sábado, 19 de setembro de 2020

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Caça predatória mata 800 arribaçãs por dia

Fernanda Fugueirêdo / 09 de outubro de 2015
Foto: Manuel Pereira
A caça predatória é crime previsto em lei, no entanto, nas zonas rurais do Agreste, Cariri e Sertão paraibano, cada caçador chega a matar até 800 arribaçãs por dia, sendo estas aves migratórias adaptadas às condições ambientais do semiárido. A equipe de reportagem do Jornal Correio da Paraíba recebeu denúncias de que, longe da fiscalização da Polícia Ambiental, Ibama e Sudema, órgãos que deveriam proteger o meio ambiente e controlar a situação, caçadores chegam a lucrar mais de um salário mínimo por mês. O superintendente substituto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Paraíba, Edberto Farias de Novaes, reconheceu a impossibilidade de fiscalizar todo o Estado e disse que esta responsabilidade não é só da União, mas também dos Estados e municípios.

“Fiscalizar todo o Estado da Paraíba 24 horas por dia é impossível, mesmo porque a fiscalização ambiental é também responsabilidade do Estado e dos Municípios. Acredito que nem mesmo a Polícia Ambiental, que tem um efetivo de pessoal muito superior ao do Ibama, tem essa condição” disse Edberto.

Espécie está desaparecendo

De acordo com o professor doutor em biologia e ecologia de aves da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Erich Mariano, estudos recentes já mostram o declínio da população da arribaçã em virtude da caça predatória, o que afeta diretamente a vegetação da caatinga, uma vez que esta e outras aves nativas fazem o transporte de sementes de diferentes espécies de uma região para outra no semi-árido nordestino.

“É importante que se diga que a caça acontece no período de defeso, ou seja, de reprodução, quando todas as fêmeas pousam em determinado local para chocarem seus ovos. O resultado é que muitas fêmeas são mortas e muitos filhotes deixam de nascer”, explicou o professor.

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