sexta, 22 de janeiro de 2021

Esportes
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Sem apoio, equipe paraibana de ginasta não deve participar do Brasileiro

Raniery Soares / 04 de outubro de 2015
Foto: Rafael Passos
A dificuldade que um ginasta tem para desenvolver a sua performance em qualquer um dos equipamentos componentes do esporte, não chega nem perto dos problemas que a seleção paraibana de ginástica artística tem enfrentado para seguir se destacando no cenário nacional da modalidade. Sem dinheiro, os atletas correm o risco de ficarem fora do Campeonato Brasileiro programado para o próximo dia 14, em Porto Alegre (RS).

A equipe formada por Vitória Teixeira, Ana Gabriella Savina, Murilo Henrique e Luan Vasconcelos, coordenados pela experiente professora Kaethy Little treinam diariamente no Esporte Clube Cabo Branco. Considerada uma das melhores seleções do país, sempre conquistando importantes títulos nas competições nacionais, a seleção até agora conseguiu apenas as inscrições, faltando ainda as passagens aéreas e hospedagem para que eles possam defender o nome da Paraíba no torneio.

Esta seria a terceira vez que a seleção ficaria fora do Brasileiro nos últimos oito anos, sendo a primeira por falta de recursos. Em 2011 e 2012, a ausência se deu pois a seleção teve que ser desformada, já que os atletas deixaram de lado o interesse por competir por conta das dificuldades de sempre. Kaethy garante que a parte financeira sempre foi um problema, onde por diversas vezes, os paraibanos só conseguiram viajar em cima da hora.

"Todos os anos está história se repete na minha e também na vida dos nossos atletas. Somos a seleção paraibana, representamos o nosso estado nas competições Brasil à fora, mas infelizmente corremos este risco de ficarmos fora, exatamente pela falta de recursos. Chega a ser desestimulante, pois você empenha todo um esforço nos treinamentos, exatamente com o sonho de chegar nos torneios e dar o melhor de si, mas como?", questiona a treinadora.

O sonho que já não mais existe

Quando se começa a praticar algum esporte desde criança, se torna inevitável o sonho de chegar até a seleção brasileira. No caso das ginastas Vitória Teixeira e Ana Gabriella Savina não foi diferente. Hoje com 18 anos, elas começaram na ginástica artística com nove e colecionam com muito orgulho os títulos de campeã brasileira em 2013 e 2014, respectivamente. Porém, já sem sonhar mais com a conquista do patamar de serem atletas de ponta, elas resolveram trilhar o caminho da carreira jurídica.

“Já estamos a quase dez anos praticando o esporte. Começamos ainda criança, mas desde sempre enfrentamos esta dificuldade com relação a competições e por isso, eu e Gabriella resolvemos entrar na universidade para cursar direito e seguir um novo caminho, sem esquecer a prática do esporte, mas deixando de lado o sonho de ser uma atleta de alto rendimento, como um dia imaginamos”, revelou Vitória.

Mesmo diante das dificuldades, com muito gosto ela fez questão de contar como se deu o seu início no esporte. “Tudo surgiu como uma brincadeira na escola. Como eu era criança, não sabia que existia propriamente o esporte, nem que muito menos ele fazia parte das modalidades olímpicas. Eu e Gabriella começamos com o professor Luciano Cardoso e até hoje continuamos no esporte, só que com a professora Kaethy”, disse.

O futuro da ginástica paraibana

Para garantir que este trabalho tenha continuidade, a técnica Kaethy Little investe na formação de novos atletas para a ginástica artística paraibana. Ginasta até os 15 anos e campeã brasileira de mini-trampolim, através de um trabalho de escolinhas junto à seleção, ela reúne crianças a partir dos seis anos que já pensam em se transformarem em atletas.

“Nós desenvolvemos este trabalho, que eu considero importantíssimo para as crianças, exatamente por conta da faixa etária que elas começam. A ginástica proporciona força, flexibilidade, coordenação motora e principalmente coragem para encarar medos e desafios. Hoje, os atletas que estão na seleção começaram desta forma, ainda com pouca idade e conseguem ‘meter medo’ nos ginastas dos outros estados”, garantiu.

Ana Gabriella Savina, Luan Vasconcelos, Murilo Henrique e Vitória Teixeira ficam contentes ao saberem que servem como referência para as crianças ginastas. “Como nós treinamos juntos, é possível ver os olhos deles brilhando quando nós executamos algum movimento, seja na barra ou no solo. Me alegra muito saber que somos referência para elas e espero que um dia seja possível elas competirem sem toda esta dificuldade de patrocínio que hoje nós enfrentamos”, afirmou Vitória.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba. 

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