quarta, 25 de novembro de 2020

Dia da Mulher
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Paraibanas são mais preparadas, mas salários são menores

Ellyka Akemy / 08 de março de 2016
Foto: Ilustração
Não é mito: as mulheres são mais escolarizadas e ainda ganham menos que os homens no Brasil. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam esse cenário. Seis em cada dez paraibanos com curso superior são mulheres. No entanto, elas ganham, em média, R$ 350 a menos que eles. Mas por que essa prática ainda é comum no mercado de trabalho?

“Porque o mercado de trabalho no Brasil foi constituído historicamente sob a marca da desigualdade e da discriminação social”, explicou o sociólogo Roberto Verás, especialista em relações de trabalho. Segundo Roberto Verás,, essa segregação acontece em vários aspectos, envolvendo diferenciações regionais, étnico-raciais, por nível de escolaridade e de qualificação, bem como por gênero.

A socióloga, Simone Maldonado, divide esse mesmo ponto de vista, mas afirmou não entender o porquê do mercado ainda exercer essa prática discriminatória. “Sabemos a causa: a maior escolarização da mulher e seu salário não condizente são marcas profundas da desigualdade que lamentavelmente acompanham nossa cultura. Mas pelos anos, isso já deveria ter sido superado”, destacou.

Elas mesmo deixam de questionar

Os especialistas comentam que o problema é uma realidade, mas, ao mesmo tempo, é como se ele não existisse, porque as próprias mulheres muitas vezes não questionam a situação. . Para Roberto Verás, as mulheres buscaram se sobressair em nível escolar melhor que os homens como forma de compensar as defasagens causadas pelo processo discriminatório. Entretanto, as diferenças salariais continuam, embora tenham diminuído, em razão do esforço da luta coletiva.

“A questão é que, se por um lado houve avanços com as mulheres passando a ocupar cada vez mais postos qualificados nos diversos setores e segmentos do mercado de trabalho, do outro os processos geradores de segmentações no mercado de trabalho, inclusive relacionadas a gênero, vêm sendo recriados, com as novas dinâmicas do mundo do trabalho”, explicou Verás.

Uma dessas novas dinâmicas as quais ele se refere está a terceirização. Para o sociólogo, essa prática prejudica mais os setores vulneráveis do mercado de trabalho, como mulheres, negros e jovens. E seria por isso que, apesar dos avan- ços e dos esforços, no plano individual, da luta coletiva e das políticas públicas, os processos discriminatórios persistem. A arquiteta, Patrícia Moeckel, trabalhou durante 16 anos como gerente de grandes empresas nacionais e multinacionais fabricantes de pisos e revestimentos diferenciados e do segmento da construção civil.

Ela contou que, mesmo em firmas diferentes, existia uma variação salarial entre homens e mulheres, ainda que o cargo fosse de mesma hierarquia. “Infelizmente ainda hoje os homens com posições e cargos estratégicos acabam tendo remuneração 30% a 35% superior às mulheres de mesmo perfil profissional. Uma vez procurei a diretoria de uma das empresas que trabalhei para questionar o assunto, mas não me deram espaço para debater o assunto”, contou.

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