sexta, 27 de novembro de 2020

Concurso
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Simulado de português e inglês para concurso

Redação / 14 de fevereiro de 2016
Foto: Divulgação
PORTUGUÊS

Texto  – No começo era o pé Sim, no começo era o pé.

Se está provado, por descobertas arqueológicas, que há sete mil anos estes brasis já eram habitados, pensai nestas legiões e legiões de pés que palmilharam nosso território. E pensai nestes passos, primeiro sem destinos, machados de pedra abrindo as iniciais picadas na floresta. E nos pés dos que subiam às rochas distantes, já feitos pedra também, e nos que se enfeitaram de penas e receberam as primeiras botas dos conquistadores e as primeiras sandálias dos pregadores; pés barrentos, nus, ou enrolados de panos dos caminheiros, pés sobre-humanos dos bandeirantes que alargaram um império, quase sempre arrastando passos e mais passos em chãos desconhecidos, dos marinheiros dos barcos primitivos e dos que subiram aos mastros das grandes naus. Depois o Brasil se fez sedentário numa parte de seu povo. Houve os pés descalços que carregaram os pés calçados, pelas estradas. A moleza das sinhazinhas de pequeninos pés redondos, quase dispensáveis pela falta de exercício. E depois das cadeirinhas, das carruagens, das redes carregadas por escravos, as primeiras grandes estradas já com postos de montaria organizados, o pedágio de vinténs estabelecido já no século XVIII. Mas além da abertura dos portos, depois da primeira etapa da industrialização, com os navios a vapor, as estradas de ferro, o pé de sete milênios da terra do Brasil ainda faz seu caminho. (Dinah Silveira de Queiroz)

1. O texto começa com “Sim, no começo era o pé”. Com esse começo, a autora:

(A) anuncia uma provável opção pela estrutura narrativa do texto;

(B) localiza, nos tempos coloniais, os fatos a serem apresentados;

(C) opta por uma estrutura argumentativa, opondo-se a uma ideia dominante;

(D) confirma uma informação já presente na Bíblia;

(E) opina sobre algo que não se pode comprovar.

2. “Se está provado, por descobertas arqueológicas, que há sete mil anos estes brasis já eram habitados, / pensai nestas legiões e legiões de pés que palmilharam nosso território”. A afirmação inadequada sobre esse período do texto é:

(A) trata-se de um convite ao leitor a fim de que interaja com o texto;

(B) o segmento “se está provado” indica uma causa;

(C) a segunda parte do período é uma conclusão a partir da condição inicial;

(D) a primeira parte do período mostra uma certeza sobre a qual se apoia a segunda parte;

(E) o termo “por descobertas arqueológicas” indica uma circunstância de tempo.

3. A preposição DE mostra diferentes valores semânticos em língua portuguesa; indique a opção em que esse valor é indicado incorretamente:

(A) “machados DE pedra”/matéria;

(B) “se enfeitaram DE penas”/meio ou instrumento;

(C) “enrolados DE panos”/modo;

(D) “pedágio DE vinténs estabelecido”/preço;

(E) “sinhazinhas DE pequeninos pés redondos”/característica.

4. Pelo contexto (texto), a expressão inicial “no começo” se refere a:

(A) época ainda não datada pela História;

(B) tempos pouco anteriores à descoberta do Brasil;

(C) momentos de nosso passado colonial;

(D) tempos pré-modernos, antes do advento da República;

(E) época de fantasia, em que tudo se podia imaginar.

5. Um dos processos conhecidos de formação de palavras em Português é a chamada “derivação imprópria”, marcada pela criação de uma nova palavra pela modificação de sua classe original. Tal processo aparece em:

(A) “Sim, no começo era o pé”.

(B) “Se está provado, por descobertas arqueológicas, que há sete mil anos estes brasis já eram habitados...”.

(C) “... pensai nestas legiões e legiões de pés que palmilharam nosso território”.

(D) “E pensai nestes passos, primeiro sem destinos, machados de pedra abrindo as iniciais picadas na floresta”.

