domingo, 15 de julho de 2018
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Antônio Barros e Cecéu preparam novo disco

Renato Félix / 10 de junho de 2018
Foto: Rafael Passos
Eles estão perto de completar 50 anos de uma parceira de música e de vida –  e de muitos sucessos. Com mais de 700 composições diferentes gravadas por incontáveis artistas, Antônio Barros e Cecéu se preparam para voltar aos estúdios e gravar um novo disco ainda este ano.

A união dos dois está presente mesmo quando parece que estão em voo solo. Como, por exemplo, quando os créditos das canções apontam um ou o outro como autor. “Homem com H”, por exemplo, aparecia nos selos dos discos como sendo de Antônio Barros. Já “Bate, coração” é creditada a Cecéu.

“Geralmente a gente faz junto”, conta Cecéu. “Claro que Antônio é pioneiro, começou bem antes. Mas geralmente nós trocamos ideias e para a edição musical a gente faz uma parte com ele, uma parte comigo. Mas a gente nasce tudo junto e está tudo, em casa. Não tem essa coisa de ‘essa é minha, essa é sua’. Tanto faz dizer que ‘Bate, coração’ é de Antônio Barros, como dizer que é de Cecéu”.

Das exatas 708 músicas gravadas, eles escolhem exatamente “Homem com H” e “Bate, coração” como suas criações mais emblemáticas. E as duas são da mesma época. “Homem com H” se tornou sucesso ao ser gravada por Ney Matogrosso no disco dele de 1981.  “Bate, coração”, por sua vez, foi lançada por Marinês no disco batizado com o nome da canção, em 1980, e estourou de vez no Brasil todo com Elba Ramalho no disco Alegria, de 1982.

‘Homem com H’ recusada

“Homem com H” teve que vencer a resistência de Ney, que não se mostrou muito seguro em gravar a canção. Ela tinha sido lançada pela banda Hydra em 1974. O próprio Antônio Barros a gravou em 1980. Mas ele queria mesmo, desde o começo, era ouvi-la na voz de Ney Matogrosso, desde que ele era o vocalista do Secos e Molhados.

“Eu tinha vontade de gravar essa música com aquele grupo. Mas eu não podia chegar lá porque o grupo era muito famoso”, lembra ele. A versão da Hydra, que pode ser ouvida no YouTube, é até próxima do estilo que o Secos e Molhados gravaria. Anos depois, a composição chegaria a Ney, que se aconselhou com Gonzaguinha.

“Ele perguntou: ‘Gonzaguinha, me deram essa música. O que você acha? Não tô querendo gravar, não’. E Gonzaguinha disse pra ele: ‘Rapaz, essa música é a tua cara’”, conta Antônio Barros.

A música acabou entrando na última faixa do lado A. E mesmo “Amor objeto”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, sendo a música de trabalho, “Homem com H” estourou. Depois Ney gravou “Por debaixo dos panos” e “Pra virar lobisomem”.

A ideia da música surgiu de uma cena da novela O Bem-Amado, na qual o coronel Odorico Paraguaçu, papel de Paulo Gracindo, afinou na frente do matador Zeca Diabo (Lima Duarte) e depois botou banca. “Ele disse: ‘Seu Dirceu, nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem. Eu sou é homem!’”, lembra Antônio Barros. “Geralmente é assim: até uma frase que você diz, eu posso pegar e fazer uma música”.

Já em “Bate, coração”, Elba ouviu a versão de Marinês e não demorou para lançar a sua própria. “Quando foi um dia ela, conversando com a gente, disse: ‘Seu Antônio, ainda vou gravar uma música sua’”, conta Cecéu. “Ela foi para o Festival de Montreux. E foi a música que ela cantou no festival. E ela já veio sucesso de lá pra cá”. Elba gravou outras, como “Amor com café”. “Acho que nós temos umas 20 músicas gravadas com Elba”, diz.

Com Jackson do Pandeiro, amigo do começo da carreira, Antônio Barros participou de 17 gravações. Os dois se conheceram quando eram pandeiristas, cada um em uma rádio de Recife. “Quando ele foi pro Rio, fui pra casa dele. Então devo muito a ele, que meu muito apoio no Rio de Janeiro pra eu sobreviver  musicalmente no Rio”.

A dupla está à frente de uma batalha referente ao recebimento dos direitos autorais por parte das grandes festas de São João, como a de Campina Grande. “É muito decepecionante, realmente”, lamenta Cecéu. “Não existe São João sem música. E tem dinheiro para tudo, menos para a estrela, que é a música. Eles não querem pagar os direitos autorais, que é do que nós vivemos. isso já vem acontecendo há vários anos”.

Antônio Barros e Cecéu, que foram homenageados ontem no Museu dos Três Pandeiros, em Campina, também foram celebrados no disco Forró, Festa e São João. Uma seleção de marchinhas juninas por vários intérpretes e que conta com sete músicas de Antônio Barros. Ele e Cecéu assinam (com Targino Gondim e Carlinhos Brown) uma música nova: “Sou São João”.

Antônio Barros e Cecéu cantam em “Pra que fogueira” (com Adelmário Coelho),  que pode ser entendido como uma prévia do disco em que os dois voltam como intérpretes. A filha, Maíra Barros, também canta no disco. No ano passado, outra homenagem: o  DVD ABC do Forró – Homenagem a Antônio Barros e Cecéu, capitaneado por Ton Oliveira e com a participação da dupla e de vários artistas.

Agora, gravados por tantos artistas, chegou a hora de Antônio Barros e Cecéu reencontrarem os microfones. E não como participação, mas em um disco deles.

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