domingo, 07 de março de 2021

Família
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IBGE revela que 51% dos lares do país já não são formados por pai, mãe e filhos

Beto Pessoa / 27 de agosto de 2017
Foto: Arquivo Pessoal
Em agosto é comemorado o Mês da Família, evento organizado por representantes da igreja católica para celebrar o modelo tradicional das relações de parentesco. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam, entretanto, que 51% das casas brasileiras já não são compostas por pai, mãe e filhos, assumindo arranjos e filiações mais diversificados. Neste impasse de ideias e conceitos, fica a pergunta: como se configura uma família?

O IBGE, através do Censo de 2010, identificou 19 laços de parentesco no país. O modelo tradicional de família, composta por um casal heterossexual e filhos, esteve presente em 49,9% dos domicílios, enquanto a maioria, 50,1%, afirmaram fazer parte de outras configurações de parentesco. Entre elas, as famílias homoafetivas, que, segundo o Censo 2010, já são 60 mil no Brasil, 53,8% delas comandadas por mulheres.

Uma dessas é a família de Gabriella Araújo e Julia Guedon. Casadas há 7 anos, elas criam Sandro Araújo, o Sandrinho, de 8 anos.

Ensinamentos. De irmão mais novo, Sandrinho passou a ser filho, amigo e companheiro, características essenciais para se constituir uma família, destaca Gabi Araújo. “Família é cuidado, respeito, dedicação, amor, zelo. É alicerce, conforto. São as pessoas que você escolhe amar e contar para o que der e vier. Todos os dias ensino Sandrinho a respeitar os outros, sobretudo às mulheres, combatendo machismo desde cedo. Respeitando ao próximo, ele pode ser quem ele quiser”, disse.

Afeto e companheirismo: palavras-chave quando se conceitua uma família, é o que defende Julia Guedon, companheira de Gabi. “Sempre me pareceu natural casar com outra mulher, estranho seria discordar de uma coisa pura como o amor que se sente por alguém. Mas quando a gente começa a notar o olhar estranho dos outros, você passa a se questionar, se perguntar se está no melhor caminho”.

Julia diz que no dia a dia com Sandrinho fortaleceu seus ideais sobre relações e configurações familiares. “Quando Sandrinho entrou nas nossas vidas passei a não temer os julgamentos. Ensinar a uma criança o significado de respeito e amor, notar que ela aprende com muita facilidade, traz uma mudança na sua percepção. Se uma criança pequena entende que amor é bacana, independentemente do gênero do casal, que absurdo seria nos questionarmos”, disse Julia.

"Eu tinha 21 anos quando a minha mãe faleceu. Sandrinho, que também é filho dela, era muito pequeno. Assumi esse papel e responsabilidade de forma orgânica, pois, naquela situação, era o único caminho possível", disse Gabriella Araújo.

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