(E) “E nos pés dos que subiam às rochas distantes”.

6. O segmento do texto em que se insere uma ideia de intensidade é:

(A) “pensai nestas legiões e legiões de pés”;

(B) “as primeiras grandes estradas”;

(C) “passos e mais passos em chãos desconhecidos”;

(D) “pés sobre-humanos dos bandeirantes”;

(E) “mastros das grandes naus”.

7. “...o pedágio de vinténs estabelecido já no século XVIII”; o termo “já” é o que se denomina modalizador, ou seja, através dele o autor do texto manifesta uma opinião sobre o assunto abordado. Nesse caso, falando do pedágio, a autora do texto nos diz que o considera:

(A) uma medida tomada fora de época, pois não havia estradas dignas desse nome;

(B) um instrumento injusto de cobrança;

(C) um processo demonstrativo de progresso e organização;

(D) uma cobrança enriquecedora da elite dominante;

(E) uma ironia, diante do atraso do país nos transportes.

8. “E nos pés dos que subiam às rochas distantes, já feitos pedra também...”; a expressão sublinhada se justifica porque:

(A) todas as pessoas referidas já morreram há muito tempo;

(B) todos esses pés se tornaram monumentos em nossa história;

(C) os pés se endureceram pelo sacrifício das caminhadas;

(D) as pessoas se tornaram insensíveis diante do sacrifício alheio;

(E) o trabalho excessivo tornou brutais e animalescos os pés dos caminhantes.

9. “...o pé de sete milênios de Terra do Brasil ainda faz seu caminho”; considerando-se globalmente o texto, o significado dessa frase final do texto 2 mostra que:

(A) o país ainda está atrasado nos transportes;

(B) o Brasil ainda tem na miséria grande parte de seu povo;

(C) muitas regiões do Brasil ainda carecem de rodovias;

(D) nosso país permanece na caminhada em busca de progresso nos transportes;

(E) a Terra do Brasil conserva aspectos de nosso passado colonial.

10. Os adjetivos mostram diferentes valores em nossa língua; o valor indicado inadequadamente é:

(A) rochas distantes/localização;

(B) pés sobre-humanos/qualidade;

(C) grandes naus/característica;

(D) pés redondos/forma;

(E) pés barrentos/matéria.

