quarta, 12 de maio de 2021

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Confira a coluna Língua e Linguagem, do professor Trindade

João Trindade / 24 de junho de 2018
Foto: Reprodução
Quadrilhas “juninas”?

Adjetivar sem necessidade já é um defeito, imperdoável, de estilo. E inventar adjetivos ou usá-los de forma errônea e absurda? É isso que vem acontecendo, lamentavelmente, na imprensa brasileira; mormente, na paraibana. Inventaram “morte materna”, “quadrilhas juninas” e pasmem! Até “santos juninos”. Santos juninos?... É demais!

Gente, pelo amor de Deus! O adjetivo “junino” significa “de junho”. Falar em festejos juninos, tudo bem, porque “Santo Antônio”, “São João” e “São Pedro” são festejos que só acontecem em junho. Mas os santos continuarão existindo depois de junho; como, aliás, já existiam antes. Quanto às quadrilhas, não nos esqueçamos de que elas também existem antes e depois de junho. O absurdo chega a tal ponto que uma vez um jornalista muito experiente e famoso me admoestou e veio com a seguinte e absurda explicação:

-Tem que chamar quadrilha junina mesmo, para o pessoal não confundir com quadrilha de ladrões.

-É. Faz sentido!... Numa cobertura sobre o São João, se o jornalista não nos advertir é provável que pensemos que ali estejam diversos ladrões se divertindo e divertindo o povo, vestidos em trajes típicos da época; tudo isso, é claro, com a conivência da sociedade e das autoridades.

Este ano inventaram mais uma: “comidas juninas”. Certo dia, vi, numa das nossas TVs, uma receita de uma “comida junina”: “Bacalhau crocante”. É, certamente só comemos bacalhau no mês de junho; nos demais meses, não! Pois na minha casa se come bacalhau – crocante ou não – em qualquer mês, principalmente na sexta-feira santa, regado a vinho branco “demisec”.

Aliás, entre as estranhezas observadas na cobertura dos festejos juninos deste ano, deparei-me com uma reportagem em que se entrevistou um sujeito, dono de uma barraca, mostrando as comidas típicas da região. Após a apresentadora haver “chamado” a matéria falando em pamonha e canjica (o redator e a apresentadora – coitados – achavam que iam realmente aparecer tais pratos), o sujeito lá apresentou como comidas “típicas”: bacalhau, pizza (enfatizou a pizza) e sushi. Que coisa!

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