sábado, 23 de janeiro de 2021

Concurso
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Curso prático para concurso; confira e estude no Correio Online

Redação / 27 de setembro de 2015
Foto: Arquivo

Curso Prático de Português, em 20 lições - João Trindade.



EMPREGO DO PONTO E VÍRGULA

São poucas as “regras” relativas ao uso do ponto e vírgula. Na verdade, aprende-se o uso desse sinal praticando a leitura; principalmente a leitura em voz alta.

O ponto e vírgula é uma pausa um pouco longa (maior do que a da vírgula e menor do que a do ponto) e que representa continuidade de pensamento. Ou seja: você dá uma pausa um tanto longa, mas continua o mesmo pensamento, como no exemplo.

Aqueles que não leem pagam caro, a certa altura da vida; infelizmente, só muito tarde é que vão perceber isso.

O emprego do ponto e vírgula é mais estilístico do que gramatical e seu uso depende, substancialmente, do contexto, não havendo regras infalíveis para todos os casos. Na verdade, a única maneira de aprender a empregar tal sinal é ler muito; sobretudo em voz alta.

Em verdade, usaremos o ponto e vírgula quando fizermos uma pausa longa, mas haja uma continuidade de pensamento. Se a pausa for rápida, usa-se a vírgula; se for longa e encerrar o pensamento, usa-se o ponto.

É possível, no entanto, destacar algumas orientações.

Usa-se o ponto e vírgula:

1. Para separar, num período, orações da mesma natureza, que tenham certa extensão:

“Os dois primeiros alvitres foram desprezados por impraticáveis; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito tão alto.

2. Para separar partes de um período já dividido por vírgulas:

“O incêndio é a mais impaciente das catástrofes; a explosão, a mais impulsiva e lacônica; o abalroamento, a mais colérica; a inundação, a mais feminina e majestosa.

3. Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, regulamentos, portarias, etc.). Tomemos como exemplo o título I (Dos Princípios Fundamentais) da Constituição da República Federativa do Brasil:

“Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e o Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I –  a soberania;

II – a cidadania;

III – a dignidade da pessoa humana;

IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V – o pluralismo político.

(...).”

EMPREGO DO “DOIS PONTOS”

Os dois pontos indicam, na escrita, uma suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída (Celso Cunha – adaptado). Empregam-se para anunciar:

1. Uma citação: Desabafa o homem: “Que sina a minha!”.

2. Uma enumeração explicativa: “De vez em quando, o olhar distraído se fixa num ponto da cidade baixa: as casas vazias, quase destruídas, a estação, o Porto do Capim...”

3. Um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do que foi dito:

Não és apenas uma mulher bonita: és, simplesmente, a mais bela do lugar.

“A morte não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima.” (Ruy Barbosa, citado por Celso Cunha).

Observação importante:

Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, etc., costumam-se colocar dois pontos, vírgula ou ponto, havendo alguns que preferem não usar pontuação alguma.

Sendo o vocativo emitido, essencialmente, com entoação suspensiva e levando-se em conta que após ele haverá uma enumeração (na carta, no ofício, no requerimento), nossa posição é que se devem usar dois pontos, como no exemplo:

“Prezado Sr:

Respondendo à consulta que nos foi feita em carta, datada do dia tal (...)”

EMPREGO DO PONTO FINAL

Usa-se o ponto final para denotar uma pausa longa de encerramento de períodos que não sejam exclamativos ou interrogativos diretos:

a) Nunca mais pude esquecer aquela moça.

b) Nunca mais pude esquecer aquela moça, porque ela me feriu profundamente com o seu desprezo.

EMPREGO DO PONTO DE INTERROGAÇÃO

Usa-se o ponto de interrogação:

a) Nas orações interrogativas diretas: Afinal, por que estou triste?

b) Nos diálogos; sozinho ou acompanhado de outro sinal: - Conheceu gente pior do aquele homem?!

EMPREGO DAS RETICÊNCIAS

Usam-se para denotar hesitação, interrupção do pensamento:

“Sei não... sei não... a vida tem sempre razão.” (Vinícius de Moraes)

EMPREGO DO TRAVESSÃO:

Emprega-se o travessão:

1. Para iniciar discurso direto:

- Ele foi à festa?

- Não.

