quarta, 22 de novembro de 2017
Basquete
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Pequeninos Rhema insere Paraíba no roteiro do basquete profissional

Raniery Soares / 18 de outubro de 2015
Foto: Rafael Passos
Um projeto iniciado este ano na Paraíba está inserindo o Estado pela primeira vez, no basquete profissional. Com um nome nada comum, o Pequeninos Rhema já está garantindo em pouco tempo, um espaço para que os atletas que saem da modalidade no desporto escolar possam continuar sonhando em se tornarem jogadores de alto rendimento.

A porta de entrada foi a Liga Nacional de Basquete (LNB), através da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), que é o campeonato brasileiro de base, agregando equipes de todo o Brasil na categoria sub-22. Porém, tudo surgiu através de uma ideia de três paraibanos: Isaac Victor, Carlos Douglas e Marcelo Eduardo, como conta o pastor Jairo Pacheco, responsável pela ONG IDE Projetos Sociais, mantenedora do time.

“Eles tinham uma ideia de inscrevermos um time na Copa Rainha da Borborema no ano passado. Já tínhamos a vontade de agregarmos o Pequeninos ao segmento esportivo e esta foi a porta de entrada. Agora, o nosso próximo passo é formar um time só com jogadores paraibanos”, disse.

Para competir com grandes equipes como Palmeiras, Pinheiros, além dos vizinhos Sport Recife e Basquete Cearense, era mais do que necessário formar um time competitivo. Assim, a convocada para esta missão foi a pernambucana Mônica dos Anjos, ex-jogadora e que começou sua carreira como técnica há aproximadamente duas décadas nas categorias de base do Náutico (PE).

O projeto Pequeninos

Com sede na cidade de Soledade, no Curimataú paraibano, o projeto Pequeninos tem como principal objetivo trabalhar com crianças de um alto nível de carência. Todos os participantes recebem acompanhamento em disciplinas como português, matemática, inglês, espanhol e também desenvolvem atividades envolvendo música, artes, teatro e principalmente educação física.

Em relação ao basquete, o Pequeninos também tem como interesse massificar o esporte na Paraíba. Nas atividades realizadas com as crianças, os que são identificados com aptidão para o esporte recebem um kit com uniforme e tênis. Segundo a direção do projeto, Campina Grande foi escolhida como cidade sede do time profissional por oferecer uma melhor logística, tanto na parte de treinamentos, como em itens indispensáveis para a vida: saúde e educação.

“Este é um dos melhores caminhos que poderíamos encontrar para motivar as nossas crianças. Desenvolvemos outras atividades esportivas como lutas, futebol, voleibol, gerando uma boa influência através do esporte. No basquete o passo foi um pouco maior. Hoje temos atletas profissionais, que vivem em Campina Grande e isso vai com certeza provocar um novo estímulo nas nossas crianças”, revelou o pastor Jairo Pacheco.

Um novo momento para o basquete paraibano

Mônica dos Anjos acredita que com o pioneirismo do projeto paraibano para o âmbito do basquete profissional, os olhares para o esporte vão passar para um novo patamar.

“Se crescer, este desenvolvimento vai agregar todo mundo. O alto rendimento atrai, tira a criança da rua e eles vão procurar escolinhas para perder o tempo ocioso que geralmente existe no turno oposto à escola. Uma das grandes vantagens de se ter um clube profissional de basquete é saber que muitos dos garotos que se revelam no desporto escolar podem ter um espaço para continuarem jogando”, afirmou.

Ela ainda ressalta um problema que é recorrente aos esportes chamados ‘amadores’: a falta de estrutura. Mônica revelou a dificuldade que o Pequeninos Rhema tem tido com locais para treinamento e destacou que a preparação feita com equipamentos de qualidade é indispensável, tendo em vista os adversários que o time paraibano encontra nas disputas pela Liga Nacional.

“Temos sempre aquela dificuldade que o esporte dito amador tem, principalmente por falta de apoio, que não é uma característica exclusiva da Paraíba, mas da região Nordeste. Faltam ginásios com pisos adequados, tabelas dentro do padrão, as bolas da Liga são diferentes e o principal, que é dinheiro. Mas, estamos seguindo em frente. O apoio do Rhema e do IDE Projetos tem sido essencial e sei que muita gente está torcendo por nós como atletas, Federação Paraibana de Basquete e as comunidades onde o projeto Pequeninos chega”, garantiu.

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