sexta, 22 de janeiro de 2021

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Mesmo com dificuldades, atleta sonha em brilhar na maratona aquática

Allan Hebert / 17 de dezembro de 2017
Foto: Antônio Ronaldo
Há tempos o Brasil é um dos países mais fortes no cenário mundial da maratona aquática, com atletas de alto nível como Ana Marcela Cunha, Poliana Okimoto e Allan do Carmo, que estão sempre conquistando resultados importantes. O bom desempenho deles vem sendo inspiração para alguns jovens que sonham em seguir seus passos. Na Paraíba existe uma atleta que aos pouco começa a brilhar na modalidade. O detalhe importante é que na cidade em que ela mora nem mar tem.

A atleta em questão é Cláudia Virgínia, de 18 anos, que só este ano faturou duas etapas da Copa Brasil na categoria Júnior. O que torna ainda mais expressivo os seus resultados é que ela reside em Campina Grande, que fica a mais de 120 km de João Pessoa, cidade mais próxima com a presença do mar. A dificuldade extra vem sendo uma motivação a mais paraibana, que começou sua carreira na natação e migrou para a maratona aquática por ter facilidade em provas mais longas.

“Eu nado desde os meus dez anos de idade e sempre tive facilidade com provas mais longas. Como as provas longas são mais difíceis de achar por aqui, acabei optando pela maratona aquática. Estou competindo desde o ano passado e já ganhei duas etapas da Copa Brasil, além de um terceiro lugar em 2017, nas provas de 5 km. Estou treinando forte para crescer no esporte”, contou.

Cláudia compensa as dificuldades com muito treinamento. Já que não tem mar à sua disposição, ela treina na piscina de terça a sexta, cerca de três por dia na AABB. Além disso, faz trabalhos na academia e atividades funcionais. Tudo isso pelo sonho de se firmar no esporte que tanto ama.

"Quando você ama aquilo que faz e sabe que nasceu para isso, você avança, continua e vai até o fim, que um momento chega. Você apesar de não ter condições para fazer determinada coisa, com muito esforço e determinação a gente chega lá”, Cláudia Virgínia. Atleta da maratona aquática.

Cláudia treina sem a orientação de um técnico

Além da falta do mar para os treinamentos mais específicos, Cláudia Virgínia tem outro problemão na luta para seguir evoluindo na maratona aquática. A jovem atualmente está sem um técnico e, por isso, tem treinado por conta própria.

“A situação está meio complicada porque a maratona aquática necessita de treinamentos mais específicos e eu ainda não os tenho. No momento estou sem treinador, mas a gente está fechando com um técnico mais específico para maratona. Espero que dê tudo certo porque será muito importante para mim", contou.

Outro fator que atrapalha seu desempenho é a falta de patrocínios. A Copa Brasil de Maratona Aquática teve seis etapas, mas Cláudia só teve a oportunidade de disputar duas das três provas realizadas no Nordeste. Isso tem atrapalhado seu crescimento no ranking e adiado sua chance de ser convocada para a Seleção Brasileira.

“Eu tenho apenas o apoio de uma ONG, então, fica difícil participar da maioria das competições. Só vou às que são realizadas aqui no Nordeste. Isso acaba me atrapalhando muito no ranking, já vou bem nos campeonatos que participo, mas acabo ficando para trás pelo fato de não participar de muitas provas”, explicou.

Pensando longe

Antes de pensar em voos mais altos, Cláudia projeta uma participação no Campeonato Sul-Americano da modalidade, em 2019.

Inspiração em Ana Marcela e Allan do Carmo

Todo atleta tem uma inspiração para seguir um caminho no esporte e com Cláudia não foi diferente. A jovem de Campina grande se espelha em Ana Marcela Cunha e Allan do Carmo, dois nordestinos, que estão entre os melhores do mundo na maratona aquática.

Ana Marcela, que é tricampeã mundial da modalidade, recentemente foi eleita pela quarta vez pela Federação Internacional de Esportes Aquáticos (Fina) como melhor atleta do ano em águas abertas. Do Carmo não tem a lista de conquistas tão grande quanto a sua conterrânea de Salvador, mas tem resultados importantes como uma prata e um bronze em Mundiais.

"Eu tenho dois atletas que acho que são os espelhos de todos os maratonistas aquáticos, o Allan do Carmo e a Ana Marcela Cunha, que são os tops do Brasil e até do mundo. Eles são os exemplos para todos os maratonistas. Acho que todo mundo que está começando sonha em chegar ao nível deles”.

Fora das águas

Outra estrela do Brasil na modalidade, a nadadora Poliana Okimoto anunciou sua aposentadoria este ano.

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