sexta, 19 de abril de 2019
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Café em Verso e Prosa promove lançamento da cantora Adriana Vieira

André Luiz Maia / 16 de janeiro de 2019
Foto: Yebá Ngoamãn/Divulgação
Manter um projeto na ativa por quase quinze anos já é uma conquista por si só, mas o sarau Café em Verso e Prosa entra em seu décimo quarto ano com novo ânimo. Hoje, ela traz para o palco o trabalho de uma nova artista, a cantora e compositora Adriana Vieira, mas também aproveita para direcionar os holofotes e iluminar mais uma faceta da poesia de Carlos Drummond de Andrade. Trata-se do tema E Agora José?

A atriz Suzy Lopes, que comanda com valentia o projeto ao longo de todos esses anos, admite que é uma nova fase para o sarau, em muitos sentidos. “Confesso que estava pensando em desistir de fazer o sarau no ano passado. 'Treze anos, né? Tá bom, já'. No entanto, a resposta do público foi tão boa e estimulante que me deu forças para continuar”, confessa.

O novo momento político e social do Brasil também foi definitivo para que ela repensasse sua decisão de descontinuar o Café em Verso e Prosa. “Sou atriz, coordenadora de teatro da Funesc e tenho o sarau. Em um momento como esse, de incertezas, acho que precisamos dispor de todas as armas possíveis que temos à mão. Não poderia abdicar desse espaço”, afirma Suzy Lopes, se referindo ao sarau realizado mensalmente no Empório Café.

Essa marcha-ré na desistência, inclusive, trouxe fôlego para o formato, fazendo com que a programação foi estruturada com antecedência. “Normalmente, eu fazia um sarau e no dia seguinte não tinha a menor ideia de como e do que se trataria o próximo. As coisas iam acontecendo e eu ia captando as mensagens no meio do caminho. Nesse ano 14, não, já estamos com agenda até abril. Foi a desistência mais evolutiva que eu já vi (risos)", brinca.

O primeiro de 2019 surge, a bem da verdade, como um grande pretexto para colocar Adriana Vieira em foco. "Ela é aquele tipo de pessoa tímida-espalhafatosa, sabe? Há algum tempo que vejo ela fazendo suas composições, mas não tinha coragem de levar pro palco. Foi aí que tivemos a ideia do sarau, a partir de um acontecimento bem específico", narra Suzy Lopes.

Adriana é professora de Direito em uma universidade no Rio de Janeiro e, antes de uma de suas idas para lá, Suzy decidiu visitá-la na casa de João Pessoa. “Ela é uma frequentadora do sarau e começou a me mostrar canções dela e queria que ela mostrasse isso no palco, mas a timidez a fazia desconversar e recusar a proposta”, relembra. Suzy começou a falar sobre o poema “A cidade perdida”, de Paulo Vieira, e ao lê-lo, Adriana começou a ver semelhanças com o texto de Drummond, um autor pelo qual a professora é apaixonada, ou, como Suzy gosta de adjetivar, “drummoníaca”.

Era a isca. Suzy começou a trabalhar a ideia de fazer um sarau com poesias de Drummond e, aos poucos, começar a pensar em um momento na noite em que Adriana também pudesse apresentar suas canções.

Ainda insegura, Adriana topou o desafio. “É um momento de muito desejo e muito medo, porque nunca mostrei estas canções em público, e ainda mais aqui, onde todo mundo me conhece, mas é bonito que seja assim”, define a cantora estreante.

Outra novidade da noite será a presença do artista visual Thiago Trapo em uma posição que poucos estão acostumado a vê-lo: no violão. “Trapo vai acompanhá-la para que ela possa mostrar essas criações para nós. Será um momento muito bonito, confesso que estou bastante empolgada!”, pontua Suzy Lopes, com seu entusiasmo habitual.

O nome do sarau também rendeu uma história interessante. “Queria um nome que fizesse menção a nós, mas também ao todo, ao momento atual, e que as pessoas pudessem entender com facilidade de que se tratava de um sarau sobre Drummond. Uma amiga minha de São Paulo, Débora Fontenelle, profunda conhecedora de sua poesia, sugeriu esse nome e, depois de algum debate, percebi que caía como uma luva. É um poema que fala sobre desesperança, mas também sobre incerteza e expectativa. E agora, para onde vamos?”, completa.

Café em Verso e Prosa

Hoje, às 20h.

Empório Café (R. Coração de Jesus, 145, Tambaú, João Pessoa – 3247.0110 – http://emporiocafejp.com.br)

Entrada franca

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