segunda, 18 de janeiro de 2021

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A 17 km do açude, água chega à Bacia de Boqueirão

Rammom Monte / 12 de abril de 2017
Foto: Divulgação
As águas da Transposição do Rio São Francisco chegaram na madrugada desta quarta-feira (12) na Região do Alto Curso do Rio Paraíba que está localizada na Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba, onde está o Açude Epitácio Pessoa, mais conhecido como Boqueirão. Apesar disto, o presidente da Agência Executiva de Gestão de Águas do Estado da Paraíba (Aesa), João Fernandes, esclareceu que ainda faltam aproximadamente 17 quilômetros para que haja o encontro das águas do Rio São Francisco com o açude de Boqueirão. Segundo ele, a água está hoje passando pelo município de Caraúbas.

“A expectativa é que se continuar chovendo na região de Caraúbas a água avance mais rápido. Mas se for depender apenas do são Francisco, aí a chegada depende de obstáculos naturais. Estamos com equipes em campo e eu tenho sido cauteloso para dar uma data precisa. Agora é a parte mais complicada, na bacia hidráulica, porque a inclinação é menor. Estou com esperança que isto (a chegada das águas) aconteça até o fim do mês. A Aesa sempre falou em 30 a 45 dias. Hoje está a uns 17 km das águas do Boqueirão”, disse.

João Fernandes explicou ainda que esteve na manhã desta terça-feira (11) na Comunidade Ilha grande, no Poço do Matias, e que a chegada das águas ao local aconteceu por volta das 7h, 8h, mas só transbordou próximo a meia-noite, partindo assim para outra localidade. O presidente da Aesa explicou ainda que alguns obstáculos são responsáveis pela demora da chegada da água.

“Ontem cheguei na Comunidade Ilha Grande, no Poço do Matias, e a água chegou por volta de 8h, mas só transbordou às 12 horas da noite e é porque houve uma chuva muita boa de 44mm em Caraúbas . A Aesa tem sido cautelosa, não posso dizer qualquer coisa quanto a data. A gente sempre disse que as águas chegariam entre 30 e 45 dias, ou seja, a partir de 10 de março, seria até 25 de abril. Nós estamos lutando para que os obstáculos que vão ser encontrados sejam removidos para melhorar este processo. Estes obstáculos são lagos, lagoas. A sujeira comparado aos lagos é café-pequeno”, disse.

O presidente ainda falou sobre a possível vinda do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, que deverá vir à Paraíba nesta quinta-feira (13). Segundo João, o ministro precisará se deslocar para outro município para poder se encontrar com as águas.

“Ele (o ministro Helder Barbalho) adiou para amanhã a vinda para a Paraíba. Mas ele é bem vindo. O governo está cumprindo a parte dele. Mas se ele vier, ele vai ter que se encontrar com a água em outro local, porque as águas do São Francisco não vão chegar hoje nem amanhã com as águas do Boqueirão. Se fosse hoje, ele deveria ir lá para a comunidade do Jacaré, que fica no encontro da estrada de Cabaceira com Barra de São Miguel”, disse.

Especialista diz não ter como precisar data da chegada das águas

O ex-secretário de recursos hídricos e especialista em gestão das águas, Francisco Sarmento, afirmou que não tem como prever quando as águas da Transposição do Rio São Francisco chegarão ao Açude de Boqueirão. Segundo ele, a falta de um monitoramento é o principal motivo para a imprecisão.

“Se houvesse gestão adequada no nosso Estado, poderia se dizer com alguma precisão qual é a data dos encontro das águas, a data poderia ser precisa se nos tivéssemos informações de quanto efetivamente esta entrando em Monteiro para o eixo Leste. Não é dizer que o ministério declara que esta entrando X, função da Aesa medir quanto está entrando e acompanhar este trajeto das águas. Poderiam ter instalados ponto de controle durante o trajeto. São 156 km aproximadamente desde Monteiro até Boqueirão”, disse.

Segundo ele, além de saber precisar a data, um monitoramento seria uma boa oportunidade para se estudar o comportamento hidrográfico da Paraíba.

“Para muito além de precisar a chegada das águas, a gente poderia ter uma fonte de dados importantíssima para entendimetno de hidrogeologia do semiárido. Com esta falta de monitoramento, se perde uma oportunidade ímpar de se estudar o comportamento dos aqüíferos na bacia do rio Paraíba. As águas vão chegar de qualquer forma, mas nós sabemos nem quanto está entrando nem quanto se perde neste trajeto e muito menos quanto e quando chegará em Boqueirão. Mas vai chegar nos próximos dias, a quantidade só saberemos quando subir e vamos calcular em média”, explicou.

Por fim, Sarmento disse ainda que o fim do racionamento em Campina Grande depende diretamente da vazão de água que chegará no açude Epitácio Pessoa.

“A Cagepa está partindo do principio que vão ser 5 mil litros por segundo. Ninguém pode confirmar agora, mas se isto se confirmar, só acaba o racionamento em 2 meses. Se for menor, o fim do racionamento terá que ser postergado. Porque só acaba o racionamento depois de sair do volume morto, e para sair precisa de 34 milhões de m³”, finalizou.

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