terça, 11 de maio de 2021

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Café em Verso e Prosa trás atração de Portugal

André Luiz Maia / 11 de setembro de 2018
Foto: Divulgação
A conexão entre Brasil e Portugal, à primeira vista, parece óbvia. Colônia e metrópole, séculos de conexões políticas e genéticas. No entanto, no campo da cultura, essa ponte não é tão óbvia. De maneira natural, a atriz Suzy Lopes convida a atriz portuguesa Joana Manuel para integrar o tradicional sarau Café em Verso e Prosa para mostrar a confluências dessas duas nações através da poesia. O evento acontece nesta terça-feira (11) no Empório Café, em Tambaú.

A jovem estudante de medicina assistiu a um dos saraus realizados mensalmente no Empório Café e ficou encantada com o projeto. Ao fim do evento, ela conversou com Suzy e as duas começaram a trocar ideias sobre uma apresentação. Assim como Suzy, ela também é atriz e ambas começaram a trocar ideias.

"Ela me apresentou alguns nomes de poetas portugueses menos conhecidos. Gosto muito de Fernando Pessoa e conheço alguns nomes da poesia lusitana, mas ela me mostrou algumas coisas que não conhecia e nossas conversas foram caminhando para a construção de um sarau", pontua Suzy Lopes. Ao mesmo passo em que Joana revelava os versos de lá, ela também ia se encantando com a poesia do paraibano Lúcio Lins.

"Eu conhecia Vinicius de Moraes, Chico Buarque, mas desde que cá estou, apesar de há tao pouco tempo, já tive a oportunidade de conhecer a poesia de Lúcio Lins e de Augusto dos Anjos", explica a jovem de 22 anos. Sua mãe é carioca e ela já tinha vindo para o Rio de Janeiro duas vezes, mas é a primeira vez que vem ao Nordeste.

Foi tudo bastante natural e espontâneo. Joana Manuel estuda medicina na Universidade do Porto e, por conta de uma parceria da instituição portuguesa com a UFPB, decidiu vir para João Pessoa, como uma espécie de intercâmbio. "No quinto ano de medicina em particular, os alunos brasileiros têm um ensino mais voltado para a prática, então foi um dos motivos para vir para cá", justifica Joana. Paralelo aos estudos da Medicina, ela estuda a arte cênica, uma de suas paixões.

Na Universidade do Porto, há um grupo de teatro amador chamadoSociedade Onírica de Teatro Amador Orgânico (Sotao) e foi lá que ela começou a mergulhar neste universo. "Temos uma ensaiadora e ensaios de duas horas  duas vezes da semana, com a produção duas peças de teatro por ano. Portanto, é mais como uma atividade extracurricular. Sempre foi um sonho meu fazer teatro", explica.

Em apenas um mês e meio na capital, já está tendo a oportunidade de pôr em prática os estudos na performance do sarau. Por falar na performance, em que ela e Suzy irão costurar versos de poetas como Lúcio Lins, Cesário Verde, Manuel Torga e Mário de Sá Carneiro, ainda haverá a intervenção da cantora Mira Maya, do músico Jader Finamore e do ator e teatrólogo Paulo Vieira para fazerem “Fado tropical” de Chico Buarque, alinhavando o conceito da abordagem cênica.

A noite também contará com um desfile da nova coleção do estilista pernambucano Marc Andrade e uma dança do ator e bailarino Dan Oliveira. Como já é costumeiro no Café em Verso e Prosa, após a abertura, acontece o momento mais esperado da noite, em que o microfone é aberto ao público, para que ele recite poesia de sua autoria ou de seus poetas preferidos.

 

Consolidado. O Café em Verso e Prosa já está há 13 anos em plena atividade e já se tornou um evento fixo no calendário cultural de João Pessoa. Com o passar do tempo, ele foi acompanhando as transformações da cidade.

O início de tudo foi em 2005, como uma despedida para a atriz e amiga pessoal de Suzy Lopes, Mayana Neiva, que partiria para tentar a sorte na carreira no Rio de Janeiro. Anos depois, ela se estabeleceu como um nome da dramaturgia nacional na TV e nos cinemas, passando uma temporada em Nova York para aperfeiçoar seu talento.

Aqui na Paraíba, sua celebração de despedida trouxe bons augúrios. De olho na movimentação que o evento trouxe, unindo artes cênicas, literatura e música, os proprietários lançaram a proposta de transformar aquele formato em um acontecimento fixo. Em 13 de abril, começava o Café em Verso e Prosa. “Nunca imaginei que duraria tanto tempo. Lembro até hoje da primeira vez que entrei no Café Empório e recitei o primeiro poema, um trecho de Zé Régio, emendando com Cora Coralina, numa receita de fazer poema”, declarou Suzy.

A lista de homenageados e artistas que já passaram pelo projeto é vasta, mas é possível citar alguns, como Antônio Mariano, Lúcio Lins, Vitória Lima, Irene Dias, Políbio Alves, Augusto dos Anjos, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Lau Siqueira, Gustavo Limeira, Elisa Lucinda, Viviane Mosé, Alice Ruiz, Michel Melamed, Marilita Pazzolli e Cora Coralina.

Suzy Lopes também contou com o auxílio de diversos nomes de outras expressões artísticas para manter o Café em Verso e Prosa. Artistas como Mira Maya, que está nesta edição, os atores Flávio Lira e Nyka Barros, Jorge Félix, Raquel Ferreira, a fotografia de Bruno Vinelli, Marcelo Quixaba e Carine Fiúza contribuíram para a consolidação do projeto.

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