segunda, 21 de setembro de 2020

Brasil
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Pesquisa diz que 48 milhões de brasileiros sofrem de zumbido no ouvido

Da Redação / 16 de maio de 2016
Foto: Lilian Moraes
Um levantamento da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ) em parceria com o Instituto Ganz Sanchez, indica que no Brasil ha cerca de 48 milhões de pessoas com zumbido no ouvido, um som percebido somente por quem o tem. O número atual revela um acréscimo em relação há 20 anos, quando as estatísticas sugeriam a existência de 28 milhões de brasileiros com zumbido.

O aumento ocorreu devido aos novos e (maus) hábitos da população. Muitas pessoas se expõem, cada vez mais cedo, à poluição sonora - seja a dos centros urbanos, do trabalho ou dos fones de ouvido em volume impróprio. “Ha aquela parcela de pessoas que comem mal - fazem longos períodos sem comer ou se intoxicam com doces, gorduras e cafeína -, usam celular mais de uma hora por dia (emitindo radiação eletromagnética) e outras com depressão e ansiedade. Todos esses fatores podem ter contribuído para esse aumento significativo do zumbido ao longo das duas últimas décadas”, explicaaProfa Dra. Tanit Ganz Sanchez, Otorrinolaringologista com doutorado e livre-docência pela FMUSP, presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ).

Como o zumbido representa uma sensação interna de ouvir um som, nada mais natural do que as pessoas o perceberem mais facilmente antes de dormir, pois o silêncio do ambiente favorece o reconhecimento desse “som interno”. “Assim, nascem outros problemas: a insônia e falta de concentração para ler, já que as duas coisas costumam ser feitas no silêncio. Durante o dia, os outros sons da vida podem ‘encobrir’ o zumbido e ele não é percebido tão facilmente, mesmo que ele exista o dia todo. Essa realmente é a experiência mais comum que os médicos escutam dos pacientes”, complementa e especialista.

Segundo a médica  Tanit Ganz Sanchez, recentemente, alguns pacientes começaram a contar exatamente o oposto: o zumbido piora enquanto o paciente ouve os sons do dia-a-dia e melhora quando está no silêncio. “Essa característica diferente já mostra o quanto alguns ouvidos estão ficando mais sensíveis aos sons comuns do dia a dia. Para eles, é mais difícil sair de casa e ter uma vida normal, pois até chegar no trabalho ou até durante a jornada diária, os sons passam a agredir os ouvidos e piorar o zumbido. Quando essas pessoas encontram o silêncio do lar, o zumbido diminui de volume, como se ele representasse um ‘termômetro’ da situação: mais barulho piora o zumbido, mais descanso auditivo melhora o zumbido”, explica Dra. Tanit.

“a melhora no silêncio ainda é algo raro, mas estamos observando isso porque esses pacientes vão precisar de mais cuidados do que os outros. Assim, quando eles saírem para suas atividades profissionais e sociais é importante usar protetor de ouvidos quando estiverem em ambientes que precisam falar mais alto para ser ouvido, junto com o tratamento médico específico do zumbido, essa medida simples já pode ajudar a evitar os picos de piora e a preservar o ouvido por mais tempo”, complementa a  dra. Tanit Ganz Sanchez.

Tanit, que é a pioneira no Brasil sobre as pesquisas de diagnóstico, tratamento e prevenção do zumbido no ouvido, explica que: “ter bons ouvidos no mundo de hoje é uma preciosidade, mas muitas pessoas não valorizam o diagnóstico nem a prevenção de problemas. Só quando começam a ter zumbido, perda auditiva ou hipersensibilidade a sons é que começam a correr atrás do prejuízo. O ideal é sempre fazer avaliações periódicas do ouvido, como se faz para o coração, para o colesterol, para os dentes ou para a pele”.

Segundo a médica, o tratamento do zumbido é variado, dependendo da causa, do tempo de duração e do grau de audição, podendo incluir medicamentos, mudança de hábitos alimentares e estilo de vida do paciente, ou ainda, testagem dos recursos tecnológicos disponíveis atualmente para melhorar audição e o zumbido.

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