domingo, 19 de maio de 2019
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Autismo: a importância de ficar atento para os sinais

Lucilene Meireles com assessoria / 02 de abril de 2019
Foto: Reprodução
Quando a criança apresenta atraso na fala e não faz contato visual, os pais precisam ficar atentos, pois estes podem ser sinais de que ela tem autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na Paraíba, a Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), referência no atendimento à pessoa com autismo no Estado, atua diariamente nos cuidados com este público, atendendo mais de 400 usuários. Hoje, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, profissionais alertam para a importância do diagnóstico precoce.

O psiquiatra Mario Louzã, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, na Alemanha, e membro filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, destacou que o diagnóstico começa pela observação do comportamento da criança.

Ele explicou que o TEA envolve um grupo de doenças do neurodesenvolvimento, de início precoce, ou seja, antes dos 2,3 anos de idade, e que se caracteriza por dois aspectos principais: dificuldade de interação social e de comunicação.

“Uma criança sadia começa a interagir com outras pessoas em torno dos 4 a 6 meses de idade. Ela é capaz de sorrir quando vê alguém conhecido ou reagir com medo se um estranho, por exemplo, tenta pegá-la no colo”, explicou.

Na medida em que a criança cresce, o amadurecimento permite que a interação com outras pessoas se torne possível antes da aquisição da linguagem e da fala. Segundo ele, estas evoluções ao longo dos primeiros anos de vida dão indicações do progressivo aumento da capacidade de interação social da criança.

Já na criança autista, quando vai crescendo, o desinteresse em brincar com outras crianças se torna mais nítido. É comum ela se isolar e dar preferência a uma única atividade. Além disso, apresenta movimentos repetitivos. Outra característica é a dificuldade de seguir rotinas, além de apresentar hipo ou hiperatividade aos estímulos sensoriais.

Integração e preconceito. A integração do autista na sociedade ainda é um desafio, apesar das discussões sobre o assunto. “Infelizmente, ainda há muito preconceito, principalmente por parte das crianças, que não têm o poder de compreensão de um adulto, e excluem o autista. Por incrível que pareça, há até mães e pais que evitam a amizade de seus filhos com as crianças portadoras do TEA, o que é uma triste ignorância”, observou o psiquiatra Mario Louzã.

Para quem tem filho autista, a melhor dica é motivá-lo a levar uma vida normal, na medida do possível. “Incentive-o nas atividades, estimule-o a fazer tarefas em casa e, quando ele perceber suas próprias limitações, explique que as pessoas são diferentes, e que tem gente que consegue fazer certas coisas, e outras, não”. Ele lembrou que, se for o caso, há escolas com maior preparo para integrar um autista em uma classe comum.

Ainda segundo o especialista, mesmo quando a criança for maior e tiver ciência do seu autismo, a recomendação é nunca deixá-la pensar que é incapaz ou inferior a outras pessoas. De acordo com o psiquiatra, o apoio da família é sempre o melhor tratamento para qualquer tipo de transtorno.

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