domingo, 07 de março de 2021

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Cientistas modificam embriões para corrigir doenças genéticas com técnica inovadora

Redação / 28 de julho de 2017
Foto: Reprodução
Pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram modificar genes defeituosos em embriões humanos, pela primeira vez no país, utilizando a revolucionaria técnica de edição genética CRISPR, segundo informou ontem, a revista MIT Technology Review. “Os resultados deste estudo devem ser publicados em breve em uma revista científica”, disse Eric Robinson, porta-voz da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon (OHSU), onde foi feita a pesquisa.

“Infelizmente, não podemos oferecer mais informações nesta etapa”, acrescentou. Segundo a publicação, que cita um dos cientistas da equipe, os testes permitiram demonstrar que é possível corrigir eficazmente e sem riscos os defeitos genéticos responsáveis por doenças hereditárias. Os cientistas não deixaram que estes embriões modificados se desenvolvessem mais que poucos dias.

Para o médico Simon Waddington, professor de tecnologia de transferência genética da Universidade College London, “é muito difícil fazer comentários sobre este trabalho porque ainda não foi objeto de uma publicação científica”. Pesquisadores chineses foram os primeiros a modificar, em 2015, os genes de um embrião humano com resultados mistos, segundo um informe publicado pela revista britânica Nature. A técnica CRISPR/ Cas9, mecanismo descoberto em bactérias, representa um imenso potencial na medicina genética permitindo modificar rápida e eficientemente os genes. Trata-se de espécies de tesouras moleculares que podem, de modo muito preciso, eliminar as partes não desejadas do genoma para substituí-las por novos fragmentos de DNA. Uma vez que esta técnica pode corrigir os genes defeituosos responsáveis por doenças, também poderia teoricamente produzir bebês com características físicas determinadas (cor dos olhos, força muscular, etc.) e também mais inteligentes, o que levanta importantes problemas éticos.

Em dezembro de 2015, um grupo internacional de cientistas e especialistas em ética convocados pela Academia Nacional de Ciências norte-americana (NAS) em Washington considerou que seria “irresponsável” utilizar a tecnologia CRISPR para modifi car o embrião com fim terapêutico até que as questões de segurança e de eficácia sejam resolvidas. Mas, em março de 2017, a NAS e a Academia de Medicina norte-americana consideraram que os avanços realizados na técnica de edição genética das células humanas de reprodução “abrem possibilidades realistas que mereceriam sérias considerações”.

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