segunda, 18 de janeiro de 2021

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Confira lista com os grandes destaques fonográficos da música paraibana este ano

Jãmarrí Nogueira / Especial para o CORREIO / 30 de dezembro de 2017
Foto: Divulgação
O ano de 2017 foi generoso com a música paraibana. Um ano de conquistas e de abertura de espaços. Excelentes discos circularam – fisicamente e digitalmente – fortalecendo a cena autoral. Nomes consagrados produziram discos antológicos e a nova geração deixou sua marca e a certeza de que temos uma safra de grande potencial.

Melhor trabalho do ano, com todo respeito aos demais, é o disco duplo de Pedro Osmar. Quem Vem Lá? (1) é antológico. Um disco histórico, para se ter na cabeceira da cama. Pedro fez um apanhado de seus sucessos (desde a década de 1970) e apresentou canções novas. Experimentou. Rearranjou. Reinventou-se.

Trinta e duas canções no CD, inclusive "Nó cego", "Vem no vento" e "Baile de máscaras". Produzido por Guegué Medeiros, Marcos Alma e Cacá Takamine, o disco reúne nomes como o baixista Sérgio Groove e o violonista Swami Jr. Também tem Chico César, Escurinho, Paulo Ró e Carroça de Mamulengo.

Sem rótulos. Não fosse ele, a banda Seu Pereira & Coletivo 401 teria feito o CD do ano. Eu Não Sou Boa Influência pra Você (2) é primoroso. O vocalista Jonathas Falcão se consolida como maior compositor de sua geração. A banda é pulsante em sua mistura de ritmos, destacando o rock, o brega (influência clara de Roberto e Erasmo), samba e a busca do "não-rótulo".

Destaque para a faixa-título e para "Otário", "Bicho solto", "Gotham City love" e "Até ontem". Também tem uma excelente participação especial da cantora Débora Malacar na faixa "Meio-fio".

Sanfonas. Eta Forró (3) é um lindo disco, capaz de acionar o botão saudosista dos que amam o forró. Os Fulano misturam canções de Lucas Dan com músicas de Pinto do Acordeon, Titá Moura e Totonho. O álbum também tem participações especiais de Jessier Quirino, Pinto e Totonho. Influência clara de Os Três do Nordeste e Antônio Barros & Cecéu no CD produzido por Jader Finamore e Renato Oliveira.

Samba Teimoso (4), de Polyana Resende, mostra a força da cena sambista paraibana. Tendo Potyzinho Lucena como braço direito, Polyana ainda tem o auxílio de Jonathas Falcão. Destaque para as canções "Saravá" e "Vaitimbora", composição de Jonathas na voz poderosa e na performance sedutora de Polyana.

Lançamentos de infantil a hip hop

Roda Gigante (5) é um disco que não pensa o público infantil como desprovido de cognição. O universo lúdico das brincadeiras, das histórias de ninar e da vida cotidiana das crianças são a matéria-prima da banda Meu Quintal (Nara Limeira e Naldinho Braga). Destaque para as canções "Baião do já", "Quem?", "Bichos de estimação" e "A cigarra". Há participações especiais de Gustavo Limeira, Val Donato e Luiz Carlos Vasconcelos.

O EP da banda Flor de Pedra (6) mostra um time promissor. A voz forte e suave de Pedro Índio Negro (filho de Pedro Osmar e Gláucia Lima) fica a serviço do soul, do jazz, do regionalismo e do pop. Usando bastante os temas da natureza, o disco tem as faixas "Aroeira", "Pavão real" e participações de João Yor, Débora Malacar, Gabriel Dias, Ivo Limeira, Rhuan Pacheco e Lucas Benjamim.

Mirandinha é o sambista paulista mais paraibano de nossa cena autoral. Morando na Paraíba há três décadas, ele acaba de lançar o CD Salve o Negro, Salve o Samba (7). Uma pintura: só a faixa-título já paga o disco. Mirandinha abriu o show de Zeca Pagodinho, este ano, em JP. O disco é uma celebração do samba de raiz.

A voz de Chico Limeira não é um primor de beleza, mas inegáveis são seu talento como músico e compositor. O CD Chico Limeira (8) tem arranjos do próprio Chico (e dois arranjos de Potyzinho Lucena). Ele bebe no samba de raiz e compõe como poeta-cronista. Destaque para ‘Boy’, ‘Pergunta difícil’ e ‘Chave de cadeia’.

Três "terroristas": Camila Rocha, Preta Langy e Kalyne Lima. Esse trio botou para quebrar nas letras cheias de empoderamento feminino e da periferia que estão no EP Campo Minado (9). Elas integram o Sinta a Liga Crew, grupo de rap formado por mulheres (a exceção é o DJ Guirraiz). Tem as faixas "Minha banca", "De passo em passo", além da faixa-título e do grude fantástico "Quem diss".

Após os interessantes "The histrionic", e "Leave it to me", o grupo Rieg conseguiu um resultado ainda mais dançante, com músicas que paqueram com as artes visuais. O EP Witchwitchwitch (10) é bastante conceitual, amalgamando o retrô e o futurista. Rieg é oitentista até a medula, na voz de Rieg Rodig (americano, canta em inglês no disco), no baixo de Daniel Jesi e na bateria de Nildo Gonzales (ex-Seu Pereira & Coletivo 401).

 

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