terça, 22 de agosto de 2017
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Confira coluna ‘Língua e Linguagem’ do Professor Trindade desta semana

João Trindade / 13 de agosto de 2017
Foto: Reprodução
“Hoje quem paga sou eu”

Há uma música, gravada por Nélson Gonçalves, que termina com tal afirmação.

Toda vez que a escuto, lembro-me, intrigado, do número de pessoas que me consultam sobre o uso do “que” e do “quem”, na concordância verbal em que ambos são sujeitos.

Se as pessoas se preocupassem menos com regras e mais com ler bons textos e ouvir música, entenderiam e aprenderiam, facilmente, Português.

É muito simples, como ensina a música:

Se o sujeito for quem, o verbo fica na terceirapessoadosingular.

Passando para a ordem direta:

Sou eu quem paga, hoje.

Outro exemplo:

“Eu sou o samba

Sou natural aqui do Rio de janeiro

Sou eu quem leva a alegria

Para milhões de corações brasileiros (...)”.

Por isso não me conformo com comentários do tipo (e são muitos!):

- Mas é estranho, não? Nunca ouvi ninguém falar assim.

Será possível que as pessoas nunca tenham ouvido tais músicas?

Fica a interrogação.

CONCORDÂNCIACOMO SUJEITOQUE

Com o sujeitoque, a coisa é diferente:

Concorda-se com o termo antecedende do que.

Exemplo:

Hoje, sou eu que pago a conta. (= eu pago).

Nunca é demais lembrar:

Se o pronome que é sujeito, o verbo concorda com o termoantecedentedo quê:

Sou eu que pago a conta.

Somos nós que pagamos a conta.

Se o pronome quem é sujeito, o verbo fica na terceira pessoa do singular, concordando com o quem:

Sou eu quem paga a conta.

Somos nós quem paga a conta.

ACENTOS DIFERENCIAIS

Temos percebido que as pessoasnão assimilaram, ainda, os acentos diferenciais, que vêm da Reforma de 1971 e foram ampliados, recentemente. Os erros mais frequentes são em relação ao verbo TER, nas terceiras pessoas (singular e plural); o verbo VIR, idem e as formas PÔR e PARA.

Eis as dicas, retiradas do nosso livro “A Língua no Bolso”, que já tem, na praça, nova edição (3ª), com data de 2016, mas lançada em 2017 (Editora Leya/Alumnus):

Mantiveram-se os diferenciais pôde (passado) para diferenciar de pode (presente); pôr (verbo) para diferenciar de por (preposição).

Exemplos:

Ele não pôde vir à aula ontem, mas pode vir hoje.

Por alguns instantes, ele quis pôr obstáculos à proposta.

É opcional o acento de fôrma para diferenciar de forma.

Exemplo:

A fôrma do bolo tinha a forma de coração.

CUIDADO!

As formas têm e vêm da terceira pessoa do plural dos verbos ter e vir não perderam o acento. Não são acentos diferenciais. De modo que continuaremos escrevendo:

Ele tem mania de perseguição.

Eles têm mania de perseguição.

Ele nem sempre vem às reuniões.

Eles nem sempre vêm às reuniões.

IMPORTANTE:

As abreviaturas mantêm o acento da palavra abreviada.

Ex.: página (pág.); século (séc.).

DICASDASEMANA

Dá e dar

é a terceirapessoa do singular do presente do indicativo. Dar é o infinitivo do verbo. Para não confundir os dois, não há fórmula infalível, a não ser o contato permanente com textos. Mas, de um modo geral (em 90% dos casos), vem isolado e dar, por ser infinitivo, vem acompanhado de outro verbo.

Exemplo:

Ele muito trabalho, mas é preciso dar uma chance.

Atenção!

O mesmo critério deve ser usado para “está” e “estar”:

Ele está hoje na repartição? Não, mas deve estar amanhã.

Necessário

Havendo artigo, o adjetivo necessário concordará com o artigo; não havendo, ficará invariável.

Exemplos:

É necessário cautela

A cautela é necessária.

É necessário medidas enérgicas

São necessárias as medidas enérgicas.

Gratuito/fluido/rubrica

Não existe “gratuíto”, mas sim gratuito (ui); assim como o certo é fortuito, fluido (e não, fluído) de freio.

Observe:

Num caso fortuito, o juiz optou pela justiça gratuita.

Não se deve confundir fluido (substantivo) com a forma verbal fluído.

O fluido de freio estava vencido, porque o tempo havia fluído bastante.

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