terça, 25 de setembro de 2018
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Avanços e desafios no aniversário da Lei Maria da Penha

Francisco Varela Neto / 07 de agosto de 2017
Foto: Lucas Vinícius
A Lei Maria da Penha completa nesta segunda-feira (7), 11 anos desde a sua criação. Os avanços nesses últimos anos foram inúmeros, mas a parcela de mulheres na sociedade que ainda é agredida é enorme. De acordo com a sub-coordenadora das delegacias da mulheres na Paraíba, Renata Matias, não é possível dizer precisamente se o número de agressões contra as mulheres tem diminuído, mas o que ela afirma é que houve sim um aumento no número de denúncias, o que também é muito importante. Comente no fim da matéria.

"Nós temos percebido um aumento do número de denúncias com  relação à violência doméstica, mas isso a gente vê como uma forma positiva porque as mulheres não estão ficando mais caladas e estão denunciando aquela situação de violência que era tida como natural", explicou.

Na opinião de Renata, a Lei Maria da Penha tem funcionado bem porque, segundo ela, a lei vai muito além da questão criminal.

"Funciona sim. A gente tem que ver que a lei Maria da Penha é muito forte e não tem só aquele cunho criminal, ela tem outras situações que também ajudam e o que a gente precisa é que realmente as mulheres saiam dessa situação de violência, denunciem, que aí a gente pode ajudá-las a ter uma vida melhor", afirmou Renata.



Dificuldades da Lei

De acordo com a Coordenadora da União Brasileira de Mulheres na Paraíba, Lourdes Meira, as dificuldades para casos de violência contra a mulher são enormes, tendo em vista que a questão vai muito além do simples fato de agredir. Segundo ela, isso já está intrínseco na cultura brasileira.

"É muito difícil porque, na realidade, a violência do homem contra a mulher é uma questão cultural, é a questão do machismo. A gente quer exatamente que haja ações no sentido de diminuir essa violência", disse.

Lourdes explica que é importante que as frentes institucional e popular se unam no combate dessa prática. "Nós temos duas frentes, a institucional, que são as delegacias, os centros de referência e toda uma rede que existe de apoio e orientação a esta mulher; e do outro lado é a sociedade civil organizada, que é o movimento de mulher que está cada vez mais se organizando, cada vez mais consciente do papel que tem dentro da sociedade no combate à violência", afirmou.

Segundo ela é preciso fazer com que a sociedade entenda que a luta contra a violência contra a mulher é um papel de todos.

"Então a gente continua este trabalho de esclarecimento e de conscientização das mulheres e do combate à violência e isso é um trabalho em todas as frentes da sociedade. É preciso que a sociedade entenda que a luta contra a violência sobre a mulher não é tarefa só das mulheres, mas é da sociedade como um todo. Os homens que não concordam, que são conscientes de que há esse machismo exacerbado que está causando tanto prejuízo a vida das mulheres e à sociedade, que também eles colaborem para que isso diminua", finalizou.


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