domingo, 28 de fevereiro de 2021

Família
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Trinta anos depois de separadas, mãe e filha paraibanas se reencontram

Luís Eduardo Andrade / 15 de julho de 2017
Foto: Internet
Uma história que poderia ser roteiro de cinema. Uma filha reencontra sua mãe após mais de 30 anos separadas. E o relato que poderia ter sido de um filme de drama, aconteceu na Paraíba. Odete Belarmino foi obrigada a deixar sua filha Eliane, de apenas dois anos na época, pois não aguentava mais as agressões do esposo. O destino foi Goiás. E hoje, 32 anos depois, as duas se reencontraram graças a, segundo elas, um milagre promovido por Nossa Senhora de Aparecida.

A jornada de Eliane e Odete começou no ano de 1984, quando a mãe precisou fugir de sua casa, na comunidade do Guaxinduba, próximo à Barra de Gramame, porque não aguentava mais sofrer agressões de seu esposo. O destino foi a cidade de Rio Verde, no estado de Goiás. Na mala, Odete levou a saudade e, no peito, um coração apertado em deixar a filha sob os cuidados da irmã.

No Centro-Oeste do Brasil, dona Odete teve a oportunidade de recomeçar a sua vida. Casou e teve outra filha. Mas as lembranças da primeira, que deixara na Paraíba, permaneciam constantes. Assim como o medo de voltar para casa. Enquanto isso, em Guaxinduba, Eliane crescia e construía sua vida. Casou e teve duas filhas. Mas o desejo de reencontrar sua mãe permanecia firme.

Durante todos esses anos, uma coisa unia mãe e filha: a fé. Odete coordenava a capela do Hospital Presbiteriano Dr. Górdon, em Rio Verde. E, na Paraíba, Eliane era sacristã e membro da capela de Nossa Senhora de Aparecida, na comunidade em que vive. E era justamente à santa que a filha pedia que sua mãe voltasse. Até que um dia, suas preces foram ouvidas através do esforço do doutor Cadete, médico e um dos colaboradores da capela de Eliane. “O doutor cadete foi um anjo na minha vida. Através dele foi que eu encontrei minha mãe. É por conta dele que hoje eu posso dar um abraço nela”, revela Eliane.

De acordo com o doutor Cadete, em todos os dias das mães Eliane rezava à Nossa Senhora de Aparecida para que pudesse reencontrar dona Odete. A situação da moça sensibilizou o médico que decidiu fazer algo para ajudá-la. “Estávamos em um momento de oração e eu senti a moção de pesquisar o nome da mãe de Eliane. E encontrei uma referência na capela do Hospital Prespiteriano Dr. Gordon, em Goiás. O mais interessante é que as duas nunca participaram de formação religiosa. Nunca tiveram contato. E ambas tomam conta de capelas. Uma presbiteriana e uma católica”, salienta Cadete.

A partir daí, o médico iniciou contatos com pessoas ligadas a dona Odete, em Goiás, para saber se ela ainda tinha interesse em conhecer a filha perdida. Cadete conseguiu conversar com a filha de Odete que contou a boa nova à sua mãe. Muito emocionada, a mãe decidiu voltar. E na última segunda-feira (10), Odete desembarcou na Paraíba onde vai passar três meses. Eliane narra o emocionante encontro. “É uma vitória muito grande. Fazia 32 anos que eu não a via. Não sabia nem como era o rosto dela, já que eu nunca tinha visto. Depois desse tempo, tive a maior vontade de ver minha mãe e de conhecer minha família de lá”, afirmou. Dona Odete também confirma a felicidade. “É muito maravilhoso a sensação. Eu confesso que não sei nem explicar. É uma emoção grande”, diz emocionada.

Milagre de Aparecida

Ainda segundo o doutor Cadete, o reencontro contou com a intercessão de uma pessoa especial. “Nós fazíamos muitas orações e todos os dias das mães ela pedia para reencontrá-la. No ano passado, depois da festa de Nossa Senhora de Aparecida, nós nos reunimos e Eliane fez uma oração, um pedido, e nós sempre pesquisávamos se alguém tinha encontrado o nome dela. Até que houve a revelação em oração. Isso tem que ser reconhecido como milagre de 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida”, constata.

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