2. Para intercalar elementos. Nesse caso, substitui a vírgula:

Castro Alves – poeta baiano – é uma das glórias do nosso país.

3. Para enfatizar, na frase, um elemento:

Disso não dividem amigos: Ele – desonesto como é – não hesitará em nos enganar.

EMPREGO DAS ASPAS

Usam-se para

a) transcrever expressões (geralmente de outrem): Disse Vandré: “Chico Buarque e Antônio Carlos Jobim merecem nosso respeito.”

b) ressaltar expressões: É preciso destacar que certas “verdades” não devem ser ditas.

c) destacar nomes de publicações: No caderno “Cotidiano”, da “Folha de São Paulo”, encontram-se crônicas de Danuza Leão.

d) destacar gírias: na verdade, ele estava a fim de uma “grana”.

e) expressar pensamento irônico: Aquele “respeitável” governante já fora preso várias vezes.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Os pronomes oblíquos átonos são:

ME, NOS, TE, VOS, O, A, OS, AS, SE, LHE, LHES

Em relação ao verbo, os pronomes oblíquos átonos podem ocupar três posições:

Podem ficar antes do verbo (próclise):”Eu te darei o céu...”.

Depois do verbo: Amo-te perdidamente.

No meio do verbo: Amar-te-ei para sempre.

FATORES DE PRÓCLISE

1. Palavras negativas: “Não me diga adeus agora, meu bem...”

2. Advérbios, desde que não isolados por vírgula:

a) Agora se arrepende do que fez.

b) Agora, arrepende-se do que fez.

3. Pronomes, de um modo geral*:

a) Esses são os homens que nos assaltaram.

b) Ninguém prestou socorro a ele.

c) Aquilo me fez descrer nele.

OBSERVAÇÃO

Os pronomes pessoais do caso reto (eu,tu,eles,nós,vós,eles) não têm fator; por isso, podem ser usados indistintamente, embora seja preferível a próclise.

Formas corretas:

Eu te adoro.

Eu adoro-te.

4. Conjunções subordinativas:

“Quando me enamoro/ dou a minha vida/ a quem se enamora de mim...”

Observação:

Nas conjunções coordenativas, não há fator, embora seja preferível a próclise.

Formas corretas:

Ela me desprezou, mas a admiro.

Ela desprezou-me, mas admiro-a.

5. Orações exclamativas e optativas (indicam desejo):

Vá embora! (exclamativa).

Deus te proteja! (optativa).

6. Preposição EM + gerúndio:

Em se tratando de futebol, o Flamengo é o mais querido do Brasil.

FATORES DE MESÓCLISE

O pronome oblíquo átono só pode ficar em mesóclise quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, desde que não haja fator de próclise:

Dar-te-ei um presente.

Dar-te-ia um presente.

Observe:

Nunca te amarei.

Note que nessa frase há o negativo nunca, que é fator de próclise; não poderia haver, portanto, a mesóclise.

FATORES DE ÊNCLISE

1.Quando o verbo inicia a oração:

Dei-lhe o bastante para que ele sobrevivesse.

2. Nos imperativos afirmativos:

“Levanta-te e anda!”

Observação:

Nos imperativos negativos, é óbvio que haverá a próclise:

Não se levante!

ATENÇÃO:

De acordo com a norma culta, NÃO SE INICIA FRASE COM PRONOME OBLÍQUO ÁTONO.

Não se pode dizer: “Moça, me espere amanhã...”, mas sim: “Moça, espere-me amanhã”.

USO DO PRONOME OBLÍQUO ÁTONO COM AS FORMAS NOMINAIS

1. verbo auxiliar + infinitivo

Construções possíveis:

a) Devia comportar-me melhor.

v.aux.     infin.

b) Devia-me comportar melhor.

c) Não devia comportar-me daquele jeito..

d) Não me devia comportar daquele jeito.

e) Não devia me comportar daquele jeito.

2.  verbo auxiliar +gerúndio

Construções possíveis:

a) A tristeza se foi acabando.

b) A tristeza foi-se acabando.

c) A tristeza foi acabando-se.

3. Verbo auxiliar + particípio

Construções possíveis:

a) O alimento se havia acabado.

b) Os alimentos haviam-se acabado.

Observação:

Não se admite ênclise ao particípio:

Os alimentos haviam acabado-se.

 

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