terça, 26 de janeiro de 2021

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‘A aluna e a metonímia’ é o título da coluna de João Trindade

João Trindade / 08 de abril de 2018
Foto: Rafael Passos
A aluna e a metonímia

Quando dava aula no Colégio Pedro II (no início de minha carreira), deparei-me com uma situação engraçada, em razão da Metonímia.

Metonímia, como todos sabem, é a figura de linguagem em que se substitui um elemento por outro, devido a uma relação objetiva que pode ser: da parte pelo todo; do continente pelo conteúdo; do autor pela obra; do instrumento pela matéria; da causa pelo efeito, etc.

É bom lembrar, no entanto, que nem todas as metonímias são classificáveis, cabendo ao candidato à pessoa reconhecer a substituição, independentemente da classificação citada; apenas exemplificativa.

Para ilustrar o que foi dito no parágrafo anterior, basta pegarmos este exemplo, extraído da obra de Nélson Rodrigues, e já cobrado em questão de concurso:

“Ela ria um riso desdentado.”

Por que é metonímia? Porque houve a substituição de riso por boca (a boca é que é desdentada; e não, o riso). Note que tal metonímia não se enquadra nos tipos clássicos,  citados anteriormente.

De modo que quando o “eu lírico” da música de Chico Buarque diz:

“Devolva o Neruda

que você me tomou

E nunca leu...”

Está usando uma metonímia. Entenda-se: Devolva o livro de Pablo Neruda que você me tomou, e nunca leu.

Pois bem. Uma das situações engraçadas provocadas por tal figura foi a seguinte:

Um dia, dando aula no colégio já aludido, afirmei:

- Exemplo de Metonímia, pessoal:

“Não sejas um Calabar”.

Uma aluna perguntou:

- Professor, o que é Calabar ?

- O que é não, fulana; quem foi! Resumi, então, a história de Calabar para ela e para a turma.

Em seguida, dei outro exemplo:

- O galináceo foi parar na panela.

Aí a mesma aluna perguntou:

- Professor, quem foi Galináceo?

- Quem foi não, fulana; o que é! Galináceo é uma metonímia usada para substituir galinha.

E para encerrar, dei como exemplo de Metonímia:

- O rapaz completou vinte primaveras.

Um aluno:

Por que vinte primaveras, professor?

Porque se escolheu, metonimicamente, o termo primaveras para significar a passagem do tempo (= idade).

- E se a pessoa tivesse nascido no verão?

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