quinta, 22 de abril de 2021

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Cineasta conta como foi assumir a direção do 3º ‘De Pernas Pro Ar’

André Luiz Maia / 20 de abril de 2019
Foto: Divulgação
De Pernas Pro Ar se tornou uma das franquias mais bem-sucedidas da comédia nacional ao trazer uma abordagem nova, com frescor, sobre o universo feminino. Em De Pernas pro Ar 3, tudo isso evolui com a presença de uma diretora conduzindo a ação. Trata-se de Julia Rezende.

A diretora não é uma iniciante, pelo contrário. Já esteve à frente da trilogia Meu Passado Me Condena e realizado outras obras para as telonas (confira no quadro abaixo). Seu histórico de direção contempla bastante a comédia, desde seus trabalhos para a TV paga, como a série Adorável Psicose. “Nunca achei que a comédia fosse um gênero menor, que pudesse ser filmado de qualquer forma. É possível fazer de uma forma sofisticada, elegante”, enfatiza.

No entanto, ao ser convidada para dirigir De Pernas Pro Ar 3 pela própria Ingrid Guimarães, que estrela a produção, ela hesitou. “Pensei mesmo se eu deveria topar ou não. É um filme três de uma franquia de grande sucesso, era um risco” declara a profissional, em conversa com o CORREIO. No entanto, as temáticas abordadas pelo filme acabaram seduzindo Julia, que topou a aventura.

Já em cartaz nos cinemas, o filme mostra o terceiro capítulo da aventura de Alice Segretto, agora uma empresária brasileira de sucesso global. Sua franquia de sex shops Sexy Delícia agora é um fenômeno mundial e, com isso, as obrigações profissionais que já haviam causado certa crise em De Pernas Pro Ar 2 se intensificam, fazendo com que a própria Alice se questione sobre a condução da própria carreira.

Nesse terceiro filme, o universo das sex shops e dos brinquedos eróticos já não era uma novidade. Nove anos se passaram desde o primeiro e era preciso fazer uma atualização. Foi com base nisso que veio a ideia de pensar como seria a vida dessa mulher bem-sucedida, que levou sua franquia para o mundo inteiro, lidando com o sentimento de culpa por estar longe dos filhos, do marido.

Para Julia Rezende, existe uma pressão muito grande na sociedade em cima da mulher que trabalha e também constitui uma família com marido e filhos. “É um drama que atinge qualquer mulher, que precisa ouvir sempre aquela pergunta, ‘Ah, tá trabalhando? Mas e seus filhos, estão com quem?’, algo que os homens nunca ouvem”, comenta.

Essas questões dialogavam muito com a vida pessoal da própria diretora. “Eu gravei o filme quando meu filho tinha apenas oito meses, dirigi algumas cenas com ele literalmente no meu colo, amamentando entre um intervalo e outro”, relata.

Outra questão que está presente no filme é a questão da competitividade entre mulheres. “É algo que a sociedade vive estimulando, mas agora temos um feminismo que traz a questão da sororidade”. No filme, esse tópico é salientado com o surgimento de Leona, personagem da atriz Samya Pascotto, dona de uma rede de sex shops mais tecnológica, com apetrechos diferentes dos vendidos por Alice e, de quebra, ainda se torna interesse amoroso de seu filho, agora já adolescente.

Tudo se encaminha para uma velha narrativa sobre quem vai se dar bem no final, ultrapassando a outra, certo? Errado. “A Leona entra na história para mostrar que ela não está ali para competir com Alice, pelo contrário, que juntas elas têm mais força”, pontua Julia.

"A gente tem pessoas muito inteligentes que estão fazendo uma reflexão sobre o país, a sociedade e seu comportamento através do humor. É uma ferramenta maravilhosa para falar de assuntos sérios, pois é um canal que traça uma linha muito direta com quem está assistindo." - Julia Rezende, cineasta

Trajetória



Cinco filmes dirigidos por Júlia Rezende

‘Meu Passado me Condena — O Filme’ (2013)

A estreia como diretora é baseada em série homônima do Multishow. Na história, Fábio Porchat e Miá Mello interpretam um casal em lua de mel em um cruzeiro, mas que acaba encontrando figuras do passado dos dois. Ela dirigiu também o segundo filme, de 2015.

‘Ponte Aérea’ (2015)

Aqui a direção é compartilhada com Paulo Eduardo. O drama romântico conta a história de um artista plástico carioca e uma publicitária paulista que se conhecem durante um voo de avião. A paixão surge de maneira avassaladora, mas ambos não sabem até quando ela irá perdurar.

‘Um Namorado Para Minha Mulher’ (2016)

Primeiro trabalho com Ingrid Guimarães. Um casal com problemas no relacionamento não consegue se acertar. Já que não tem coragem de terminar, o marido (Caco Ciocler) contrata um amante profissional (Domingos Montagner) para conquistar a esposa.

'Como é Cruel Viver Assim’ (2018)

O que acontece quando um grupo de desiludidos com a vida decide sequestrar um milionário mas não possuem a mínima ideia de como fazê-lo? Essa é a premissa que a comédia dramática dirigida por Julia Rezende se desenrola. Baseado na peça homônima escrita por Fernando Ceylão.

'De Pernas Pro Ar 3’ (2019)

No terceiro filme da bem-sucedida franquia, a empresária de sucesso no ramo dos brinquedos eróticos interpretada por Ingrid Guimarães surpreende a todos quando anuncia seu afastamento da gestão de sua empresa multinacional para ter mais tempo com a família. No entanto, nada serão tão fácil.

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