sábado, 23 de fevereiro de 2019
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‘Bolsonaro e a Língua’ é o título do novo artigo do professor Trindade

João Trindade / 11 de novembro de 2018
Foto: Divulgação
Não votei em Bolsonaro e nem em Haddad porque não acreditava num governo de qualquer deles; de modo que, pela primeira vez na minha vida, votei nulo.

No entanto, pelo menos uma coisa de boa antevejo nesse governo do capitão reformado: o fim desse desrespeito à Língua Portuguesa, perpetrado por essa turma do PT. O artigo abaixo, publicado há algum tempo e, agora, em 2018, no meu livro “Português descontraído” (Alumnus/Leya) reflete bem as “invenções” que tomaram conta do linguajar de muitos (até algumas autoridades), traduzindo corruptelas e corrupções em relação ao nosso idioma:

“Todos e todas”

Nunca me esqueceu um episódio singular, acontecido quando da visita de Heloísa Helena à Paraíba, como candidata a Presidente da República.

Uma candidata a Deputado Federal (e não a Deputada, já que não existe o cargo Deputada, mas sim, Deputado, que pode ser exercido por um deputado ou uma deputada, conforme explicarei adiante).

A candidata em questão esbravejou comigo, quando o locutor do carro de som explicou:

- Avisamos a todos que a senadora Heloísa Helena vai atrasar um pouco.

Exclamei para um amigo:

Ainda bem que ele não disse “todos e todas”.

Foi o bastante para a nossa candidata se “enfezar”:

- Olhe: está na Constituição Federal: homens e mulheres são iguais. A Constituição diz que é para falar “todos e todas”.

Ponderei o seguinte:

- Claro que não. Basta abrir a Constituição e observar que ela diz: “Todos são iguais perante a lei”; e não, todos e todas.

Não há quem suporte mais esse misto de paroxismo feminista com demagogia. Ora, não há que se misturar feminismo com língua e linguagem.

Inventaram essa excrescência linguística de substantivar (flexionando em gênero) pronomes. O analfabetismo funcional, predominante sobretudo em muitos sindicalistas, nunca conheceu a diferença entre pronome substantivo e pronome adjetivo.

Expliquemos:

Pronome substantivo é aquele que substitui o substantivo. Exemplo: O homemfoi ao cinema; ele não ficou satisfeito. O pronome ele substitui homem, para que não haja a repetição de tal palavra.

Diferentemente, o pronome adjetivo acompanha o substantivo: teu sonho não acabou. Note que o pronome teu acompanhou o substantivo sonho.

Os pronomes indefinidos (entre eles estão “todos” e “todas”) não podem substituir o substantivo, como acontece com “ele” e flexões.

Você pode dizer:

Todos os homens estavam alegres na festa. Todas as mulheres, também.

Ou:

Todos (homens e mulheres) estavam alegres na festa.

Quando você diz todos, está abrangendo todo o universo; daí não caber falar “todos” e “todas”.

O pior é que, ontem, numa reunião, ouvi alguém dizer:

“Aqueles e aquelas” que concordam com a proposta fiquem como estão.

É demais!...

 

E POR FALAR NISSO...

 

Se fôssemos levar em conta a máxima feminista aludida, a “Ordem dos Advogados do Brasil” teria que passar a se chamar: “Ordem dos Advogados e das Advogadas do Brasil” e a “Câmara dos Deputados” passaria a se chamar “Câmara dos Deputados e deputadas”.

 

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