segunda, 20 de maio de 2019
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Cabruêra celebra em show os 20 anos de seu primeiro disco

André Luiz Maia / 06 de abril de 2019
Foto: Augusto Pessoa/Divulgação
Vinte anos separam o lançamento de Cabruêra, primeiro disco da banda paraibana, deste novo show, intitulado Loa da Chegança, que celebra a trajetória do grupo enquanto preparam o lançamento de um novo álbum, ainda em 2019. A festa tem data e endereço: hoje, no Recanto da Cevada, que está se tornando um reduto dos artistas locais de João Pessoa, no Bancários. Como convidados especiais, os músicos Lucas Dan e Cassicobra.

"Olha lá a multidão que vem chegando, trazendo no coração alegria, esperança / Meu povo / Cabruêra / Estamos prontos pra lutar". O título do show é uma citação direta à breve faixa de abertura do disco lançado em 1999, apresentando uma proposta sonora que trazia frescor aos ouvidos com uma mistura inteligente de rock com ritmos regionais.

Sob forte influência do manguebeat pernambucano, o grupo trazia um approach mais paraibano à equação. De lá para cá, foram muitas conquistas, com turnês internacionais, prestígio e evolução do trabalho musical. Ao traçar um paralelo entre aquele começo e os dias atuais, o vocalista Arthur Pessoa lembra o que se estabelece como pedra angular na formação da Cabruêra.

"Acredito que o que permanece no nosso trabalho desde o início é a nossa linguagem musical, que continua dialogando com a música paraibana, nordestina, brasileira, mas promovendo encontros entre diferentes influências que advém de várias culturas ao redor do mundo. Acho que isso que define a nossa identidade enquanto banda", define.

Loas, forrós, galopes e emboladas permanecem como elementos recorrentes no trabalho de Cabruêra e que já podiam ser ouvidos no primeiro disco.

A formação original da banda era Arthur, Ely e Emy Porto, Fredi Guimarães, Orlando Freitas e Zé Guilherme — que faleceu recentemente. Ao longo dos anos, cada um deles seguiu outros rumos, à exceção de Arthur.

"Todos os músicos que passaram pela Cabruêra nesses 20 anos deram uma importante contribuição na história da banda e na construção da sua identidade musical. Sou grato a cada um deles e especialmente ao Zé Guilherme, pois além de uma grande referência como músico e ser humano, também foi meu parceiro em várias composições e guardo no melhor lugar da minha memória afetiva os bons anos que convivemos juntos", declara. Atualmente, ele compõe a Cabruêra com os músicos Pablo Ramires, Edy Gonzaga e Leo Marinho.

Uma das características sonoras mais marcantes da banda já aparecia no início do disco de estreia: o "forró esferográfico". Trata-se de uma técnica tanto inventiva quanto inusitada, na qual Arthur toca seu violão com uma caneta esferográfica, emulando o som de uma rabeca. Isso surgiu após uma série de experimentações, inspirada em grandes nomes da música brasileira, como Hermeto Pascoal, Tom Zé, Uakti e Duofel, para citar alguns. "'Forró esferográfico' nasceu dessa vontade de experimentar e foi assim que desenvolvi o violão tocado com a caneta, batizado depois pelo João Parahyba, que produziu o álbum Visagem, de Rabic", relembra Arthur.

Após a temporada no Recanto da Cevada, a Cabruêra embarca para mais uma turnê durante o verão europeu, com shows confirmados em Berlim e Praga, incluindo a participação no Colors of Ostrava, na República Tcheca, considerado um dos maiores festivais do Leste Europeu e que em 2019 tem artistas como The Cure.

Nesse meio tempo, um novo álbum, ainda sem título definido, deve ser lançado nas plataformas digitais, com produção do colombiano Felipe Alvarez. "Comparando o primeiro disco com o recente, temos uma distância de 20 anos. Muita coisa aconteceu nesse intervalo e acredito que todas as experiências ao longo desses anos refletem sempre em um novo trabalho. Continuamos acreditando na música autoral e assim vamos seguir gravando novos álbuns e trabalhando pra continuar levando a nossa música pelo Brasil e pelo mundo", conclui o vocalista da Cabruêra.

"Ao longo desses 20 anos foram muitas experiências que sem dúvida trouxeram muitos aprendizados não só pro trabalho da banda mas pra vida mesmo de cada um de nós. Todas as turnês e os discos que fizemos trouxeram muitos aprendizados pra banda e tudo isso acaba refletindo no resultado da música que fazemos hoje." - Arthur Pessoa, vocalista da Cabruêra

O disco



Gravado em 1999 no SG Studio em João Pessoa e produzido por Rosildo Oliveira, o 'debut' da Cabruêra trouxe 12 músicas, sendo o cartão de visita que projetou a banda até os ouvidos de produtores de grandes festivais europeus. A capa do disco foi fotografada na loca de Zabé da Loca por Ricardo Peixoto.

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