sexta, 19 de abril de 2019
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Cenas que ficaram fora de filme dos Beatles entrarão em documentário

Renato Félix / 01 de fevereiro de 2019
Foto: Divulgação
No aniversário de 50 anos do último show ao vivo dos Beatles — no telhado da Apple, em Londres, no dia 30 de janeiro de 1969 — a Apple Corps Ltd. e a WingNut Films Ltd. anunciaram que Peter Jackson vai dirigir um documentário sobre a produção do disco Let it Be, o penúltimo a ser gravado, em 1969, e o último a ser lançado, em 1970, pelo quarteto, quando os quatro já tinham se separado.

Já existe. claro, um documentário sobre isso. O meio maldito Let it Be (1970), de Michael Lindsay-Hogg, que registrou os turbulentos primeiros ensaios nos Tickenham Studios, as um pouco mais tranquilas sessões no prédio da Apple e, finalmente, o show no telhado, feito de improviso para encerrar os tensos trabalhos.

Este filme (lançado originalmente aqui como Deixa Estar) chegou a ganhar um Oscar, na extinta categoria Partitura original de canções, mas é pouco visto. Nunca foi lançado em DVD oficial no Brasil, ao contrário dos outros três filmes do grupo (A Hard Day's Night — Os Reis do Iê-Iê-Iê, 1964; Help!, 1965; e a animação Submarino Amarelo, 1968) e o telefilme Magical Mystery Tour (1967).

Em 2003, quando Paul McCartney conduziu o remix Leit it Be... Naked, foi planejado o lançamento do documentário em DVD para acompanhar a nova versão do disco. Mas a restauração de imagens não utilizadas mostrou que havia muitos assuntos controversos mal resolvidos. E a ideia foi deixada de lado.

Aparentemente, chegou a hora de tocar nessas feridas. O diretor da trilogia O Senhor dos Anéis vai trabalhar as cerca de 55 horas de filmagens feitas entre os dias 2 e 31 de janeiro de 1969.

“As 55 horas de imagens inéditas e as 140 horas de áudio que foram disponibilizadas para nós garantem que este filme será a melhor experiência de 'um verdadeiro tesouro' pelo qual os fãs dos Beatles há muito sonham - é como uma máquina do tempo nos transportando de volta a 1969, e nós ficamos sentados no estúdio vendo esses quatro amigos fazerem ótimas músicas juntos”, declarou Jackson, de maneira um tanto romântica, no comunicado oficial do projeto, anunciado no dia dos 50 anos do show no telhado.

Ele relativiza o momento de tensão entre os membros do grupo. “Depois de rever todas as filmagens e áudio que Michael Lindsay-Hogg gravou 18 meses antes deles se separarem, o material é simplesmente um incrível tesouro histórico. Claro, há momentos de drama — mas nenhum deles reflete nenhuma das discórdias com as quais esse projeto está associado há muito tempo. Assistir John, Paul, George e Ringo trabalharem juntos, criando músicas — que agora são clássicas — bem do começo, não é apenas fascinante. É engraçado, edificante e surpreendentemente íntimo. Fiquei muito feliz e honrado por ter recebido esta notável gravação — fazer o filme será pura alegria”.

As filmagens estão sendo restauradas com a mesma equipe e usando as mesmas técnicas desenvolvidas para o documentário They Shall Not Grow Old, sobre a Primeira Guerra Mundial, que concorre ao Bafta deste ano como melhor documentário. E o documentário original de 1970 finalmente terá um lançamento oficial, restaurado, em home vídeo.

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