quinta, 26 de novembro de 2020

Cidades
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Alunos denunciam falta de infraestrutura na Casa Universitária da UFPB

Aline Martins / 17 de novembro de 2018
Foto: Assuero Lima
“É vergonhoso dizer que mora na Residência porque as pessoas associam a marginalidade, ao tráfico de drogas ou a um cortiço. E isso não é verdade. Para morar aqui você precisa seguir alguns critérios. São pessoas que estudam de verdade”. O desabafo é do estudante Adler Dias, um dos coordenadores da Residência Universitária, campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa.

No entanto, os alunos reclamam de vários problemas estruturais e de assistência estudantil. A denúncia mais recente é de que a Prefeitura Universitária estaria fechando os registros de água em alguns horários do dia e, por conta disso, nas torneiras ‘soprava’ apenas vento. O caso já foi denunciado a Polícia Civil e também será na Polícia Federal.

Logo na entrada da residência é possível perceber o descaso por parte da UFPB. Além da quadra que foi destruída para que fosse construída outra, mas que até o momento não entrou em obras, há alguns pontos que estão servindo de acumuladores de lixos tanto da construção quanto de objetos domésticos em desuso. Os equipamentos de ginástica que deveriam servir para atividade física estão enferrujados e quebrados. Foram colocados dois contêineres para atendimento médico na área externa da casa, porém Adler Dias contou que nunca houve funcionamento.

Já nos corredores do anexo A da Residência faltam extintores de incêndio – um risco caso ocorra algum acidente com fogo. As áreas externas que serviriam de lazer são inadequadas devido aos bancos e mesas estarem quebrados. Também na parte externa outra problemática é a ausência de proteção dos cilindros de gás. Não há grades com cadeados que evitem a retirada ou ao furto.

No interior da casa, o coordenador Adler Dias comentou também que não há rampas de acessibilidade e nem elevadores, apenas escadas. “Nós temos estudantes cadeirantes e eles não conseguem ter acesso ao ambiente de lazer que fica na parte superior e nem a sala de estudos”, revelou.

Em alguns quartos há infiltrações e mofos. Em outros faltam colchões. Outra reclamação pertinente é a falta de internet. “Como você vai estudar se não tem internet para fazer os nossos trabalhos, seminários?. Nesse semestre que acabou, muitos alunos tinham atividades para terminar as disciplinas, mas tiveram dificuldades”, relatou. Em um depósito da residência há vários ventiladores novos comprados pela universidade, mas não foram instalados.

Adler Dias ainda informou a reportagem do CORREIO que a Pró-Reitoria da Assistência e Promoção ao Estudante (Prape) planejava a retirada do café da manhã da Residência Universitária – uma das refeições que é oferecida no local – para que passasse a ser servido no Restaurante Universitário (RU). “Isso é inviável porque como o estudante que estuda no CCS [que fica próximo a casa], por exemplo, vai até o RU para tomar café e voltar para as salas de aulas? Ele já faz isso no almoço e no jantar”, observou.

No entanto, quanto a questão das alimentações, o coordenador contou ainda que nos fins de semana os alunos não recebem as refeições, assim como nos dias de feriados. “Nós recebemos uma bolsa de R$ 240 que não dá para nada. Não há reajuste desde 2014. A gente tem que tirar dinheiro de não sei onde para comer. Quando o mês só tem finais de semana até dá para ir, mas quando tem feriado a gente não consegue fazer nada com esse dinheiro”, observou.

Falta de água é constante

Um dos problemas mais reclamados pelos estudantes é a falta de água. Inicialmente, os residentes acreditavam que se tratava de uma questão estrutural da bomba, porém esta semana, descobriram que havia uma determinação do prefeito universitário para fechar o registro. A falta de água não era um problema novo, mas de mais de dois anos, mas tinha se agravado no último semestre.

“Fomos atrás e a Prape dizia que era um problema da Prefeitura. A Prefeitura dizia que era da bomba com defeito. Disseram que tinham que comprar uma bomba de R$ 16 mil e que era cara. Cansados fizemos um protesto porque soubemos que tinha um evento sobre aproveitamento de água”, comentou, destacando que foram até a bomba e que não havia problema estrutural, apenas determinação de fechar o registro após a saída do funcionário que ocorria às 17h. Por conta disso, Adler Dias informou que os coordenadores fizeram um boletim de ocorrência na Polícia Civil e também planejam um outro boletim na Polícia Federal.

Posicionamento. A reportagem do CORREIO procurou o pró-reitor da Prape, João Wandemberg, para falar sobre os problemas. Ele informou que estava em um evento fora do Estado e que no momento não poderia comentar.

O prefeito do campus, João Marcelo Macêdo, disse que cada um dos assuntos reclamados estão sendo resolvidos. Que os quartos estão sendo reformados, mas o trabalho demora porque só pode ser feito um cômodo por vez, para não fechar a residência.

Sobre a quadra de esportes, Madêdo disse que a empresa abandonou a obra, mas está sendo feita nova licitação. Disse ainda que a empresa que permanece prestando serviço está empenhada nas obras das guaritas, porque segurança é a prioridade. O prefeito finalizou dizendo estar aberto às reclamações dos alunos e que a direção trabalha para ter um ambiente favorável.

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