quarta, 20 de novembro de 2019
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Atriz Pathy Dejesus fala sobre a série ‘Coisa Mais Linda’

Renato Félix / 07 de abril de 2019
Foto: Divulgação
A série Coisa Mais Linda, da Netflix, pode a princípio, parecer ser sobre a aurora da bossa nova. Mas isso está mais para um pano de fundo. A trama mesmo é sobre a luta de quatro mulheres para se afirmarem numa sociedade que era ainda mais machista que a de hoje. Uma das quatro protagonistas tem batalhas particulares nesse cenário: Adélia, vivida por Pathy Dejesus, é negra.

A atriz já foi modelo, VJ da MTV e esteve em novelas como a trilogia dos mutantes (na Record), Amor e Revolução (no SBT) e I Love Paraisópolis (na Globo). Com Maria Casadevall, Fernanda Vasconcellos e Mel Lisboa, forma o quarteto de protagonistas de Coisa Mais Linda.

"Como a série se passa no Rio de Janeiro do final dos anos 1950, acho que não tinha como a bossa nova não ser nosso pano de fundo", diz a atriz ao CORREIO.

A situação de quase invisibilidade social que uma mulher negra pobre vivia naquele momento se tornou evidente durante a pesquisa de Pathy para compor sua personagem. "Quando a gente começou os estudos, reparei que saber das mulheres negras comuns, como é o caso da Adélia, era muito mais difícil. Encontrar material sobre uma mulher negra, real, periférica... Era como se ela não existisse", conta a atriz. "E é exatamente isso que a gente vê na série. E a realidade dessa personagem".

Para driblar essa lacuna histórica e saber mais, ela recorreu a histórias próximas. "Fui aos relatos de família", diz. "Da minha avó, da minha bisavó. É um lado particular, mas fui atrás de relatos de amigas próximas, também, que pudesses trazer família. Não existissem registros, não existem registros, uma gama muito ampla para se pesquisar".

Uma sororidade genuína



A primeira temproada da série tem sete episódios e mostra como o encontro de Malu (Casadevall), paulista abandonada pelo marido no Rio, e Adélia (Pathy), moradora de uma favela carioca, abre um novo horizonte para as duas, quando decidem abrir juntas um clube de música na efervescência da nascente bossa nova.

Para Pathy Dejesus, tudo ainda está muito no início. "Eu, particularmente, sinto como se tivesse aí uma apresentação para tudo o que a gente quer falar", afirma. "Essa série trata de sororidade — termo que nem existia na época, acredito —, mas de uma sororidade... genuína. Quase como se fosse um instinto, mesmo".

Estrelar uma série da Netflix implica em uma distribuição mundial instantânea. É uma nova realidade para os atores brasileiros. Até alguns anos atrás, algo digno de fantasia "Há um ano e meio, eu resolvi direcionar minha carreira para esse formato: série e cinema", conta a atriz. "Eu acredito muito nesse formato. Começa daí. Pelo cuidado que se tem, pelo olhar que se tem. Um tempo maior para se aprofundar...".

Para ela, a Netflix e sua distribuição eram um sonho. "Ter uma obra minha disponível de uma forma acessível para muita gente ao mesmo tempo", conta Pathy. "Estou recebendo mensagens da Itália, dos Estados Unidos, de países que não acreditei. E mais maravilhoso ainda: tocando as pessoas em um lugar que não imaginei que a gente fosse tocar. Mulheres que se identificam, mas muitos homens também, sabe? E de vários lugares do mundo".

"Eu cheguei a ler revistas da época em que o foco era como agradar seu marido! Como cozinhar bem para manter seu casamento! Se sentir desconfortável com isso era fora do padrão normal da época." - Pathy Dejesus, atriz de 'Coisa Mais Linda'

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