quarta, 22 de maio de 2019
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A dupla Anavitória se apresenta em João Pessoa, no Teatro Pedra do Reino

André Luiz Maia / 26 de agosto de 2017
Foto: Divulgação
A sonoridade acústica e doce da dupla Anavitória vem conseguindo figurar entre as músicas mais tocadas nas rádios em meio à predominância do sertanejo nas paradas de sucesso brasileiras. Batizado de pop rural (referência ao rock rural surgido nos anos 1970), as canções acústicas apresentadas pela goiana Ana Caetano e a tocantinense Vitória Falcão estão na boca e dedos de adolescentes e jovens conectados à internet, principal plataforma de divulgação dos trabalhos das duas.

Depois de uma performance em Campina Grande, elas aportam em João Pessoa para um show no Teatro Pedra do Reino. O caminho entre as gravações caseiras divulgadas pelo YouTube que chamaram a atenção de artistas como Tiago Iorc até a performance em um dos maiores teatros do país é relativamente curta – mas nada surpreendente em tempos de hiperconectividade.

Há dois anos, elas se juntaram e começaram a apresentar através da plataforma as canções autorais e covers de músicas com uma roupagem minimalista. Um dos primeiros foi o vídeo para “Um dia após o outro”, de Tiago Iorc. Ao ouvir, o artista divulgou a versão e logo depois puderam se encontrar pessoalmente.

“Tiago foi nosso empurrão inicial. Somos gratas infinitamente por isso! Aprendemos e continuamos aprendendo muito com ele. Existe uma admiração linda entre a gente”, enfatiza Vitória Falcão, em entrevista ao CORREIO. A parceria resultou em uma música no disco de estreia da dupla, Anavitória, lançado no ano passado, “Trevo (Tu)”.

Para se apresentarem ao Brasil e se diferenciarem do sertanejo, gênero que costumeiramente eram encaixadas, a dupla criou o termo “pop rural”. “Pra dar nome pro mundo, o pop rural nasceu, mas no fim das contas é tudo música e a gente não restringe nada porque amamos todo tipo de som”, explica Ana Caetano. Essa abertura proporciona encontros a princípio inusitados.

Parcerias no campo da música também são estratégias de mercado para fazer com que artistas cheguem até outros ouvintes, fora de seu público-alvo, algo que no marketing é chamado de cross-branding (cruzamento de marcas). A canção “Fica” veio do encontro com a dupla sertaneja Matheus & Kauan, do vizinho estado de Goiás (a base da dupla é Tocantins), e ainda está no universo comum de Anavitória.

No entanto, “Linda”, canção de Projota com toque urbano mergulha a dupla no R&B. “Os convites de se misturar nasceram de forma muito natural, que seja sempre assim. De se conectar pro passeio chegar, a gente tem muito essa vontade, deixa o tempo chegar”, completa Ana.

Ana e Vitória são de Araguaína, a segunda maior cidade do Tocantins, um estado relativamente novo na federação. O simbolismo do novo também se reflete na pouca idade da dupla, ambas com 22 anos. Fundado oficialmente em 1988, o que era antes o norte de Goiás se tornou um estado independente. E, principalmente por isso, ainda não está frequentemente no imaginário do povo brasileiro. “O Tocantins é um estado bem novo e ainda tá se firmando culturalmente. Tem uma cena muito forte do sertanejo pelo Goiás ali do lado, mas se escuta muito forró e na nossa cidade tem uma comunidade forte do rock. E hoje acaba que nesse tempo da vida tecnológica, se escuta muito o que o mundo todo escuta também”, pontua Ana Caetano.

Há muita confusão a respeito de Anavitória. Tem gente que ainda não conhece e acha que é uma pessoa só, um nome composto unido apenas por questão estética. Também há quem pense que são irmãs ou até mesmo namoradas. Nada disso. Embora se conhecessem desde pequenas por estudarem na mesma escola, a amizade só veio surgir mesmo em 2013, por conta da afinidade musical. “Ana tem uma família muito musical, uns cantam outros tocam. Lá em casa, meu pai foi quem plantou a sementinha do lado de cá. Nós duas sempre fomos cantantes desde ‘badequinhas’”, esclarece Vitória Falcão, dizendo que a relação diária entre elas fortalece a paixão de ambas pela música.

Ainda no campo das informações trocadas, algo recorrente ao procurar o nome da dupla pela internet é ver pessoas perguntando se elas formam um casal. Ana e Vitória acham a curiosidade engraçada, mas não se sentem incomodadas com a pergunta. Mas questionam essa curiosidade sobre a sexualidade dos artistas de maneira geral.

“O ser humano é curioso por si só e isso não é um problema. Sexualidade não é um tabu pra nós duas, pelo contrário! É um assunto recorrente aqui. Mas existe uma expectativa sobre isso que não faz muito sentido e diz muito respeito ao gênero. Conversamos sobre isso esses dias... Numa dupla de garotos, o imaginário não vai pra esse lado. Isso vem de um histórico sexista e machista”, critica Vitória.

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