segunda, 24 de junho de 2019
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‘Cemitério Maldito’ e ‘Pokémon: Detetive Pikachu’ estreiam nos cinemas

André Luiz Maia / 09 de maio de 2019
Foto: Divulgação
Duas adaptações são os destaques deste fim de semana de estreias de cinema. O terror Cemitério Maldito toma como base o aclamado romance de Stephen King, enquanto Pokémon: Detetive Pikachu é resultado de um movimento inusitado da The Pokémon Company, detentora dos direitos da famosa franquia que surgiu dos videogames e fez sucesso global nos anos 2000.

Cemitério Maldito já havia ganho uma adaptação para os cinemas em 1989, sendo considerado um clássico do terror trash. A adaptação de 2019, no entanto, tenta traduzir com mais fidelidade o clima da obra literária, embora tenha feito uma modificação importante no enredo, revelada já nos trailers que divulgaram a obra.

O longa conta a história do Dr. Louis Creed (Jason Clarke), que, depois de mudar com sua esposa Rachel (Amy Seimetz) e seus dois filhos pequenos de Boston para a área rural do Maine, descobre um misterioso cemitério escondido dentro do bosque próximo à nova casa da família. No entanto, eles não imaginam os segredos que aquela terra esconde.

Lá se encontra um cemitério de animais que tem sido usado por gerações, além de um outro local, mais distante, que tem a habilidade de trazer os mortos de volta à vida. Quando uma tragédia acontece, Louis pede ajuda ao seu estranho vizinho Jud Crandall (John Lithgow), dando início a uma reação em cadeia perigosa que liberta um mal imprevisível.

Antes de irmos à reação dos críticos ao novo filme, algumas informações curiosas a respeito da obra. O título original em inglês é Pet Sematary, sendo que “cemitério” em inglês escreve-se "cemetery". A grafia incorreta se justifica pela história do cemitério, construído por crianças para enterrarem seus animais de estimação. A obra de Stephen King também foi fonte de inspiração para a canção homônima dos Ramones, usada como tema musical do filme de 1989.

A primeira exibição do filme de 2019 aconteceu em março, no festival SXSW, nos Estados Unidos. Na época, as críticas foram extremamente positivas, sendo eleito como uma das melhores adaptações de livros de Stephen King.

“O visual é super brutal e foi empolgante ver os diretores abraçando de forma profunda os inquietantes temas de mortalidade do livro”, afirmou Perri Nemiroff, do Collider. A crítica destaca a atuação da jovem Jeté Laurence, que tem relação direta com a principal modificação dessa adaptação. Caso não queira saber, recomendamos pular o texto direto para o subtópico abaixo.

No livro, a primeira criança da família principal da história a morrer é o pequeno Gage, de três anos. O roteiro decide mudar o foco, transformando a irmã mais velha, Ellie, na protagonista dos eventos aterrorizantes de Cemitério Maldito.

Pika, pika! Um rato amarelo de cauda em formato de raio e bochechas com bolotas rosas se tornou uma das figuras mais reconhecíveis da cultura pop dos anos 2000, até mesmo entre as pessoas que nunca ouviram falar de Pokemón. Mesmo assim, a decisão de criar Pokémon: Detetive Pikachu, com o popular personagem da franquia como protagonista, é ousada.

Não espere encontrar Ash, Misty, Brock, líderes de Ginásio Pokémon ou o trio atrapalhado de vilões da Equipe Rocket. A história do longa hollywoodiano adapta o videogame homônimo, lançado em 2016. A trama se centra na busca de Tim, um jovem treinador Pokémon, por respostas a respeito da morte de seu pai. Quem interpreta o protagonista é o ator Justice Smith.

O filme pode ser considerado como uma fantasia urbana, já que em uma sociedade futurista, homens e os Pokémon convivem harmoniosamente, com integração total no cotidiano da sociedade. A questão é que, aparentemente, eles não se comunicam com nossa linguagem. Isso até que o jovem protagonista dá de cara com um Pikachu detetive e... ele tem a voz do Deadpool.

Não, isso não é algo do filme. A piada se justifica pelo elo entre essas duas produções: Ryan Reynolds. O ator que dá vida ao anti-herói mais boca suja e gratuitamente violento da Marvel é a voz do Pikachu, que apenas Tim entende, já que o resto da população escuta apenas a clássica voz que todos nós conhecemos, dublada pela japonesa Ikue Otani. Com essa ajuda inusitada, eles começam a desvendar um mistério que pode por em risco todo o planeta e a própria existência dos Pokémon.

O filme vem sendo elogiado pela dinâmica entre os personagens interpretados por Justice e Ryan, com um humor que funciona e entretém, além da criação dos Pokémon com aparência realista, baseado em animais da vida real, mas está sendo criticado por ter um roteiro básico e uma trama pobre.

Outra estreia da semana

'A Menina e o Leão'

Uma jovem de 14 anos cultiva desde pequena uma profunda amizade com Charlie, um leão branco da fazenda de sua família. Quando seu pai decide vender Charlie para caçadores de troféus, Mia não vê outra opção além de fugir com o leão para salvá-lo. A produção usa um leão branco real, sem efeitos gráficos de pós-produção. Estreia em João Pessoa.

Acaso transformador



É raro ter a oportunidade de ver um filme cubano na telona e, graças ao projeto Cinema de Arte, da rede Cinépolis, os paraibanos terão esta chance. Trata-se de O Tradutor, dirigido por Rodrigo e Sebastián Barriuso. Para os brasileiros, a produção traz um gostinho especial.

O protagonista é vivido por Rodrigo Santoro, um professor universitário de literatura russa que é surpreendido por uma missão que a princípio o deixa relutante: servir como tradutor para crianças russas em tratamento contra o câncer, todas vítimas do desastre nuclear de Chernobyl.

O que a princípio parece ser uma tarefa realizada a contragosto vai se tornando uma experiência transformadora, tanto para o professor Malin quanto para aquelas crianças. A história é baseada em acontecimentos reais.

A atuação do brasileiro é elogiada pela crítica, apontando sua entrega emocional para desenvolver o personagem no cinema, em uma performance tocante. No entanto, o crítico Rodrigo Scharlack, do Observatório do Cinema, também enfatiza outro desempenho surpreendente no longa. “O grande destaque de atuação não poderia ser outro que não Maricel Álvarez. A atriz interpreta uma enfermeira chamada Gladys. (...) Gladys serve não só como aquela que apresenta Malin ao seu novo universo, mas como uma personagem consciente, que auxilia o professor durante suas crises internas ao longo do filme”, comenta.

Outro destaque positivo é o roteiro de Lindsay Gossling, estreante em longas-metragens, que, de acordo com o crítico, consegue contar “sua emocionante história é contada de forma eficaz e inspiradora”.

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