segunda, 20 de maio de 2019
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Braulio Tavares lança coletânea que mergulha no gênero sci-fi

André Luiz Maia / 13 de abril de 2019
Foto: Divulgação
Render-se aos encantos da ficção científica não é difícil. Desde sempre, o ser humano é fascinado pelo futuro e pelas possibilidades infinitas ofertadas pela tecnologia, mas também pelos efeitos nefastos potencializados por essas ferramentas. No entanto, para o escritor Braulio Tavares, mais importante que este contexto é a narrativa.

Hoje, o paraibano de Campina Grande lança seu mais novo livro, Fanfic, na Livraria Berinjela, no Centro do Rio de Janeiro. Trata-se de uma coletânea com 22 contos, abrangendo diversas fases de sua trajetória como escritor. “Há contos que escrevi em 1979, assim como outras que escrevi mais recentemente para meu blog, Mundo Fantasmo”, afirma Braulio.

Ao longo dos contos - ou minicontos, já que algumas narrativas são bem mais sucintas que outras -, Braulio brinca com situações típicas de obras do gênero para exercer sua criatividade. Aliens, videogames, substâncias químicas que transformam nosso comportamento, viagem interestelar e experimentos paranormais se intercalam em uma antologia que poderia ser transposta para o audiovisual, embora a literatura permita algumas liberdades mais “surrealistas” que o vídeo.

Em uma das histórias de Fanfic, uma raça alienígena desconhecida entra em contato com humanos em uma estação espacial internacional, sequestrando apenas o astronauta brasileiro, que pesquisa a telecinese, capacidade de mover os objetos apenas com a força do pensamento.

Braulio é um escritor bastante versátil. É de sua autoria o roteiro da peça O Auto do Reino do Sol, uma homenagem a Ariano Suassuna e seu universo literário, calcado nas tradições nordestinas e ibéricas. Do mundo da fantasia ao mundo futurista, a escrita de Braulio flui com naturalidade, além de trazer para dentro dela uma série de referências culturais, desde a cultura erudita até a cultura pop.

Apesar da tecnologia e das hipóteses científicas serem a potência motora do gênero para muitos autores, a parte que mais interessa ao paraibano é a narrativa. “A ficção científica é um gênero que propõe maneiras muito imaginativas e originais de encarar o universo, o planeta Terra e a humanidade. Esse gênero não me interessa pelo o que ele tem de científico, de teses comprovadas. O que me interessa é o lado literário, a parte da ‘ficção’ do termo ‘ficção científica’. A ciência é o foguete que decola levando sua imaginação para qualquer lugar”, filosofa.

Dentro da ficção científica, há inúmeras divisões possíveis, como obras que flertam com o terror ou até mesmo com a comédia, mas para Braulio Tavares, há uma divisão mais simples e fundamental para se entender o gênero.

“Acredito que a ficção científica se divide entre as histórias de futuro próximo e as histórias de futuro remoto. As primeiras têm tudo a ver com nossa sociedade, enquanto as de futuro remoto são mais fantasiosas, já que não há prever como a sociedade humana será daqui a muito tempo no futuro. Um homem de 50 mil anos atrás não conseguiria conceber nosso mundo de hoje, então é da mesma forma”, explica.

Talvez se fôssemos comparar com produtos da cultura pop, a linha narrativa de Fanfic se aproximaria mais do clássico Além da Imaginação (que voltou este ano às telinhas em uma nova versão, encabeçada pelo cineasta Jordan Peele, de Nós e Corra!) do que da antologia britânica Black Mirror, já que o surrealismo e elementos metafísicos também fazem parte das histórias.

O título do livro desperta curiosidade, já que “fanfic” é um termo em inglês que deriva de “fan fiction" (ficção de fã), usado para descrever as histórias criadas por fãs baseadas em personagens de histórias já criadas. Harry Potter, Game of Thrones e O Senhor dos Anéis são algumas das histórias mais comuns a terem fanfics baseadas nelas. “Eu usava o termo de maneira pejorativa no começo, mas depois percebi que é uma besteira. No livro, tem histórias que são minhas, mas que fazem referência ou mimetizam um estilo ou uma forma de escrever de um autor, como homenagem. Se não considerarem isso literatura, não tenho problema com isso”, completa Braulio.

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