domingo, 16 de maio de 2021

Forró
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‘Festa do Bode Rei’ abre o São João em Cabaceiras

Renata Fabrício / 03 de junho de 2018
Foto: Arquivo
Foi a cidade de Cabaceiras que abriu a temporada de festas juninas em todo o Estado com a tradicional Festa de ‘Bode Rei’, que começou na sexta-feira. E agora os forrozeiros contam os dias para que os fogos no céu anunciem, com “Olha pro céu, meu amor”, o início do Maior São João do Mundo em Campina Grande. Este ano a festa, que é uma das mais aguardadas por turistas de todo o Brasil, foi adiada três dias antes do início e aumentou ainda mais a ansiedade do público. Agora faltam apenas cinco noites para o Parque do Povo preencher seus 42 mil metros quadrados com muito forró.

São 76 grandes atrações no Palco Principal “Pinto do Acordeon” e animados trios de forró em outras duas palhoças, no palco da Pirâmide e no Palco Ton Oliveira. Para o leitor embarcar na festa e no clima junino, o Correio relembra a história desta tradição nordestina de festejar São João, que começou ainda em tempos de Brasil Colonial.

Herança indígena, as festas juninas comemoravam com muita comida, bebida e danças as bênçãos pelos mantimentos, que era também uma forma de agradecer aos deuses pela vida

“O que entendemos hoje como manifestações juninas vem dos tempos em que os indígenas comemoravam a colheita do milho, que era um dos principais alimentos desses povos. O solstício de inverno em nosso hemisfério ocorre normalmente no dia 21 de junho e nestes dias os nativos celebravam com uma bebida fermentada tradicional indígena feita a partir do milho ou cauim. Estas festas duravam entre dois ou três dias, continuamente regada com cauim, fogueiras, cantos e danças ininterruptas e se davam como agradecimento aos deuses da natureza pelo suprimento das necessidades”, diz o presidente do Instituto Histórico de Campina Grande, Vanderley de Brito.

A transformação das festas da colheita aconteceu com o tempo e a celebração, até então pagã, entrou no calendário cristão através da intervenção de padres e frades em missão entre os povos cariris, que viviam ao longo do Rio São Francisco.

“O sistema missioneiro buscou introduzir o cristianismo e um modo de vida europeizado integrando vários dos valores culturais e tradicionais dos próprios índios como referenciais, desde que não entrassem em conflito direto com os conceitos básicos na nova fé. Neste sistema de adaptar tradições indígenas, eles aproveitaram o santo cujo dia se aproximava à data da festividade da colheita do milho, São João, de modo a adaptar uma festa pagã ao calendário cristão”, explica o historiador.

E assim “nasceram” as festas de São João, que hoje conhecemos, e que na Paraíba tiveram grande contribuição de freis capuchinhos com centros missionários que se estendiam pelas áreas de Campina Grande, Fagundes, Pilar, Alagoa Nova e Boqueirão. O forró já estava nas veias do povo, que comemorava os dias dos santos juninos com fogueira, comidas de milho e quadrilhas, na rua ou em clubes tradicionais.

Uma emoção que se renova

O cantor Flávio José, que se apresenta no dia 6 de julho e que já levou nosso forró até mesmo para o Japão, diz que é impossível não se emocionar ao subir ao palco do Maior São João do Mundo, onde sua carreira decolou.

“Quando eu era criança, tocávamos na beira da fogueira ao lado da minha família. A música nordestina era prioridade na festa. Minha primeira participação em Campina Grande foi em 1991 por conta do sucesso da música ‘Que Nem Vem Vem’, de autoria de Maciel Melo, e em 1992 com ‘Caboclo Sonhador’, também de Maciel Melo. Estar no São João de Campina é uma honra, porque eu posso dizer que foi onde tudo começou. O pontapé inicial para minha carreira decolar e ter reconhecimento”, diz Flávio.

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