segunda, 15 de julho de 2019
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Confira novidades sobre espetáculos nos palcos da PB

André Luiz Maia / 20 de janeiro de 2019
Foto: Alysson Souza/Divulgação
As artes, de maneira geral, ainda vivem um período de incertezas em relação à sua própria viabilidade financeira, mas já se encontram algumas iniciativas marcadas pela persistência, especialmente no que tange às artes cênicas.

Há casos de grupos que se modificaram e estão à procura de novas formas de continuar existindo, outros que abandonaram sede ou mudaram de local para permanecerem viáveis e há também espetáculos montados com recursos do próprio bolso. Também há peças e apresentações que não tiveram circulação, apenas datas únicas, tendo a chance agora em 2019 de chegar ao grande público.

É o caso do espetáculo Rei do Lixo, da Agitada Gang. Apresentado uma vez só em outubro do ano passado, agora terá uma temporada de estreia. “Nós cumprimos nosso compromisso com o Fundo Municipal de Cultura e agora podemos apresentar esse espetáculo de maneira mais livre”, pontua o ator Edilson Alves.

Edilson também faz parte de uma série de companhias de teatro. A Trupe de Humor da Paraíba, que organiza o Pastoril Profano, já lançou uma edição nova do espetáculo no início de janeiro (A Escolinha Profana, em cartaz), mas também se articula para fazer uma nova montagem ainda este semestre, com um texto novo de autoria de Saulo Queiroz: As Fuxiqueiras.

O grupo Soluar apresentará, sob direção de Edilson Alves, um espetáculo de teatro de rua, intitulado Faustino. Já pela Arretado Produções Artísticas, ele estuda criar um espetáculo musical, ainda sem título, voltado para o público infantil, homenageando Jackson do Pandeiro.

A ideia é aproveitar o aproveitar o gancho do centenário de nascimento do músico paraibano. “Ainda não temos previsão dessas produções, já que estamos esperando passar o Carnaval para sentar e esquematizar tudo”, explica Edilson Alves. Quem também está organizando algo em torno da figura de Jackson é o Festival Internacional de Música de Campina Grande. O Marco do Rei do Ritmo — Um Musical em Cordel conta com dramaturgia de Astier Basílio, direção de Saulo Queiroz e já tem data para estrear: 12 de junho, em pleno São João.

A peça, que ficará em cartaz durante todo o mês no Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande, é parte integrante do projeto Ano Jackson do Pandeiro, aprovado pela Lei Rouanet, englobando uma série de atividades que homenagearão o músico paraibano.

Ideias semeadas no ano passado também florescem em 2019. O ator e diretor Romildo Rodrigues, da Cara Dupla Coletivo de Teatro, havia feito uma performance em 2018 com dublagens de canções da cantora Edith Piaf.

Ao longo dos meses, ele foi gestando a ideia de um monólogo que expandisse a experiência. O resultado é O Pássaro Ferido, que busca levar para o palco a dramaticidade da biografia de uma das maiores cantoras do mundo, em um monólogo defendido por Romildo.

Mas a Cara Dupla continua fazendo também espetáculos baseados em personagens conhecidos do grande público.

A novidade para este ano, que deve estrear ainda no primeiro semestre, é Scooby-Doo — Game Over, que brinca com o universo dos videogames e da internet para levar a turma da Mistério S.A. por várias partes do mundo. “A gente vai aproveitar esse gancho e inserir várias informações e fatos históricos para apresentar às crianças, como a filosofia na Grécia Antiga”, complementa Romildo.

Ser Tão e Alfenim. Projetos iniciados no apagar das luzes de 2018 também encontram campo para se desenvolverem no Ser Tão Teatro. Em novembro, o grupo estreou o espetáculo Reses (ou A Arte de Escapar com Ferimentos Leves), já apresentado mais uma vez no início de janeiro no Teatro Santa Roza. Deixando para trás sua antiga sede, no Centro Histórico, o grupo está em busca de um novo lugar para se estabelecer.

“A gente quer fazer algo para a rua e também um espetáculo infantil. Não temos nada concreto ainda, nem mesmo textos, mas em breve a gente deve dar o start”, comenta Thardelly Lima, ator e diretor de Reses. Este ano, o grupo também deve circular com o espetáculo Alegria de Náufragos por quatro estados da Região Norte, fruto da aprovação no Programa Petrobras de Cultura, no fim de 2017.

O Coletivo Alfenim já deu início ao processo que culminará na montagem de seu novo espetáculo, aprovado pelo edital Rumos, do Itaú Cultural. Intitulado Desertores, o espetáculo ainda não tem data definida para estrear, mas já se sabe que tomará como ponto de partida um texto de um dos maiores nomes das artes cênicas, o dramaturgo Bertolt Brecht (1898-1956): Completo Fatzer. Como é de costume, o grupo realiza uma série de processos de pesquisa e seminários envolvendo os temas que abordarão na peça em desenvolvimento.

Circo e dança em reflexão



O circo e a dança também apresentam novidades. A Trupe Arlequin completou dez anos de atividades em 2018 e prepara para este ano um espetáculo que celebre esta data. A direção é de Diocélio Barbosa e deve estrear neste semestre.

“A Arlequin permanece há dez anos ininterruptos refletindo sobre o circo. A ideia do novo espetáculo é pensar na poética da dramaturgia em cena do circo, de como pode nascer essa cena a partir das vivências e das memórias dos intérpretes”, explica Diocélio. Em cena, estarão os artistas Caio Fernandes e Guilherme Manfrim, trabalhando técnicas aéreas como tecido e corda, além de performances coreográficas em solo.

Por falar em dança, a Paralelo Cia. de Dança também começa 2019 com novidades, a começar pela própria natureza do grupo, se tornando o Coletivo Paralelo. O grupo, que completa 15 anos agora, muda sua definição para permitir maior liberdade às suas integrantes.

Uma delas, Joyce Barbosa, já tem três projetos engatilhados, dialogando com outros artistas. “Um deles é um projeto de videocartas, no qual estabeleço diálogo com cinco artistas aqui de João Pessoa, em que cada um responde dentro de sua expressão artística. Com o resultado disso, quero fazer algum produto para o palco até o fim desse ano”, explica Joyce.

Campina Grande é um local que também está sempre apresentando novidades na área, mas, até então, ainda não há notícias de uma nova montagem. A novidade é a série de apresentações que o Balé Cidade de Campina Grande deve fazer em João Pessoa com sua montagem de Romeu e Julieta.

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