quarta, 17 de julho de 2019
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Verba pode ser suspensa e times tentam ‘driblar’ Governo

Amauri Aquino / 06 de janeiro de 2018
Foto: Divulgação
A declaração do secretário de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) do Governo da Paraíba, Bruno Roberto, dada esta semana durante a reunião da Comissão de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios da Paraíba, na sede do MP-Procon, levantou uma grave denúncia: mesmo convocados pelo órgão desde novembro, os clubes ainda não prestaram contas da contrapartida social, requisito para que possam receber as cotas do Programa Gol de Placa.

Por isso, o político adiantou que o pagamento para 2018 pode ser suspenso por “falta de interesse dos próprios clubes”, já que segundo ele: “a Sejel precisa receber a prestação de contas da contrapartida social, realizada pelo clube durante o ano”.

A fala do secretário trouxe dúvidas quanto ao artigo 7 da lei, onde diz que “os beneficiados obrigam-se a disponibilizar pessoal capacitado e recursos materiais para o atendimento dos alunos das Escolas Públicas Estaduais e Municipais, através da realização de aulas de futebol, palestra sobre esportes, o condicionamento físico e recreação, segundo cronograma estabelecido e previamente aprovado pela Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer”.

Com isso, o Correio resolveu levantar com os clubes, a posição dos dirigentes sobre o assunto.

Em 2017, os times da Primeira Divisão colocaram juntos nos cofres a quantia de R$ 3,2 milhões, sem falar daqueles que disputaram torneios nacionais, que é o caso do Botafogo, Campinense e Sousa, que dividiram um aditivo de R$ 500 mil. O Alvinegro da Estrela Vermelha, por exemplo, abocanhou sozinho pouco mais de 32%.

Para 2018, e em relação à temporada anterior o Programa terá um aumento de 24,28%, e chegará inicialmente a premiação final de quase R$ 4 milhões. Isto porque, em 2017, os três maiores beneficiados ainda tiveram um aditivo de um pouco mais de 166 mil reais para cada um. Ou seja, se repetir o adicional esse valor poderá chegar a quase R$ 4,5 mi. O total corresponde à soma das cotas de participação nas quatro fases do estadual, além dos clubes que participarão da Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Brasileiro da Série C e D. Quando indagados a respeito do tema, dirigentes dos clubes divergem se precisam ou não, enviar a documentação ou realizar o projeto.

Nascido em 2008, pela Lei Nº 8.567, de 10 de junho, o incentivo é o que tem ‘sustentado’ os times do futebol paraibano nos últimos anos. Uma das obrigações dos beneficiários é expor a logomarca do Governo nos uniformes, banners e internet.

Veja o que dizem os clubes

Em contato com o presidente do Atlético de Cajazeiras, Alysson Lira, garantiu que a obrigação do time cajazeirense fica ainda na troca do cupom. “A única coisa que nos passaram foi para fazer o troco do cupom fiscal pelo ingresso”. Ele ainda fez uma ressalva de que hoje, dentro da gerência da equipe do Trovão, “tem a responsabilidade na contratação de jogadores e nas viagens do elenco”, com isso, garantiu que o time vai viabilizar a documentação.

Já no Auto Esporte, o presidente Watteau Rodrigues garantiu que o Macaco Autino já fez a entrega do material. “Na quinta-feira entregamos o documento definitivo, protocolado evidentemente, para que não descumpramos com o programa. A contrapartida é lei e não fugiremos à nossa responsabilidade”, concluiu o mandatário.

O Botafogo foi outro que não ficou pra trás. Dono da maior arrecadação em 2017, o diretor executivo Franciscos Sales pontuou que o clube manterá os trabalhos sociais e a documentação será entregue o quanto antes: “O Botafogo foi o único a apresentar contrapartida no ano passado e dentro dos próximos dias, enviaremos a atualização para 2018”.

É o caso do Campinense, que de acordo com o gerente administrativo, Fábio Carvalho, a raposa mantém um trabalho na base, com alunos da rede estadual de ensino, além de palestras em escolas, visitas em institutos. Contudo, o dirigente ponderou a colocação do secretário e disse que não existe dentro da lei algo que impeça o recebimento por parte da agremiação. “Nós compactuamos que todos devem fazer algo, ter ideias, mesmo que seja pouco. Mas que tudo possa ser feito dentro das condições de cada clube. Acho que existiu uma falta de comunicação, pois temos uma situação social dentro da própria lei, e isso nos garante o repasse”, disse.

Direto também foi o presidente do Sousa, Aldeone Abrantes, que disse não saber da “nova” medida e ratificou a fala de Fábio: “Não tomamos conhecimento dessa medida. Até porque a política social está inserida no próprio projeto”.

Para Josivaldo Alves, presidente do CSP, foi feito um acordo para que o ingresso fosse concedido ao torcedor em troca do cupom fiscal, como diz a lei, já é a compensação dos clubes. “O Governo simplificou em troca disso, ficamos na responsabilidade dos ingressos. Se o novo secretário pensa algo diferente, vamos da melhor maneira possível encaixar mais fórmula para melhor entendimento”, resumiu.

A reportagem fez contato com o diretor de futebol do Treze, Fábio Azevedo. Por estar em viagem com a equipe por causa da Copa do Nordeste, o dirigente explicou que o Galo da Borborema seguirá com o mesmo trabalho, e prometeu para os próximos dias um esclarecimento maior a respeito do caso.

Até o fechamento desta matéria, a reportagem do Correio da Paraíba não conseguiu uma resposta da diretoria do Grêmio Serrano sobre a contrapartida do Programa Gol de Placa. Já a Desportiva Guarabira e o Nacional de Patos vão receber a partir de 2018 os mesmos 44,5901% destinado aos times que não disputam as competições nacionais, tendo em vista que conseguiram o acesso à Primeira Divisão em 2017. Logo, as equipes se garantem com a bagatela de pouco mais de R$ 221 mil.

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