segunda, 24 de junho de 2019
Geral
Compartilhar:

Creas registram 424 casos de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes

Beto Pessoa / 04 de outubro de 2017
Foto: Assuero Lima
Os dados que tomam como base as informações recebidas pelos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), revelam a realidade de muitos jovens paraibanos. Entre janeiro e junho deste ano foram 374 casos de abuso sexual e 50 de exploração sexual, totalizando 424 ocorrências. Em todo ano passado foram registradas 526 casos de violência deste tipo, sendo 470 abusos sexuais e 56 casos de exploração sexual.

A técnica de referência estadual das ações estratégicas da SEDH, a assistente social Anna Paula Batista, explica a diferença entre os casos e avalia que os números mostram a mudança de comportamento em relação aos abusos.

“Abuso sexual é quando a criança sofre a violência sexual de forma pontual, não necessariamente rotineira. A exploração é quando a ocorrência faz parte da vida da criança, acontece mais de uma vez. As ocorrências mostram que hoje se tem entendido melhor o abuso e exploração como violação de direitos. Se denuncia mais porque se entende melhor que se trata de um crime”, disse.

Para a titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Infância e Juventude, Joana D’Arc Sampaio, além do aumento nas denúncias, há também crescimento no comportamento criminoso.

“É verdade que as pessoas denunciam mais, têm mais coragem. Mas também há aumento nas ocorrências. Você veja o que tem acontecido em São Paulo, por exemplo, com casos de homens ejaculando em mulheres dentro dos ônibus, sem qualquer pudor. Isso mostra que os crimes de violação têm aumentado”, disse.

Em toda a Paraíba, entre janeiro e junho deste ano, Campina Grande foi a cidade que apresentou o maior número de violações de direitos das crianças e adolescentes, levando em consideração não somente abuso e exploração sexual, como também violência física, psicológica, entre outras. Foram 432 ocorrências, número que, sozinho, é maior que o registrado nas cidades que ocupam o segundo, terceiro e quarto lugar no triste ranking.

Em segundo lugar ficou o município de Ingá, localizado a 39 quilômetros de Campina Grande. Foram registradas 192 violações contra criança e adolescente naquela região. No mesmo período (janeiro-junho), Picuí registrou 117 casos e João Pessoa 101, ocupando, respectivamente, terceiro e quarto lugar. Nova Palmeira foi o 5º com maior volume de ocorrências, 94 no total.

Dados do disque 123 aumentam. Enquanto os casos de abuso e exploração sexual do primeiro semestre de 2017 se aproximam do volume de todo ano anterior, as denúncias recebidas pelo Disque 123 deste ano já superam em a marca do ano passado, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH).

Somente as denúncias de abuso e exploração sexual das crianças neste primeiro semestre é quase 43% maior que todo ano passado. Entre janeiro e junho de 2017 foram 37 denúncias, enquanto em todo ano anterior foram 21.

Em relação aos adolescentes, o número de denúncias por abuso e exploração sexual no primeiro semestre de 2017 é 109% maior que todo o ano de 2016, saltando de 33, nos 12 meses do ano passado, para 69 ocorrências somente entre janeiro e junho de 2017.

Quando analisadas todas as violações de direitos, incluindo outros casos além do abuso e exploração sexual, o número de ocorrências do primeiro semestre de 2017 já é 84% maior que todo ano passado, quando somados os crimes contra crianças e adolescentes. Foram 526 ocorrências em todo ano de 2016, enquanto no primeiro semestre de 2017 foram 971 casos.

Os principais crimes contra as crianças foram: negligência (193), violência física (177), violência psicológica (135), além do abuso sexual (23) e exploração sexual (14). Contra os adolescentes, os principais crimes foram: negligência (144), violência psicológica (100), violência física (47), além do abuso sexual (47) e exploração sexual (22). No total foram 575 ocorrências contra crianças e 396 contra adolescentes em 2017.




 

Relacionadas