quarta, 21 de outubro de 2020

Comportamento
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Para alguns, noite nem é tão feliz assim

Bruna Vieira com assessoria / 24 de dezembro de 2016
Foto: Divulgação
Para a maioria das pessoas, o Natal é uma data festiva, marcada pela comunhão entre os familiares e a alegria da chegada de um novo ano. É nessa época que as pessoas costumam comemorar as vitórias e planejar os próximos projetos. Mas, para muitas pessoas, o balanço de conquistas e perdas pode gerar frustração e desânimo. A data acaba sendo marcada pela melancolia e pode até desencadear um quadro depressivo. Especialistas revelam como vencer a tristeza e superar a perda.

Magnólia Fonseca cresceu em uma família que sempre se reunia meses antes para o Natal. Com a perda dos familiares, a tradição foi perdida. A data já não é tão alegre, mas, ela busca nas lembranças o alento. “Eu sou filha única e também só tive uma filha. Mas, minha mãe teve quatro irmãos e tive nove primos. O Natal sempre foi na residência de vovó, não apenas com a família, como também os amigos. Então a casa estava sempre cheia. Em novembro começávamos a nos reunir para os preparativos e a decoração. Além da ceia, o almoço do dia 25 reunia muita gente. Com a morte de vovó, ficou sob a responsabilidade da minha mãe”, narrou a aposentada.

Aos poucos mais perdas vieram. Este ano, Magnólia passará a data com a sogra da filha, dessa vez, sem o marido, que também se foi. “Depois de três natais, mamãe também morreu. E parei de fazer a festa. É dificílimo, mas, a gente traz as lembranças do passado nesse período. E era tudo muito bom. Temos que seguir, porque a vida é um ciclo. Vovó colecionava papai Noel. Todo ano eu colocava um novo na árvore, em homenagem a ela”, ressaltou a cirurgiã-dentista.

Vencendo o luto

O psicólogo do Hapvida Saúde, André Assunção, explicou que é preciso saber diferenciar a tristeza da depressão. “O que ocorre é que algumas pessoas podem observar a passagem do ano e sentem-se tristes ou insatisfeitas com o progresso e ganhos durante o ano. Essa insatisfação pode ser vista pelo sujeito como um ‘fracasso’, gerando baixa autoestima e, junto a isso, o surgimento de uma depressão. É importante lembrar que não se pode considerar qualquer tristeza como depressão. A tristeza é um sentimento normal para qualquer pessoa, e a depressão é um transtorno de humor, que gera prejuízos ao psíquico e ao comportamento do indivíduo”, destacou.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, até 2020 a depressão será a doença mais incapacitante no mundo. “Estar ao lado e não abandonar se torna a melhor forma de ajudar quem passa por tal momento. A depressão causa isolamento e, por isso, acaba sendo comum que a pessoa se afaste dos amigos e da família, mantenha-se longe ou fique pelos cantos da casa. Por isso, é importante que amigos e familiares tenham paciência, estejam por perto e saibam compreender os limites da pessoa em questão”, revelou André.

120 milhões de pessoas sofrem com depressão no mundo.

17 milhões de pessoas têm depressão no Brasil.

850 mil pessoas com depressão grave cometem suicídio por ano.

(Fonte: OMS)

Respeitar a dor

A perda ou ausência de alguém amado pode fazer com que o período seja mais triste. É como um luto, que na psicologia vai além da morte. É um processo de ruptura emocional forte, dividido em cinco fases: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. “Para um pessoa que está passando por esta situação, é importante se respeitar, viver esse momento, mas com cuidado para não transformar o natal em uma época apenas triste”, aponta Mariana Simonetti, psicóloga do ludo do Grupo Vila.

A terapia é uma alternativa de suporte à superação da dor e reorganização psicológica. Outra forma para lidar com a ausência é reproduzir algo que a pessoa querida costumava fazer no Natal, olhar fotografias e compartilhar lembranças com amigos e familiares. “É necessário que a pessoa enlutada sinta que seu ente querido não foi esquecido nesse ambiente festivo, pois isso é o que muitas vezes incomoda o enlutado”, observou Mariana.

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