sábado, 16 de janeiro de 2021

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Bell Marques faz show centrado em clássicos do axé lançados pelo Chiclete com Banana

André Luiz Maia / 07 de abril de 2018
Foto: Divulgação
Os fãs do Chiclete com Banana ficaram chocados quando o vocalista Bell Marques anunciou que sairia do grupo para tentar uma carreira solo, no ano passado. Símbolo do carnaval baiano, a banda acumula um caminhão de hits em quase 40 anos de trajetória. Hoje, os pessoenses terão a oportunidade de reviver estes momentos no show Só As Antigas, comandado por Bell.

O local é a Domus Hall, a partir das 22h. Além de Bell, a noite conta com a participação de Pedrinho Pegação. Preparando material solo para apresentar após Fênix, seu primeiro DVD ao vivo da nova fase, Bell Marques faz um retorno às origens e monta um repertório caprichado para o projeto que teve início em 2016 e no mês passado ganhou um registro em Salvador, que será lançado ainda este ano.

O público que acompanha o trabalho do Chiclete e de Bell desde os primórdios, em 1979, deve ficar satisfeito com a inclusão de canções como “Cara caramba”, “Colar do oriente”, “Gritos de guerra”, “Lindo é viver” e “Ele não monta na lambreta”, dentre outros sucessos.

“As músicas do repertório foram escolhidas pensando mais no público do que em mim. É pra quem eu canto e a quem eu devo essa homenagem nesse show que me marca tanto”, comenta o cantor, em entrevista ao CORREIO. É a segunda vez que Bell Marques vem a Paraíba em 2018: a primeira delas durante o Fest Verão Paraíba, em janeiro.

Na ocasião, abrindo o primeiro dia de shows do tradicional festival de verão paraibano, ele trouxe algumas músicas novas, além de ter interpretado músicas do repertório de seus filhos, Rafa e Pipo Marques. Na plateia, uma legião de fãs fiéis e apaixonados, empunhando cartazes e faixas, empolgados a cada canção.

Para o cantor, esse tipo de feedback lhe traz muita alegria. "Esse amor que recebo quando subo no palco é um dos motivos de continuar tocando, mesmo depois de tantos anos dedicados à música. Essa energia move qualquer artista. Fico muito feliz, sou muito grato e me sinto muito sortudo de ter conquistado tantos corações pelo Brasil e de poder contar com eles, mesmo depois de dar um passo diferente na minha carreira. É bom saber que continuo promovendo tanta alegria e tantos sorrisos por onde passo", declara.

O Chiclete com Banana foi um grupo essencial para a formação da música popular baiana moderna e para o movimento da axé music. Por isso, a decisão do vocalista de tentar trilhar um caminho sozinho pegou muita gente de surpresa. Apesar do susto, as coisas parecem estar dando certo para o artista.

Ele avalia que o tempo de hoje é propício para artistas com longa caminhada como ele. "Vivemos uma fase no mercado musical de certa forma nostálgica. As pessoas, talvez por tanta coisa estranha acontecendo, estão se apegando ao que de bom aconteceu no passado e que as marcaram. Para esse público, minhas músicas trazem boas lembranças, resgatam momentos únicos", analisa Bell.

Há também um público mais jovem na plateia, que conheceu o trabalho dele por intermédio de pais, tios e primos mais velhos. "Existem essas duas demandas que me mantém atualizados e curioso por novas experiências", complementa o artista.

No meio musical, se fala bastante do declínio de popularidade do axé nas paradas de sucesso nacionais, perdendo espaço para o sertanejo e para o funk. Bell acredita que se trata de algo previsível, mas que não é exclusivo do axé. "O axé sempre sofreu preconceito, mesmo quando estava no auge. A queda, como você diz, é natural e já aconteceu com o próprio sertanejo, que voltou com outra roupagem mais pop.

O rock não está no auge. O samba não está no auge. No entanto, estamos falando da queda do axé apenas. É um ciclo natural", observa.

Seja para os nostálgicos, seja para os curiosos, o show de hoje é uma porta de entrada para conhecer ou relembrar esse período da música popular.

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