conquistar e povoar o território ocupado pelos Potiguara”, escreveu.

Outros documentos, segundo Moonen, atestam, ainda, incursões Potiguaras em Pernambuco. Diz ele que o sequestro da filha de um cacique Potiguara por um senhor de engenho, em 1574, foi o início de uma longa guerra. Em represália ao sequestro, os Potiguaras atacaram o engenho e mataram seus habitantes.

“Logo após o massacre dos moradores do engenho, os portugueses mandaram uma expedição punitiva, mas que não obteve êxito. Uma outra tentativa de conquistar a Paraíba fracassou em 1575. No ano de 1579, os potiguara venceram os inimigos na barra do rio Paraíba”, frisa o trabalho acadêmico.

Segundo outros autores como José Elias Borges e José Octávio de Arruda Mello, os Potiguaras foram os primitivos habitantes do litoral da Paraíba na época do descobrimento do Brasil. Viviam desde o delta do Rio Paraíba até a Baía da Traição e terras para leste subindo o rio Mamanguape.

 

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