segunda, 10 de maio de 2021

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Animação ‘Ilha dos Cachorros’, estreia em João Pessoa

André Luiz Maia / 13 de setembro de 2018
Foto: Divulgação
O que uma animação em stop-motion sobre um bando de cachorros isolados em uma ilha em um Japão distópico tem a ver com nossa realidade? Para quem já viu Ilha dos Cachorros, novo filme de Wes Anderson, bastante coisa. Depois de meses após sua estreia oficial nos cinemas brasileiros, os paraibanos terão a oportunidade de assisti-lo graças ao projeto Cinema de Arte, do Cinépolis.

A trama gira em torno de um garoto de 12 anos, Atari Kobayashi, e sua luta para impedir que seu pequeno cachorro Spots seja banido junto com todos os cachorros de sua cidade, Megasaki. A autorização veio do corrupto prefeito Kobayashi, que justifica a transferência dos caninos para uma ilha cheia de lixo, longe da cidade, por conta de um vírus que se espalhou e que ameaça a vida dos humanos.

Atari decide então resgatar seu companheiro com a ajuda de amigos, roubando um mini-jato e vai em direção à ilha. Paralelamente à aventura do jovem na ilha dos cachorros em busca de Spots, um grupo de estudantes de Megasaki investiga a decisão do prefeito, sob a liderança de um estudante intercambista, Tracy. A descoberta não é exatamente surpreendente, porque é basicamente o desfecho de dez entre dez teorias conspiratórias do mundo real: a cura da doença já existe, mas o governo barrava sua divulgação por motivos políticos.

Quem foi criança ou adolescente nos anos 1990 já deve ter assistido a Ilha das Flores, curta-metragem de Jorge Furtado exibido à exaustão para turmas de Fundamental II e Ensino Médio. Lá, há um paralelo entre a lógica de consumo em uma sociedade capitalista e as condições paupérrimas de uma parte da população que se alimenta dos restos deixados pela lavagem dos porcos. Em Ilha dos Cachorros, dá para enxergar uma alegoria feita com os cachorros, que representariam essa parcela da população de humanos que vivem em péssimas condições.

Em uma cena específica, há uma briga entre cães por montes de comida estragada, a única disponível para eles na ilha-lixão. Como consequência do embate, um dos caninos arranca a orelha do outro, algo horrível na vida real, mas que ganha pinceladas de humor macabro nas mãos de Anderson, que ganhou o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim pelo filme. O filme entra para o rol das obras do diretor aclamadas pela crítica.

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