sábado, 20 de julho de 2019
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Autores da PB recomendam literatura produzida por colegas locais

André Luiz Maia / 23 de abril de 2019
Foto: Divulgação
Em plena era digital, a questão da leitura é um dilema a ser discutido por acadêmicos e amantes da literatura. O e-book e a própria formatação da internet deram espaço para a popularização da escrita literária, mas o consumo da mídia física ainda se mantém como um ponto de referência para autores. Na Paraíba, não é diferente.

No Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, comemorado hoje, o CORREIO entrou em contato com dez autores da Paraíba, nascidos ou radicados no estado, para recomendarem uma obra paraibana que achem interessante.

Há obras recentes, outras que já são clássicos dentre o círculo literário da cidade e também algumas obras que foram lançadas anteriormente, mas que merecem um pouco mais de atenção.

A diversidade dos livros indicados é curiosa. Há obras literárias de prosa, livros de contos, poesia, crônicas, obras voltadas para o público infantil, obras mais reflexivas e outras mais leves. Tem até mesmo um livro mais historiográfico, indicado pelo escritor e crítico literário Hidelberto Barbosa Filho.

Além das indicações, as próprias obras dos indicados são dignas de nota. A decana da lista, com 76 anos, é Maria Valéria Rezende, a premiada escritora nascida em Santos, mas, como a própria gosta de salientar, gestada na literatura paraibana. Recentemente, ela lançou seu livro mais recente, Carta à Rainha Louca, uma ficção inspirada em relatos reais de cartas destinadas à rainha Maria I, de Portugal, encontradas no Arquivo Ultramarino, em Lisboa.

Valéria também é conhecida por outros romances, como Quarenta Dias, O Voo da Guará Vermelha e Outros Cantos, e o livro de contos Vasto Mundo. As obras são vencedoras de prêmios prestigiados como o Jabuti e o Prêmio Casa de Las Américas.

Sérgio de Castro Pinto, que recentemente comemorou 70 anos e 50 de carreira literária, traz um trabalho na poesia em livros como Gestos Lúcidos, A Ilha na Ostra e A Flor do Gol, além de contribuir academicamente com estudos sobre autores como Mário Quintana e Manuel Bandeira.

Na ala dos escritores mais jovens, também há talentos a se destacar, como Roberto Menezes, Joedson Adriano e Bruno Ribeiro, com narrativas e temáticas particulares, como a crueza da humanidade, questões existencialistas e referências à cultura pop.

O time feminino demonstra versatilidade ao convocar escritoras como Ana Adelaide Peixoto Tavares, com sua escrita atenta aos acontecimentos do cotidiano, e Isabor Quintiere, flertando com o realismo fantástico e o metafísico.

'Memória do Fogo', de Ronaldo Monte, por MARIA VALÉRIA REZENDE

"É uma coisa absolutamente original. É um livro que nos leva para dentro de pessoas aparentemente sem importância alguma, com uma linguagem fora do comum e ao mesmo tempo muito sedutora. Ele atravessa vários espaços da nossa cultura com valores universais".

'Um Boi Pastando nas Nuvens', de Águia Mendes, por JAIRO CÉZAR

"Acho extraordinário. É uma poesia feita com extrema inteligência e ludicidade. As pessoas acham que escrever para crianças é pôr tudo no diminutivo, mas é um público leitor exigente. Águia as respeita, apresentando uma obra de beleza estética densa e humor refinado".

'Absolutamente Crônica', de Mayara Vieira, por ROBERTO MENEZES

"Um desavisado poderia muito bem lê-lo como um apanhado de textos de redes sociais, mas seria uma injustiça. É um livro de crônicas e, como todo livro, existe todo um projeto narrativo e estilístico por trás dele. Indico para fãs de autores como Rubem Braga e Sérgio Porto".

'Cidades e Homens', de Celso Mariz, por HILDEBERTO BARBOSA FILHO

"É um livro que acho importante para o contexto local, porque fala dos entornos geográficos de algumas cidades paraibanas, mas também de alguns homens que tiveram participação relevante na vida histórica do estado, no campo político social e cultural".

'Versos no Camarim', de Regina Celi, por ANA ADELAIDE TAVARES

"No momento, estou saboreando este livro de Regina Celi. Poesia é algo difícil. Exige saber orquestrar as várias camadas de um poema. Regina sabe. Comecei agora por esses versos mas já dá pra sentir e constatar que desse Camarim teremos brilho!".

'Julho é um bom mês para morrer', de Roberto Menezes, por ISABOR QUINTIERE

Sobre uma mulher de 35 anos que decide permanecer em seu apartamento, prestes a ser demolido. "Para além de uma grande obra literária, é também uma verdadeira lição sobre narrativas metaficcionais e construção de personagens com inúmeras camadas".

'Manual Prático de Desaparecimento', de Ronaldo Monte, por SÉRGIO DE CASTRO PINTO

"Eu gosto muito da poesia dele, acho que as pessoas precisam conhecer esse poeta que poderia ter contribuído muito mais se não tivesse nos deixado tão cedo, mas que deixa um legado rico na literatura paraibana".

'A Cor Humana', de Isabor Quintiere, por BRUNO RIBEIRO

"Isabor constrói os contos deste seu livro de estreia com uma precisão notável. Flertando com mitos, mundos dentro de gavetas, o peso da maternidade, árvores falantes, duplos e um registro humorístico e absurdo muito peculiar e criativo, é uma pequena obra potente".

'Trigal com Corvos', de W. J. Solha, por JOEDSON ADRIANO

O autor de Elegias do País do Sanhauá lembra deste livro lançado no início dos anos 2000. "Solha tem uma obra gigante em todas as áreas da literatura, mas minha obra preferida é essa. Na minha opinião, um dos dez melhores livros de poemas brasileiros".

'A Obscena Necessidade do Verbo', de Letícia Palmeira, por CYELLE CARMEM

"Esse livro de Letícia nos leva a fazer reflexões sobre nosso cotidiano e nos faz parar para olhar as nossas próprias questões internas quando vemos o narrador, um ser introspectivo, levantar uma série de questões sobre seu próprio comportamento".

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