sábado, 23 de fevereiro de 2019
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Bernardo Lobo lança “C’alma”, que reflete nova fase do cantor

Kubitschek Pinheiro / 28 de agosto de 2018
Foto: Divulgação
Talento nato, Bernardo Lobo já nasceu artista. Filho dos consagrados Edu Lobo e Wanda Sá, neto do compositor Fernando Lobo já é uma boa carta de apresentação. Foi sua mãe Wanda quem lhe ensinou a tocar violão. O apelido Bena vem da intimidade da família emplacado nos discos iniciais. Ele agora lança seu quinto CD C’alma pela Biscoito Fino. É sua reapresentação para o mundo. É um trabalho focado no mar, no amor, na vida e no Brasil cujas alegrias ele foi encontrar em Portugal onde está radicado há dois com a família.

O disco foi produzido por ele e Pierre Aderne, registrado por Sérgio Milhano, no Estúdio Ponto Zurca, em Almada. De cara Bernardo homenageia o avô na vinheta de abertura. Cantarola sua marcha rancho “Zum zum”, ( da parceria com Paulo Soledade), sucesso na voz de Dalva de Oliveira, em 1951.

“A ideia de vir pra Portugal já vinha desde 2010, quando fiz minha primeira tour na Europa, começando por Portugal, onde cantei no Casino de Estoril com a Carminho numa homenagem a Chico Buarque. Depois fui à Alemanha, Inglaterra, França. Em 2013, voltei e participei do ano Brasil - Portugal e fiz outra turnê ainda maior pela Europa terminando no festival Conexão Lusófona em Lisboa, como representante do Brasil com todos os países de língua portuguesa”, avisa o jovem artista.

Para ele a receptividade na Europa com seu trabalho foi a melhor notícia. Voltou ao sei país com a certeza que eu queria morar em Lisboa. E foi. “Queria novos desafios, novas experiências e me apaixonei de verdade por Lisboa, cidade que escolhi. Vivi um trauma no Brasil em 2014, perdi uma pessoa que eu amava, assassinada na rua. Aquilo azedou a minha relação com o Rio e com o Brasil. Queria buscar qualidade de vida, morar num lugar tranquilo, sem violência. Vim em 2016 com a minha mulher Paula, grávida da minha segunda filha Maria, que nasceu aqui. E agora estamos esperando mais um filho, meu terceiro e primeiro menino. Acho que vim de vez, mas nunca dá pra afirmar isso não é?”, indaga ele.

O CD C’alma reflete e nos motiva a acreditar radicalmente em mudanças. “Casei de novo, mudei de país, fiz novas parcerias e resolvi assinar artisticamente o meu nome Bernardo Lobo ao invés de Bena, apelido de infância, que muita gente não sabia de onde vinha, erravam o nome e isso me incomodava. Então, achei que era o momento perfeito pra mudar, Bernardo é mais bonito, impõe mais respeito. E ainda é um nome português”, confirma.

O disco já nasceu clássico e é todo bonito. Nesses vinte anos de carreira, ele está com convidados dos dois lados do oceano. A cantora lusa Maria Emilia empresta ares fadistas a “Planisfério do amor” que se une ao cello do carioca Jaques Morelembaum e a percussão caboverdiana de Miroca Paris, além da viola de Nilson Dourado. Em “Essas noites” (parceria com Joyce Moreno), o mesmo Nilson arrebenta nas cordas com a guitarra portuguesa de Sérgio Costa.

O compositor Mu Chebabi, que vive numa ponte área Lisboa e Brasil e que tem s parcerias com os humoristas do coletivo Casseta & Planeta, assina três músicas nessa disco de Bernardo. A bossa “Terra à vista” que é uma canção forte com o som do trompete de Diogo Duque e ainda temos “Gota de sol” e a “Ciranda da lágrima” (com Ronaldo Semedo) que mexe com o que existe de mais nordestino família Lobo: “a lágrima que salga as ondas/ sobe, vira nuvem/ fica leve/ é neve no frio/ é o rio que lava”.

“Mu Chebabi é um grande compositor, é parceiro do Lenine no hit ´Hoje eu quero sair só´ e foi produtor musical durante 14 anos do Casseta e Planeta. Nos reencontramos em Lisboa e fizemos muitas canções, tivemos uma sintonia absurda. Ele chegou a morar na minha casa 2 meses”.

O musico e compositor Marcos Valle que Bernardo chama de “um ídolo” está nesse disco festejando a chegada de uma nova pessoa na vida de Bernardo. “Ele me procurou quando foi a Lisboa fazer um show Saímos pra jantar e nessa noite, mostrei a melodia de uma canção que tinha feito pra minha filha que ia nascer. Ele adorou e perguntei se ele faria a segunda parte, e ele prontamente respondeu que sim. Voltou ao Brasil e depois me mandou a segunda parte e fizemos a letra juntos e depois que ela nasceu completamos a canção”, conta Bernardo. O nome da canção é “Menina das Nuvens. “Um presente que eu não esqueço e agradeço”, disse

Com artista Moyseis Marques Bernardo fez alguma canções ainda no Rio e sempre foram músicas fortes que ele gravou e outras pessoas também. “João Cavalcanti ( filho de Lenine) e Joyce foram parcerias combinadas que estão em C´alma, “Os dois me mandaram as letras por email depois de ouvir minha melodia. Adoro todas as parcerias desse disco”, pontua.

De volta ao começo

Bernardo Lobo é um Valente. O primeiro CD Nada Virtual foi o como ela costuma dizer “primeiro filho. Aquela coisa de botar pra fora as primeiras composições. Com participação dos mestres: Chico, Milton e Edu porque todos tinham uma relação com as músicas que gravara. Chico cantou ´Chafariz´ comigo num show no Rio e fiz esse samba pensando nele, toda a influência dele no meu trabalho e por isso o convidei”.

Já Milton Nascimento amou “Luz e Breu” quando ouviu e assim entrou ´Mundo´ era a cara do meu pai e porque não convidá-lo? O segundo vieram os parceiros Seu Jorge e Pedro Luis e ainda Lenine que também queria estar no disco.

“Sábado ao vivo” foi um show gravado, uma retrospectiva do que o artista já havia feito até ali com convidados. “Valentia” foi um trabalho mais maduro que gosto muito, bem pensado e produzido por Daniel Gonzaga, um grande músico e amigo. Parcerias com Paulo César Pinheiro com quem tenho mais de 30 canções, Edu Krieger entre outros.

Quemmais influenciou Bernardo, o pai ou mãe? “Olha, os dois me influenciaram. Meu pai mais do que minha mãe, sempre fui mais ligado aos compositores e cantores, Fui muito influenciado por Caetano, sempre cantava pensando nele, pra mim um dos maiores cantor do Brasil”, fecha.

“C‘alma”

De Bernardo Lobo.

Selo: Biscoito Fino

Onde ouvir: Spotify, Deezer, Apple Music / iTunes, Google Play Música

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