quarta, 19 de dezembro de 2018
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Dia do idoso: 57% temem velhice solitária

Ana Daniela Aragão / 01 de outubro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
O Dia do Idoso é lembrado neste sábado (01). Para os brasileiros que ainda não estão nessa faixa etária, às medidas de saúde preventivas são importantes para viver bem na terceira idade. Além disso, o brasileiro teme ficar só na velhice. Foi o que mostrou o cruzamento de duas pesquisas que avaliaram a percepção da sociedade a respeito da maturidade. O primeiro estudo foi realizado só no Brasil e o outro aconteceu em sete países da América Latina. Nas ruas de João Pessoa, os idosos confirmam que, apesar dos problemas financeiros que enfrentam, o desejo de ter saúde vem em primeiro lugar.

No grupo dos outros países, a segurança financeira aparece como primeira opção, em média, entre os itens considerados mais importantes para envelhecer bem. Já os cuidados preventivos com a saúde estão posicionados em quarto lugar entre as prioridades dos países latino-americanos avaliados, mas assumem a primeira colocação entre os brasileiros, que também valorizam a dieta saudável e a prática de exercícios.

Saúde em primeiro lugar

O casal de aposentados Josete Bezerra de Santana, 60, e Edmilson de Santana, 60, são casados há 42 anos e moram na Capital. Apesar dos problemas de saúde que enfrentam, eles se dizem felizes porque acreditam que a velhice deve ser vivida com tranquilidade. Ela tem diabetes e ele sofre de pressão alta. Segundo ela, as dificuldades em conseguir exames e lidar com as diversas despesas, são problemas rotineiros. “É consulta que não consegue marcar, falta dinheiro pra comprar remédio, mas a gente sabe que tem outros idosos por aí em situações piores. Que foram esquecidos pela família. Nós contamos com o apoio de nossos parentes. Estamos sempre unidos e isso nos alegra”, disse. O casal tem quatro filhos e 13 netos. A aposentada contou que, se fosse colocar os seus desejos em uma lista, a saúde vinha em primeiro lugar, seguido da presença da família e por último o dinheiro. “A gente nasce criança e morre criança também. Os idosos possuem muitas necessidade”, declarou.

O seu marido afirmou que ser idoso não é fácil, mas tenta se manter em paz. “Eu sou feliz. Eu e minha mulher não nos desgrudamos. Vamos juntos para os lugares e quando não estamos por perto, nos preocupamos um com o outro. Faz parte. Ninguém gosta de ficar sozinho na velhice. Então ou feliz pela companhia dela e da família e de estar vivo”, contou.

A funcionária pública Elione Costa, 65, também compartilha da opinião que a saúde vem em primeiro lugar. Ela é casada e possui três filhos. Ela contou que as contas para pagar são várias e que para enfrentar os problemas é preciso estar saudável. “É muita coisa que passamos durante o dia a dia. Eu não me aposentei justamente porque ajudo um neto na mensalidade da faculdade. A gente fica velha mais ainda tem que ajudar a família. Eu me considero uma pessoa feliz e me imagino bem daqui a alguns anos. Todo mundo quer isso”, declarou.

Principais temores

A comparação entre as duas pesquisas também evidencia que os brasileiros são os que mais temem a solidão no fim da vida, na comparação com os outros países latino-americanos pesquisados. “Há no Brasil uma tendência ao narcisismo, pois cultuamos muito a aparência, a juventude. Para alguns, dizer que alguém é velho pode soar até como ofensa. Então, esse medo da solidão se traduz pelo receio de não ser notado, de não ser visto pelo outro no fim da vida, quando já não se tem as características da juventude que a nossa sociedade tanto valoriza”, analisou a psiquiatra Rita Cecília Ferreira, responsável pelo Programa da Terceira Idade do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP).

Os receios associados à maturidade estão, muitas vezes, relacionados a uma percepção negativa da velhice que esses indivíduos verificam em seu próprio ambiente. Em todos os países analisados, a maioria dos indivíduos ouvidos acredita, por exemplo, que a sociedade e o governo dispensam pior tratamento às gerações mais velhas na comparação com as mais jovens. No Brasil, essa percepção abrange mais de quatro a cada dez entrevistados.

Projeção 2030 (População idosa)

2025 – 666.081

2030 - 718.126

Pesquisa:

989

pessoas de todas as regiões do país foram ouvidas na pesquisa brasileira

2.165

Pessoas nos outros sete países da America Latina foram ouvidas

 

35%

dos brasileiros desejam chegar à faixa etária que vai dos 86 aos 95 anos.

23%

dos brasileiros gostariam que a vida se prolongasse dos 96 aos 120 anos.

Solidão na velhice

57%

dos brasileiros temem ficar só na velhice

35%

É a média dos países da América latina que tem a solidão na velhice

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