INGLÊS

QUESTIONS 1 TO 5: TEXT III

Use of language in diplomacy What language should one use when speaking to diplomats, or what language should diplomats use? Or, to be more precise, what language/languages should a (young) diplomat try to learn to be more successful in his profession? The term "language in diplomacy" obviously can be interpreted in several ways. First, as tongue ("mother" tongue or an acquired one), the speech "used by one nation, tribe, or other similar large group of people"; in this sense we can say, for example, that French used to be the predominant diplomatic language in the first half of the 20th century. Second, as a special way of expressing the subtle needs of the diplomatic profession; in this way it can be said, for example, that the delegate of such-andsuch a country spoke of the given subject in totally nondiplomatic language. Also, the term can refer to the particular form, style, manner or tone of expression; such as the minister formulated his conditions in unusually strong language. It may mean as well the verbal or non-verbal expression of thoughts or feelings: sending the gunships is a language that everybody understands. All of these meanings - and probably several others - can be utilised in both oral and written practice. In any of these senses, the use of language in diplomacy is of major importance, since language is not a simple tool, vehicle for transmission of thoughts, or instrument of communication, but very often the very essence of the diplomatic vocation, and that has been so from the early beginnings of our profession. That is why from early times the first envoys of the Egyptian pharaohs, Roman legates, mediaeval Dubrovnik consuls, etc., had to be educated and trained people, well-spoken and polyglots. Let us first look into different aspects of diplomatic language in its basic meaning - that of a tongue. Obviously, the first problem to solve is finding a common tongue. Diplomats only exceptionally find themselves in the situation to be able to communicate in one language, common to all participants. This may be done between, for example, Germans and Austrians, or Portuguese and Brazilians, or representatives of different Arab countries, or British and Americans, etc. Not only are such occasions rare, but very often there is a serious difference between the same language used in one country and another. There are several ways to overcome the problem of communication between people who speak different mother tongues. None of these ways is ideal. One solution, obviously, is that one of the interlocutors speaks the language of the other. Problems may arise: the knowledge of the language may not be adequate, one side is making a concession and the other has an immediate and significant advantage, there are possible political implications, it may be difficult to apply in multilateral diplomacy, etc. A second possibility is that both sides use a third, neutral, language. A potential problem may be that neither side possesses full linguistic knowledge and control, leading to possible bad misunderstandings. Nevertheless, this method is frequently applied in international practice because of its political advantages. A third formula, using interpreters, is also very widely used, particularly in multilateral diplomacy or for negotiations at a very high political level - not only for reasons of equity, but because politicians and statesmen often do not speak foreign languages. This method also has disadvantages: it is time consuming, costly, and sometimes inadequate or straightforwardly incorrect. […] Finally, there is the possibility of using one international synthetic, artificial language, such as Esperanto; this solution would have many advantages, but unfortunately is not likely to be implemented soon, mostly because of the opposition of factors that dominate in the international political - and therefore also cultural and linguistic - scene. So, which language is the diplomatic one? The answer is not simple at all […]. Words are bricks from which sentences are made. Each sentence should be a wound-up thought. If one wants to be clear, and particularly when using a language which he does not master perfectly, it is better to use short, simple sentences. On the contrary, if one wishes to camouflage his thoughts or even not say anything specific, it can be well achieved by using a more complicated style, complex sentences, digressions, interrupting one's own flow of thought and introducing new topics. One may leave the impression of being a little confused, but the basic purpose of withholding the real answer can be accomplished. (adapted from http://www.diplomacy.edu/books/language_and_ diplomacy/texts/pdf/nick.PDF)

1. In the second paragraph of Text III the author refers to different meanings the term “language” can carry. When he argues that “sending the gunships is a language that everybody understands”, he means that:

(A) threatening language should not be used in diplomatic exchanges;

(B) people understand the sentence because it is written in plain English;

(C) the language of diplomacy is rather complex so it is better to act first;

(D) one does not need to understand the language because this action speaks for itself;

(E) one must learn how to speak many languages to avoid misunderstandings and war.

2. Mark the statements below as TRUE (T) or FALSE (F) according to points raised in Text III.

( ) Diplomats are often in situations where a common language is spoken.

( ) Using an interpreter as mediator is a flawless alternative for diplomatic meetings.

( ) Despite the efforts to do away with problems in communication, the ideal solution has not been found yet.

The correct sequence is:

(A) F – T – T;

(B) T – F – F;

(C) T – T – F;

(D) F – T – F;

(E) F – F – T.

3. The sentence that offers a suggestion is:

(A) “Each sentence should be a wound-up thought”;

(B) “One may leave the impression of being a little confused”;

(C) “A third formula, using interpreters, is also very widely used”;

(D) “The term ‘language in diplomacy’ obviously can be interpreted in several ways”;

(E) “it is time consuming, costly, and sometimes inadequate or straightforwardly incorrect”.

4. The word that forms the plural in the same way as “fora” in “The United States and Brazil are also advancing human rights issues in bilateral and multilateral fora” is:

(A) agenda;

(B) nucleus;

(C) formula;

(D) criterion;

(E) paralysis.

5. In the passage “Second, as a special way of expressing the subtle needs of the diplomatic profession; in this way it can be said, for example, that the delegate of such-and-such a country spoke…” the expression “in this way” can be replaced, without change in meaning by:

(A) hence;

(B) though;

(C) hereby;

(D) hereafter;

(E) thereabouts.

GABARITO DE PORTUGUÊS

1             A

2             E

3             C

4             A

5             B

6             D

7             C

8             C

9             D

10           E

GABARITO DE INGLÊS

1             D

2             E

3             A

4             D

5             A

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