sábado, 16 de janeiro de 2021

Geral
Compartilhar:

Confira a coluna Língua e Linguagem, do Professor Trindade desta semana

João Trindade / 19 de novembro de 2017
Foto: Reprodução
FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO/SUJEITO e PREDICADO

FRASE é qualquer enunciado que tenha sentido: Fogo!

ORAÇÃO é qualquer enunciado que contenha verbo: O fogo tomou conta da plantação.

PERÍODO é qualquer enunciado de sentido completo e que se encerra com um sinal de pontuação definido.

Portanto, temos frases verbais (contêm verbo) e nominais (não contêm verbo). Já a oração contém, obrigatoriamente, verbo.

O período pode ser simples ou composto. Dizemos que é simples quando apresenta apenas um verbo ou locução verbal*; composto, quando tem mais de um verbo:

O fogo tomou conta da plantação (período simples).

O fogo se alastrou, mas logo foi debelado pelos moradores (período composto).

*Locução verbal: Dois ou mais verbos que fazem as vezes de um só. Falaremos dela, ao longo do curso.

ESTUDO DO PERÍODO SIMPLES

1.INTRODUÇÃO

A oração (frase que contém verbo) apresenta, principalmente, dois elementos: SUJEITO E PREDICADO. Pode apresentar, também, termos que complementam o verbo: objetos direto e indireto; e outros ligados a ele, mas que não complementam, como, por exemplo, agente da passiva e adjuntos adverbiais. Há, também, termos que se ligam ao nome: complemento nominal, adjunto adnominal e aposto. O vocativo é considerado independente. Os predicativos (do sujeito e do objeto) não são enquadrados na NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira).



  1. SUJEITO E PREDICADO




Sujeito: termo do qual se diz alguma coisa. “É quem se responsabiliza pelo verbo”:

Os engenheiros resolveram parar a obra.

Os engenheiros = sujeito.

Predicado: Tudo o que se diz do sujeito, quando a oração tem sujeito (nem toda oração tem sujeito).

Na frase citada, “Resolveram parar a obra” é o predicado.

2.1. Tipos de sujeito:

2.1.1. Simples:  Apresenta um só núcleo*: A INIMIZADE deles era grande. (INIMIZADE = núcleo).

2.1.2. Composto: apresenta mais de um núcleo: A RICHA e a INIMIZADE deles eram grandes. (RICHA e INIMIZADE = núcleos).

* O núcleo do sujeito é um substantivo;um pronome substantivo; ou qualquer palavra substantivada (= faz vezes de um substantivo).

SUBSTANTIVO: Palavra que designa os seres, de um modo geral: homem, Deus, fada, José (confira a aula sobre substantivo, ao longo do curso).

Pronome substantivo: É o pronome que substitui o substantivo.

Ex.: O homem foi à festa. Ele (o homem) não ficou satisfeito. (ele = pronome substantivo, porque substituiu homem).

Exemplo de expressão substantivada:

O olhar dela é triste (“olhar” é verbo; mas, na frase, está funcionando como substantivo; portanto, é o núcleo do sujeito).

2.1.3. Elíptico (oculto; implícito na desinência): Está implícito (escondido), mas é facilmente identificado:



  1. a) Pela desinência verbal:




“Já nem sei dizer se sou feliz ou não (...)”.  (Sujeito = eu).



  1. b) Pelo contexto:




Roberto Carlos nasceu em Cachoeiro do Itapemirim. Era de origem humilde. (Ele = sujeito oculto).

2.1.4. Indeterminado: Não se quer ou não se pode determinar.

Casos:

1º caso: Verbo na terceira pessoa do plural, sem referência a antecedente:

Falaram mal de você, na festa.

2º caso: Verbo transitivo indireto (vti), ou intransitivo (vi), na terceira pessoa do singular + SE:

Gosta-se de praia.

Gostar = verbo transitivo indireto.

Vive-se bem em João Pessoa.

Viver = verbo intransitivo.

3º caso: Verbo de ligação (vl) na terceira pessoa do singular + SE:

Era-se feliz em João Pessoa, antigamente.

Era = verbo de ligação.

ATENÇÃO!

Quando tivermos verbo transitivo direto (vtd), na terceira pessoa do singular ou plural + SE, o sujeito será SIMPLES, de voz passiva:

Reformulou-se o plano. (plano = sujeito).

Reformularam-se os planos. (planos = sujeito).

Observe o leitor que a estrutura passiva fica clara:

Reformulou-se o plano.

O plano foi reformulado.

Reformularam-se os planos.

Os planos foram reformulados.

Perceba-se que o mesmo raciocínio não pode ser feito com a frase: “Gosta-se de praia”. Pode-se dizer: “É gostado de praia”?

2.1.4. Oração sem Sujeito (alguns gramáticos preferem chamar sujeito inexistente; o que é uma incoerência: como uma coisa que não existe pode ser classificada?). Ocorre com os seguintes VERBOS IMPESSOAIS:

1º caso: Verbo HAVER, no sentido de tempo ou existência:

HÁ DUAS SEMANAS, não a vejo. (A oração em letras garrafais não tem sujeito, porque o verbo haver está em sentido de tempo).

Havia várias pessoas na reunião. (Sentido de existência).

2º caso: Verbo fazer, no sentido de tempo ou fenômeno da natureza:

Faz dez anos da morte dela (tempo).

Faz muito calor naquela cidade (fenômeno da natureza).

3º caso: Verbos que indicam fenômeno da natureza, desde que não estejam em sentido figurado:

Chove lá fora.

Note que na oração:

“Choveram muitas reclamações na reunião”, a oração tem sujeito (= muitas reclamações), porque o verbo chover está em sentido figurado.

4º caso: Verbo ser, no sentido de tempo ou distância:

ERAM DUAS HORAS quando ela saiu. (A oração em garrafais não tem sujeito, porque o verbo ser está em sentido de tempo).

Daqui a patos são 303 quilômetros (distância).

5º caso:  Verbos BASTAR e CHEGAR + DE:

Basta de exploração!

“Chega de saudade (...)”.

6º caso:  Verbo IR, no sentido de tempo:

Ia em dez anos da nossa formatura.

2.1.5. SUJEITO ORACIONAL

Apresenta-se em forma de oração: É necessário QUE VOLTES. (Que voltes = sujeito oracional).

Observação: Estudaremos esse sujeito quando falarmos sobre orações subordinadas substantivas subjetivas.

Relacionadas