domingo, 18 de agosto de 2019
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‘Aruanda’ e ‘A Pedra da Riqueza’ são destaque em lista de curtas essenciais

André Luiz Maia / 07 de maio de 2019
Foto: Divulgação
O cinema paraibano é reconhecido por sua potência em contar histórias reais. Documentários como Aruanda, de Linduarte Noronha, foram importantes para a trajetória da sétima arte nacional. Não à toa, figura sempre nas listas de melhores filmes brasileiros.

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou uma lista com 100 títulos essenciais em curta-metragem e Aruanda ocupa o sexto lugar. Outro filme de realizador paraibano aparece em 35º, com A Pedra da Riqueza, de Vladimir Carvalho. No primeiro lugar do levantamento, está o clássico Ilha das Flores, do gaúcho Jorge Furtado.

Muito antes de Aruanda, lançado em 1960, a tradição do cinema paraibano remonta à década de 1920, com documentários como Sob o Céu Nordestino e Reminiscência de 30, ou os documentários de cunho educativo de João Córdula. Contudo, a obra de Linduarte Noronha é considerada um marco por inaugurar o chamado Cinema Novo, ciclo da sétima arte nacional, com foco em narrativas mais realistas.

Na Paraíba, Aruanda também acabou trazendo novo fôlego para produções audiovisuais. Produzir curtas-metragens não era, inicialmente, uma opção estética, mas sim uma restrição técnica. Equipamentos de filmagem, rolos de filmes, tudo era caro e de difícil deslocamento, como recorda Vladimir Carvalho, que também foi assistente de direção em Aruanda.

“Hoje, as pessoas fazem filmes com o digital, basta ter três ou quatro pessoas e uma câmera portátil para realizar. Antes era tudo muito diferente. Não tinha como filmar uma hora sem parar. Em Aruanda, era uma câmera de corda. Filmávamos 30 segundos e parávamos para dar corda na câmera”, recorda. De fato, o filme resulta em um apanhado de imagens com uma narração em off, um recurso utilizado para driblar as limitações técnicas da época.

Outro motivo que impulsionou a produção de documentários em curta-metragem foi uma questão orçamentária, como aponta o diretor Marcus Vilar. “Filmar ficção é caro, precisa de muito mais recursos, então o documentário era uma opção de orçamento bem mais baixo e com narrativa impactante", pontua.

No entanto, não só de limitações se resume a história do cinema paraibano. O estado é celeiro de realizadores como Vladimir e Marcus, mas também outros nomes como Bertrand Lira (O Rebeliado, O Diário de Márcia), Manfredo Caldas (Uma Questão de Terra, Romance do Vaqueiro Voador), Ipojuca Pontes (Os Homens do Caranguejo), João Ramiro Mello (Romeiros da Guia, uma codireção com Vladimir Carvalho) e Jurandy Moura (Padre Zé Estende a Mão), dentre muitos outros.

Na década de 1980, outro movimento importante para o cinema paraibano foi a instituição do Núcleo de Documentação Cinematográfica da UFPB, o Nudoc. “Teve uma série de cursos de cinema ligados ao Cinema Direto, do documentarista francês Jean Rouche, que eu, Torquato (Joel), Bertrand (Lira), Vânia Perazzo, todos nós fizemos”, relembra Marcus Vilar.

Para Vladimir Carvalho, a riqueza do cinema paraibano é comprovada não só por seu histórico, mas também pela explosão criativa recente. Desde o ano passado, uma dezena de produções, sejam documentários ou ficções, estão sendo lançadas, demonstrando a pluralidade da produção local. “Ainda temos um problema de distribuição. Se o Governo da Paraíba tiver um pouco de sensibilidade e vontade, ele deve oferecer auxílio a essas produções, para que elas cheguem a mais pessoas. É importante para nossa história”, completa o cineasta.

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