domingo, 16 de junho de 2019
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Confira quais são os livros que inspiraram filmes indicados ao Oscar

André Luiz Maia / 19 de fevereiro de 2019
A indústria cinematográfica desde sua gênese se aproveita da criatividade de outras mídias para apresentar histórias no formato audiovisual. Tanto é que uma das principais categorias do Oscar é a de melhor roteiro adaptado. Romances, quadrinhos, biografias e até mesmo contos são utilizados como base para criar um filme.

Este ano, temos um bom número de produções que tomaram com base livros e HQs para o desenvolvimento de seus roteiros. Duas delas, inclusive, concorrem ao prêmio de Melhor Filme: Infiltrado na Klan, dirigido por Spike Lee, e Pantera Negra, de Ryan Coogler, o primeiro filme de super-herói adaptado de quadrinhos a concorrer na categoria.

Uma curiosidade é que a primeira vez que um quadrinho inspirou um filme que concorreu à categoria de roteiro no Oscar foi em 1931, com Skippy, de Joseph L. Mankiewicz e Sam Mintz, adaptada da tira em quadrinhos de Percy Crosby.

Outros, como Se A Rua Beale Falasse, concorrem a melhor roteiro adaptado, mas não entraram na relação final para melhor filme. Nesta matéria, selecionamos algumas obras que concorrem a outras categorias, mais secundárias, mas que também se enquadram na adaptação de obras literárias ou de HQ.

Na história do Oscar, já tivemos ótimos filmes que tiveram como ponto de partida algum livro. Por exemplo, O Sol É Para Todos, de Harper Lee, ganhou uma adaptação celebrada nos anos 1960, sob a tutela de Robert Mulligan. Uma das favoritas ao prêmio de melhor atriz este ano, Glenn Close, foi uma das protagonistas da adaptação bem-sucedida de Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos.

No fim, o segredo para uma boa adaptação talvez resida em encontrar o delicado equilíbrio entre o respeito à essência da obra original e o entendimento sobre as particularidades de linguagem e códigos do cinema.

‘Se a Rua Beale Falasse’



De James Baldwin. Editora: Companhia das Letras.

Barry Jenkins, de Moonlight — Sob a Luz do Luar, trouxe mais uma história centrada na vida de negros norte-americanos. O romance é de autoria de James Baldwin e foi publicado originalmente em 1974, nos Estados Unidos.

O enredo conta a história da jovem Tish, que descobre estar grávida de Fonny. O que era para se desenhar como uma história de amor é bruscamente interrompida por uma acusação de estupro feita por uma porto-riquenha.

Mesmo sem provas, Fonny é preso, para desespero de Tish, que confia inteiramente na inocência do pai de seu filho. Ela mobiliza sua família e advogados na tentativa de libertá-lo da prisão.

A década de 1970 era uma época ainda bastante turbulenta para a população norte-americana. A adaptação de Jenkings foi elogiada por trazer a essência do romance de maneira poética. James Baldwin é reconhecido por sua militância em prol dos direitos civis aos afro-americanos e por utilizar sua literatura como instrumento de combate e disputa de sentido. Sua fama foi reaquecida após o premiado documentário Eu Não Sou Seu Negro, de Raoul Peck, indicado ao Oscar de melhor documentário em 2017, baseado em um livro inacabado do autor negro em que ele analisa líderes políticos do movimento assassinados entre os anos 1960 e 1970, como Malcom X e Martin Luther King. Sua obra está sendo relançada no Brasil.

No Oscar 2019, Se a Rua Beale Falasse concorre a três prêmios: melhor atriz coadjuvante, pela atuação de Regina King como mãe de Tish, uma das favoritas na categoria; melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora original.

‘Infiltrado na Klan’



De Ron Stallworth. Editora: Seoman.

Outro livro que retrata a história de negros na década de 1970. No entanto, Infiltrado na Klan ­— Desmascarando o Ódio conta a história real do policial Ron Stallworth, que encontrou uma maneira inusitada de se infiltrar no movimento racista Ku Klux Klan. Após uma série de ligações, ele ganha a confiança dos supremacistas brancos. O problema surge quando ele precisa comparecer às reuniões, já que sua cor de pele e seu cabelo afro derrubariam seu disfarce instantaneamente. Para resolver isso, conta com a ajuda de outro policial, branco e judeu. O relato de Ron é adaptado por Spike Lee para os cinemas extrapolando os fatos, fazendo conexões com passado e presente da sociedade norte-americana, refletindo sobre a presença dos afro-americanos nela.

'O Primeiro Homem — A Vida de Neil Armstrong'



De James R. Hansen. Editora: Intrínseca.

Os passos dessa figura histórica são apresentados aos leitores nessa biografia de James R. Hansen. Alçado ao estrelato ao se tornar o primeiro homem a pisar na Lua, a história do discreto e introvertido astronauta é trazida para o papel depois de 120 entrevistas com pessoas que conviveram com ele, além de mais de 50 horas de gravações com o próprio Neil Armstrong. O resultado é uma biografia rica em detalhes e fotos, contando com documentos privados da família do astronauta, que apresenta a infância de Neil, os bastidores da missão especial Apolo 11, os percalços da fama e a trajetória do astronauta depois da Nasa. No Oscar, o filme de Damien Chazelle concorre apenas a categorias técnicas.

‘Pantera Negra — Uma Nação Sob Nossos Pés’



De Ta-Nahesi Coates (roteiro), Brian Stelfreeze (desenhos). Editora: Panini.

Os três álbuns da saga em HQ lançados em 2008 foram um reinício para o personagem de Stan Lee e Jack Kirby, embora o filme não tenha se baseado nela. Ta-Nahesi Coates é um escritor americano negro, premiado pelo livro Entre o Mundo e Eu.

‘Jogador nº1’



De Ernest Cline. Editora: Leya.

A saga cibernética foi publicada originalmente em 2015 e traz uma aventura em universo virtual dos jogos eletrônicos. Steven Spielberg adapta a história de maneira razoavelmente fiel para o cinema, embora tenha tomado uma série de liberdades no roteiro. No Oscar, concorre a uma categoria, de melhor efeitos visuais.

‘Desafio Infinito’



De Jim Starlin (roteiro), George Perez e Rion Lim (desenhos). Editora: Panini.

Outro filme que concorre em categorias técnicas é Vingadores — Guerra Infinita, baseada neste arco de quadrinhos da Marvel que mostra a busca de Thanos pelas Joias do Infinito e seu plano ambicioso para reequilibrar o universo. A minissérie de 1990-1991 foi relançada recentemente em volume único.

‘Homem-Aranha — Aranhaverso’



Vários roteiristas e desenhistas. Editora: Panini. 26 edições.

A animação favorita a ganhar o Oscar pega a origem de Miles Morales, um Homem-Aranha latino de um universo alternativo, e o integra a outro arco, o Aranhaverso, que reúne dezenas de versões de várias dimensões. Saiu aqui em edições mensais.

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