sábado, 23 de janeiro de 2021

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Adele ganha 5 prêmios no Grammy 2017

André Luiz Maia / 14 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
Nada muito fora do esperado. O Grammy de 2017 trouxe algumas surpresas aqui e ali, mas no que se refere às principais premiações da noite, não era difícil de prever que Adele sairia triunfante. Com um hit massivo, "Hello" (performance solo de pop, gravação do ano e música do ano), e um disco que já vendeu mais de 20 milhões de cópias físicas (!) em um tempo em que o streaming domina, era esperado que a indústria da música celebrasse seu sucesso, premiando a britânica com cinco estatuetas.

Logo no início da interminável cerimônia, Adele interpretou "Hello", carro-chefe do disco 25, de forma impecável. Em sua segunda aparição, um erro: durante o tributo a George Michael, cantando "Fastlove", ela interrompe por estar cantando fora do tom e solta um palavrão sem querer. Apesar disso, a performance, então reiniciada, seguiu de maneira normal. O ao vivo foi mediano, só ganhando força perto do final, mas ainda assim respeitoso à memória do músico morto no ano passado.

Depois, ao ganhar o principal prêmio da noite, o Disco do Ano, protagonizou um momento hilário: fez declarações apaixonadas ao disco de uma de suas concorrentes na categoria, o Lemonade, de Beyoncé. Com forte carga política e centrado nas dores e estigmas dos negros na sociedade americana, Adele disse que o disco merecia ter ganho e que as mensagens contidas nele eram "empoderadoras" a seus amigos negros.

Algumas fotos mostrando Adele com a estatueta do Grammy quebrada em duas, clicadas logo após a transmissão televisiva fizeram surgir boatos de que a própria cantora britânica havia feito aquilo para dividir simbolicamente o prêmio com Beyoncé, mas tudo não passou de mais uma trapalhada adorável de Adele, que teve o prêmio substituído logo em seguida.

Mesmo Beyoncé não tendo levado os prêmios principais – ela levou apenas prêmios pelo videoclipe "Formation" e em sua categoria de nicho –, ela foi um dos destaques das performances musicais da premiação. Grávida de gêmeos, ela incorporou Oxum, orixá do candomblé que representa a beleza, o amor, a riqueza e a fertilidade, realizando uma uma performance que celebra o feminino e eleva a gravidez ao status de poder ao invés de fragilidade. Na noite, também houve tributos aos Bee Gees e a Prince, este último contando com a presença de Bruno Mars.

Não faltou política nas apresentações da premiação, até mesmo de Katy Perry, com sua nova música, "Chained by the rhythm", que critica o governo Trump de forma indireta e alerta à população sobre as tão faladas "bolhas sociais" que causaram distorções durante o processo eleitoral norte-americano ano passado. O grupo de hip-hop A Tribe Called Quest trouxeram uma clara mensagem de repúdio ao presidente atual dos Estados Unidos, chegando inclusive a compará-lo a um herbicida utilizado durante a Guerra do Vietnã. Durante a performance, o grupo ainda atravessou um “muro” feito no palco, em alusão ao que Donald Trump quer expandir na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

David Bowie, assustadoramente, levou seu primeiro Grammy musical apenas em 2017. A reparação dessa injustiça histórica foi feita com cinco premiações, todas acerca de seu último disco, Blackstar. Outro fato histórico foi a vitória de Chance the Rapper na categoria revelação, a primeira de um artista de hip-hop em 18 anos.

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