sábado, 23 de novembro de 2019
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Artista Flávio Tavares conclui mural que homenageia direitos trabalhistas

Kubitschek Pinheiro / 26 de dezembro de 2018
Foto: Divulgação
O pintor Flávio Tavares está de volta ao passado. Mais precisamente a Era Vargas, naquele período da história do Brasil entre 1930 e 1945, quando Getúlio governou o Brasil por 15 anos. Sua nova obra faz esse resgate com o painel “Getúlio e povo nordestino” de 5 metros e 1,70 de altura, que está no saguão do novo prédio do Tribunal Regional do Trabalho, no Bairro João Agripino.

Mas Getúlio não está sozinho. Além da recua de personagens, seus filhos Alzira, Jandira, Lutero, Getúlio Vargas Filho e Manoel (o Maneco), todos do casamento com dona Darcy Lima Sarmanho, que foi primeira dama do Brasil. A obra é bela e mostra a arte dentro do tempo. Essa nova produção do artista teve inicio em agosto deste ano.

Tavares se agarrou ao tema, principalmente, porque há exatamente 88 anos, foi criada a Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, que trouxe mais diretos para os trabalhadores, numa iniciativa de Vargas que criou o Ministério do Trabalho.

“Eu sei da importância de fazer esse trabalho e, por isso, toda essa força, todo essa questão de prova a outras questões, como o anuncio que no próximo governo poderá não existir mais o Ministério do Trabalho”, disse Flávio.

São centenas de personagens representados suas lidas, sagas, com as imagens viscerais de cada um. A tinta é forte e o artista viajou nessa experiência recorrente em sua obra, onde negros e retirantes se misturam a todas as raças mostrando seus papeis reais com contrastes quentes e fios diante da eterna sociedade preconceituosa brasileira.

O artista Flávio Tavares nesse obra “Getúlio e povo nordestino” vai além da tela, pois, sua pintura não existiria sem a força dos personagens, as mulheres trabalhadoras, as santas e os diversos operários presos pelo senhores da grana. Ele é o desenhista mais aguçado, mas contumaz. É de seu desenho que nascem os inúmeros bichos selvagens, os peixes, os orixás e todas as criaturas e avatares que se possam imaginar.

“Esses personagens que compõem esse novo painel, me chegam de longe, como um canto e representam uma síntese de tudo que eu sei dessa gente, da pele, dos nordestinos que somos e evoluímos. Eu voltei no tempo, os anos em que eu ainda nem tinha nascido. O resultado disso é como uma psicanálise do tempo e da liberdade minha de recriar em cima do tema. Não é uma releitura, porque esse Getulio teve sua importância como homem publico. É a realidade, de ontem e hoje”.

É isso, a obra representa muita coisa, a Justiça do Trabalho e o trabalho da justiça. E a representação do homem com palavras chaves: a luta, as conquistas, a seca, a violência, o popular e o cordel e tantos outros retratos do nordestino.

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