segunda, 19 de abril de 2021

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Devir relança ‘Estranhos no Paraíso’, com a vida de Katchoo e Francine

Renato Félix / 04 de maio de 2019
Foto: Divulgação
Muitas séries de quadrinhos possuem história editorial complicada no Brasil. E algumas, por mais que tenham admiradores, sofrem para serem concluídas — e, ás vezes, nem são. Estranhos no Paraíso, de Terry Moore, é uma dessas. A HQ independente americana, que lançou as personagens Katchoo e Francine em 1993, passou por quatro editoras brasileiras, sempre avançando aos tropeços em sua publicação por aqui. O último álbum havia saído em 2013, até que a Devir relançou a série do início, disposta a conclui-la em seis edições em capa dura. Estranhos no Paraíso — Um Sonho de Você é o primeiro deles.

O volume soma os três números da primeira publicação (da Antartic Press, 1993/ 1994), mais os 13 números da segunda publicação (da Abstract Studios, 1994 a 1996). A minissérie original foi publicada aqui pela Abril em 1998, e reunida em Volume 1, pela Pandora, em 2003). A segunda fase do gibi saiu aqui em Sonho com Você — Vol. 1 e Vol. 2 (1999/ 2000), pela Via Lettera, e A Vida É Bela (2002), pela Pandora.

Estas duas fases tem realmente personalidades distintas. A trama começa mostrando o cotidiano de Katchoo e Francine, duas amigas muito próximas, mas bastantes diferentes entre si.

Um complicador: a casca-grossa Katchoo é apaixonada pela frágil Francine e mal consegue disfarçar, enquanto a amiga está na fossa depois de pegar o namorado com outra e ser dispensada por ele.

Entra em cena, também, David, um jovem que cai de amores por Katchoo e que, com muita insistência, quebra a resistência que ela mostra sobre deixar que ele se aproxime.

Essa comédia romântica calcada no triângulo amoroso ganha uma reviravolta daquelas na fase 2, quando o passado sombrio de Katchoo vem à tona e a HQ ganha um tom de policial e suspense. É o conteúdo referente ao álbum Sonho com Você, vencedor do Prêmio Eisner.

Na reta final do álbum, os problemas voltam a ser decorrentes da ciranda amorosa dos personagens. São as edições de A Vida É Bela.

Em qualquer das fases, Terry Moore mantém elementos recorrentes. Os bons e rápidos diálogos, às vezes abrem espaço para a poesia e a prosa (há momentos em que o autor prefere narrar a história em texto corrido).

A arte, por sua vez, sempre em preto-e-branco, alterna facilmente do registro mais realista para o puramente cartunesco, nas ocasiões em que a série parte para a comédia rasgada.

Na edição da Devir, o leitor tem que “sentir” quando termina um capítulo e começa o outro, porque a edição não avisa claramente. Às vezes, há um painel separando o fim de um e o começo do outro, mas na maioria das vezes é preciso contar com o tom de encerramento e início de cada parte.

Vol. 3.

A fase 3 de Estranhos no Paraíso, que saiu nos EUA pela Image Comics e depois do novo pela Abstract Studios, foi a mais longa, com 90 números nos EUA. Aqui, teve oito números em versão gibi, pela Pandora (2003) e teve edições reunidas nos álbuns Love Me Tender (Pandora, 2003), Inimigos Mortais (HQM, 2006), Tempos de Colégio (HQM, 2007) e Santuário (HQM, 2013), somando 24 edições.

O final do novo volume já anuncia os títulos das próximas edições: Ama-me com Ternura, Santuário, Admirável Mundo Novo, O Amanhã Hoje e Para Sempre.

Isso reforça a expectativa de que, desta vez, Estranhos no Paraíso vá até o final no Brasil. E — quem sabe? — não emende com uma publicação de Strangers in Paradise XXV, série com a qual Moore comemora os 25 anos de Katchoo, Francine e David?

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